28/03/2008
A dengue pode matar. A voluntária social do Hospital Irmã Dulce, Renitida Cardoso, 49 anos, sentiu na pele os sintomas da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypt. `Tive muita febre, dores horríveis na cabeça e no corpo, fiquei de cama`, contou. Ela ficou satisfeita ao saber que o fumacê, carro da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) que dedetiza os bairros, estava trabalhando na rua onde fica sua casa, na Massaranduba (Cidade Baixa).
A dona-de-casa Maria da Luz também sofreu duas vezes com a dengue. Ela sabe que o governo, atuando sozinho, não é suficiente para prevenir a doença e, por não se esquecer do mal-estar que sentiu, sabe de cor as lições para evitar a presença do mosquito em sua casa. `Se adoecer outra vez, não vou agüentar. Por isso, não deixo objetos com água, emborco tudo, garrafas pet eu jogo no lixo e o reservatório de água fica sempre tampado`, disse.
Embora tome todos esses cuidados, a dona-de-casa sabe que a sua ação isolada não é suficiente. `Não adianta eu fazer todo o asseio onde eu moro se os vizinhos derem condições para o mosquito se reproduzir`, explicou.
Na Bahia, este ano, mais de 7 mil pessoas já passaram pela mesma situação de Renilda e Maria. A diretora da Vigilância Epidemiológica da Sesab, Alcina Andrade, afirmou que, ao primeiro sintoma da dengue, a pessoa deve se dirigir ao posto de saúde e, caso seja detectado um caso grave da doença, ela será encaminhada para internação. `Em Salvador, este ano, foram contabilizados 176 casos de dengue, mas nenhum da forma grave`, destacou. Alcina informou que a frota de fumacê do estado está distribuída entre as regiões baianas onde a doença foi detectada, principalmente a de Irecê, onde o número de ocorrências é maior. Ela disse que o combate é feito basicamente com recursos federais, com 30% de contrapartida do governo estadual e outros 30% dos municípios. `
A primeira epidemia aqui foi em 1996, com mais de 40 mil casos do tipo 2. Em 2002, foram 22 mil casos do sorotipo 1`, lembrou a diretora. Segundo ela, são quatro tipos de vírus da dengue, dos quais três já estão na Bahia e um apenas recentemente foi detectado recentemente no Brasil, mas ainda não chegou ao estado.
E declarou que a variedade do vírus aumenta o perigo de se contrair a forma grave da doença. `Uma pessoa que já teve um tipo, está imunizada contra ele. Mas, quando se contamina do outro, os riscos são maiores`, afirmou.
Alerta sobre a forma mais grave da doença
Em meio à maior incidência de dengue na Bahia - já somam 7.187 casos - e o risco de o Estado ser atingido por uma nova epidemia da doença, os especialistas alertam para o desenvolvimento da forma mais grave da doença. `Cada vez que a população é atingida por outro sorotipo, aumentam os riscos de morte causados pela dengue hemorrágica`, explica a epidemiologista Gloria Teixeira, diretora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Especialista em dengue, ela destaca a existência de quatro tipos da doença (dengue tipo 1, 2,3 e 4). As manifestações provocadas pela infecção de qualquer um destes tipos não são alteradas. `Entretanto se o indivíduo for infectado pelo tipo 2, apesar de ficar imune a este sorotipo, ele terá mais riscos de desenvolver a forma mais grave da doença caso venha a ser infectado posteriormente pelo tipo 3, por exemplo,`. Informação que se faz importante num momento em que o Rio de Janeiro (com maior índice de dengue do tipo 2) atravessa uma epidemia, que já causou 50 mortes e estão sendo investigados outros 50 óbitos, em todo Estado. `Uma pessoa que venha daquele Estado e já tenha sido infectada pela doença, ao vir à Bahia (onde desde 2002 predomina a dengue tipo 3) corre sérios riscos`, reforça.
A importância da cooperação comunitária é o item mais defendido pelos especialistas. `O combate através dos agentes de endemias não é suficiente, o único caminho para erradicação é a eliminação dos criadouros dos mosquitos e este é um hábito que deve ser incorporado na rotina das pessoas`. Estudiosa do assunto, Teixeira afirma que a falta de água, bastante freqüente na capital baiana nos últimos meses, tem levado a população a criar reservatórios em suas residências, o que ajuda na proliferação do mosquito transmissor.
No Hospital Couto Maia - especializado em doenças infecciosas - no bairro de Mont Serrat, 13 pessoas já foram atendidas apresentando sinais da doença e uma permanece internada com suspeita de dengue hemorrágica. Oito casos já estão confirmados pelo Laboratório Central (Lacen) `Esses casos são os mais graves, pois uma pessoa com sintomas mais leves não costuma vir até aqui, se trata em outros hospitais ou mesmo em casa com repouso e antitérmico`, conta a infectologista Ana Verônica Mascarenhas, diretora médica do hospital. No ano passado foram contabilizados 50 casos da doença, dos quais 43 foram comprovados pelo Lacen.
Com fortes dores pelo corpo e febre alta, Wully dos Santos Neves, 6 anos, foi logo encaminhado ao hospital. `Ele não conseguia nem andar direito de tanta dor por isso achei melhor ir ao médico`, conta Renata Nascimento dos Santos, mãe do garoto, que nem imaginava o motivo. Levado ao Hospital Geral do Estado (HGE) os médicos recomendaram o Couto Maia. Pouco mais que duas horas após o atendimento, ficou comprovado. `Ele está com dengue`.
Quatro níveis de gravidade
Mascarenhas aponta a existência de quatro níveis de gravidade da doença. `No primeiro o paciente não apresenta nenhum sintoma, mas os exames comprovam que ele está infectado, já o segundo apresenta as alterações anteriores e alguns sinais mais leves, a cada grau os sintomas são mais intensos até chegar ao quatro, que é a caso de dengue grave (hemorrágica)`.
De acordo com a médica, todos os graus merecem serem assistidos por um especialista, embora alguns casos só se faça necessário repouso e uso de medicamentos a base de paracetamol ou dipirona. `Mas quem vai dizer isso é o médico`. Ela adverte ainda para o momento em que a febre começa baixar.
`O agravamento de outros sintomas, nesta fase, pode apontar para uma dengue hemorrágica. Dores abdominais, Tonturas, vômitos, suor excessivo, palpitações e manchas pelo corpo também são considerados sinais de alerta. Além da retransmissão (infecção por sorotipos diferentes), fatores como doenças crônicas (a exemplo da diabetes) e predisposição genética serão determinantes na elevação da intensidade da doença. `A maioria dos casos de dengue hemorrágica são de pessoas que já haviam sido infectadas anteriormente`, pontua Ana Verônica Mascarenhas.
Cerca de 1,3 mil agentes de combate a endemias continuam em greve, há 18 dias. Eles protestam contra o atraso do pagamento dos salários por parte da prefeitura. `Estes atrasos já ocorrem há seis meses`, diz Paulo Roberto de Assis, coordenador do setor de ações jurídicas do Sindacs, sindicato da categoria. De acordo com ele, está marcado para a próxima segunda-feira uma reunião com o secretário municipal de saúde, Carlos Alberto Trindade, que irá discutir as questões salariais.
Fonte: Jornal Tribuna da Bahia
Repórter: Roberta Cerqueira
Em 28/03/2008.
A dona-de-casa Maria da Luz também sofreu duas vezes com a dengue. Ela sabe que o governo, atuando sozinho, não é suficiente para prevenir a doença e, por não se esquecer do mal-estar que sentiu, sabe de cor as lições para evitar a presença do mosquito em sua casa. `Se adoecer outra vez, não vou agüentar. Por isso, não deixo objetos com água, emborco tudo, garrafas pet eu jogo no lixo e o reservatório de água fica sempre tampado`, disse.
Embora tome todos esses cuidados, a dona-de-casa sabe que a sua ação isolada não é suficiente. `Não adianta eu fazer todo o asseio onde eu moro se os vizinhos derem condições para o mosquito se reproduzir`, explicou.
Na Bahia, este ano, mais de 7 mil pessoas já passaram pela mesma situação de Renilda e Maria. A diretora da Vigilância Epidemiológica da Sesab, Alcina Andrade, afirmou que, ao primeiro sintoma da dengue, a pessoa deve se dirigir ao posto de saúde e, caso seja detectado um caso grave da doença, ela será encaminhada para internação. `Em Salvador, este ano, foram contabilizados 176 casos de dengue, mas nenhum da forma grave`, destacou. Alcina informou que a frota de fumacê do estado está distribuída entre as regiões baianas onde a doença foi detectada, principalmente a de Irecê, onde o número de ocorrências é maior. Ela disse que o combate é feito basicamente com recursos federais, com 30% de contrapartida do governo estadual e outros 30% dos municípios. `
A primeira epidemia aqui foi em 1996, com mais de 40 mil casos do tipo 2. Em 2002, foram 22 mil casos do sorotipo 1`, lembrou a diretora. Segundo ela, são quatro tipos de vírus da dengue, dos quais três já estão na Bahia e um apenas recentemente foi detectado recentemente no Brasil, mas ainda não chegou ao estado.
E declarou que a variedade do vírus aumenta o perigo de se contrair a forma grave da doença. `Uma pessoa que já teve um tipo, está imunizada contra ele. Mas, quando se contamina do outro, os riscos são maiores`, afirmou.
Alerta sobre a forma mais grave da doença
Em meio à maior incidência de dengue na Bahia - já somam 7.187 casos - e o risco de o Estado ser atingido por uma nova epidemia da doença, os especialistas alertam para o desenvolvimento da forma mais grave da doença. `Cada vez que a população é atingida por outro sorotipo, aumentam os riscos de morte causados pela dengue hemorrágica`, explica a epidemiologista Gloria Teixeira, diretora do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Especialista em dengue, ela destaca a existência de quatro tipos da doença (dengue tipo 1, 2,3 e 4). As manifestações provocadas pela infecção de qualquer um destes tipos não são alteradas. `Entretanto se o indivíduo for infectado pelo tipo 2, apesar de ficar imune a este sorotipo, ele terá mais riscos de desenvolver a forma mais grave da doença caso venha a ser infectado posteriormente pelo tipo 3, por exemplo,`. Informação que se faz importante num momento em que o Rio de Janeiro (com maior índice de dengue do tipo 2) atravessa uma epidemia, que já causou 50 mortes e estão sendo investigados outros 50 óbitos, em todo Estado. `Uma pessoa que venha daquele Estado e já tenha sido infectada pela doença, ao vir à Bahia (onde desde 2002 predomina a dengue tipo 3) corre sérios riscos`, reforça.
A importância da cooperação comunitária é o item mais defendido pelos especialistas. `O combate através dos agentes de endemias não é suficiente, o único caminho para erradicação é a eliminação dos criadouros dos mosquitos e este é um hábito que deve ser incorporado na rotina das pessoas`. Estudiosa do assunto, Teixeira afirma que a falta de água, bastante freqüente na capital baiana nos últimos meses, tem levado a população a criar reservatórios em suas residências, o que ajuda na proliferação do mosquito transmissor.
No Hospital Couto Maia - especializado em doenças infecciosas - no bairro de Mont Serrat, 13 pessoas já foram atendidas apresentando sinais da doença e uma permanece internada com suspeita de dengue hemorrágica. Oito casos já estão confirmados pelo Laboratório Central (Lacen) `Esses casos são os mais graves, pois uma pessoa com sintomas mais leves não costuma vir até aqui, se trata em outros hospitais ou mesmo em casa com repouso e antitérmico`, conta a infectologista Ana Verônica Mascarenhas, diretora médica do hospital. No ano passado foram contabilizados 50 casos da doença, dos quais 43 foram comprovados pelo Lacen.
Com fortes dores pelo corpo e febre alta, Wully dos Santos Neves, 6 anos, foi logo encaminhado ao hospital. `Ele não conseguia nem andar direito de tanta dor por isso achei melhor ir ao médico`, conta Renata Nascimento dos Santos, mãe do garoto, que nem imaginava o motivo. Levado ao Hospital Geral do Estado (HGE) os médicos recomendaram o Couto Maia. Pouco mais que duas horas após o atendimento, ficou comprovado. `Ele está com dengue`.
Quatro níveis de gravidade
Mascarenhas aponta a existência de quatro níveis de gravidade da doença. `No primeiro o paciente não apresenta nenhum sintoma, mas os exames comprovam que ele está infectado, já o segundo apresenta as alterações anteriores e alguns sinais mais leves, a cada grau os sintomas são mais intensos até chegar ao quatro, que é a caso de dengue grave (hemorrágica)`.
De acordo com a médica, todos os graus merecem serem assistidos por um especialista, embora alguns casos só se faça necessário repouso e uso de medicamentos a base de paracetamol ou dipirona. `Mas quem vai dizer isso é o médico`. Ela adverte ainda para o momento em que a febre começa baixar.
`O agravamento de outros sintomas, nesta fase, pode apontar para uma dengue hemorrágica. Dores abdominais, Tonturas, vômitos, suor excessivo, palpitações e manchas pelo corpo também são considerados sinais de alerta. Além da retransmissão (infecção por sorotipos diferentes), fatores como doenças crônicas (a exemplo da diabetes) e predisposição genética serão determinantes na elevação da intensidade da doença. `A maioria dos casos de dengue hemorrágica são de pessoas que já haviam sido infectadas anteriormente`, pontua Ana Verônica Mascarenhas.
Cerca de 1,3 mil agentes de combate a endemias continuam em greve, há 18 dias. Eles protestam contra o atraso do pagamento dos salários por parte da prefeitura. `Estes atrasos já ocorrem há seis meses`, diz Paulo Roberto de Assis, coordenador do setor de ações jurídicas do Sindacs, sindicato da categoria. De acordo com ele, está marcado para a próxima segunda-feira uma reunião com o secretário municipal de saúde, Carlos Alberto Trindade, que irá discutir as questões salariais.
Fonte: Jornal Tribuna da Bahia
Repórter: Roberta Cerqueira
Em 28/03/2008.