22/08/2008
A Agerba (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos e Transportes da Bahia) multou a TWB, concessionária que administra o sistema ferry-boat, por cobrança indevida no valor da passagem da classe executiva (área vip) no ferry-boat Ivete Sangalo. A empresa cobrou R$ 12,90 pelo tíquete, descumprindo o decreto nº 15, publicado no último dia 19 no Diário Oficial do Estado, que determina cobrança de R$ 8,50 nos dias úteis. O valor da multa não foi informado pela Agerba. A assessoria foi procurada após o horário de expediente.
O diretor-regional da TWB, Orlando Martins, foi procurado pela reportagem para comentar o assunto. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, a TWB não recebeu notificação e desconhecia o valor estipulado pela portaria da Agerba.
Dois dias após a inauguração da embarcação, o diretor-executivo da Agerba, Antonio Lomanto Netto, garantiu que a TWB será multada novamente caso pratique tarifas diferenciadas para o novo ferry ou não realize a travessia no tempo divulgado de 30 minutos.
A empresa, inclusive, poderá ser punida por ter realizado a travessia num tempo de 45 minutos, anteontem, como constatado por A TARDE. Em matéria publicada ontem, o diretor regional da TWB, Orlando Martins, afirmou que a embarcação iria operar com dois motores nos horários oficiais da Agerba, que deverão ser definidos até o final deste mês.
Somente nos horários extras e em dias de maior demanda é que os quatro motores entrariam em funcionamento. Nesses horários, segundo Martins, as tarifas poderiam ter valores diferenciados, ou seja, mais caros que o valor estipulado pela portaria da Agerba, que estipula R$ 3,35, para os dias úteis, e R$ 4,35, nos finais de semana e feriados.
A TWB emitiu nota em que garante que manterá o compromisso firmado com os usuários de oferecer travessias Salvador/Itaparica em até 30 minutos com o fast ferry Ivete Sangalo.
O diretor-executivo da Agerba, Antonio Lomanto Netto, disse que o governo do Estado vai fiscalizar as embarcações para que o acordo firmado com a TWB seja cumprido. `Acho estranho ele (Martins) ter divulgado isso (a possibilidade de tarifas diferenciadas). Eles tinham conhecimento desses valores, que foram publicados no Diário Oficial. Temos um plano de operação que estipula as tarifas e isso terá que ser cumprido. Para isso, a Agerba irá fiscalizar diariamente a embarcação`, disse Lomanto.
Ele afirmou ainda que a TWB não poderá criar horários com viagens turísticas com tarifas diferenciadas sem autorização da Agerba.
Jornal A Tarde - Salvador
Repórter: Cilene Brito
22/08/08 Nova ferrovia vai atravessar a Bahia Aprovação da ferrovia Bahia-Oeste poderá colocar de vez nos trilhos um projeto estratégico de desenvolvimento da economia baiana. A recente aprovação, pelo Congresso Nacional, de um ousado plano de investimentos em ferrovias para ligar o País ao Oceano Pacífico por eixos leste-oeste, além de diversas novas linhas e ramais inter-regionais, poderá colocar de vez nos trilhos um projeto estratégico de desenvolvimento da economia baiana.
Considerada por décadas como obra fundamental para a mudança de perfil produtivo do Estado, a Ferrovia Bahia-Oeste (EF 334), entre Ilhéus e Alvorada (TO), já tinha conquistado, graças a uma articulação política da bancada federal baiana, sua inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Apesar de ainda estar em fase de estudos de engenharia, a sonhada ligação ferroviária de quase 2,7 mil quilômetros entre as regiões do Estado com maior potencial exportador (metropolitana, sul e oeste) e o Centro-Oeste do País ganha a partir deste momento novas perspectivas, viabilizadas pelo Plano Nacional de Viação (PNV) e uma extensão até o Mato Grosso.
Esse planejamento federal de investimentos em alternativas de transporte de cargas e passageiros envolve desde a ampliação de antigos projetos, como o da Ferrovia Norte-sul, até a criação de corredores velozes, como o Belo Horizonte a Curitiba. Alguns parlamentares, mesmo votando a favor do PNV na Câmara e no Senado, ainda duvidam de sua concretização em prazo razoável.
A Medida Provisória (MP) 427/08, que ampliou o traçado de ferrovias e incluiu ao PNV outras novas, além de reformular a atuação da estatal Valec, teve a votação concluída pela Câmara dos Deputados na noite de quartafeira, após ter sido modificada no Senado e, antes, na própria Casa. O texto vai agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os últimos itens analisados e acatados foram três emendas dos senadores que acrescentam os municípios de Bom Jesus da Lapa (BA) e Barcarena (PA) em trechos e ligações com os municípios de Santarém (PA) e Cuiabá. A inclusão do trecho baiano foi aceita pelo relator, deputado Jaime Martins (PR-MG), depois de o próprio o ter suprimido da MP na primeira vez que ela passou na Câmara.
O governador Jaques Wagner não esconde a satisfação com a rápida aprovação da MP com as medidas favoráveis ao Estado. `Essa ferrovia é uma das principais reivindicações do setor produtivo da Bahia, pois permitirá o escoamento da produção de grãos e de minérios do oeste baiano barateando custos de transporte dessas cargas. Estamos satisfeitos pois o projeto da ferrovia foi bem estudado e está muito bem encaminhado`, comemorou. Para Wagner, a Bahia-Oeste é a `principal prioridade` do Estado em relação à logística de transporte.
O `Y` DA QUESTÃO - como parlamentares apelidaram a solução para unir Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste ao Pacífico devido ao formato bifurcado do traçado - também precisou da atuação conjunta de forças políticas rivais na Bahia.
O debate sobre o abuso na edição de MPs deu lugar ao interesse maior do Estado. Com a aprovação da MP 427 com votos do DEM, passaram a fazer parte do PNV a Transnordestina, a estrada de ferro entre Uruaçu (GO) e Vilhena (RO) e a Bahia-Oeste.
Até o fim do ano, o governo da Bahia espera que seja lançado o processo de licitação para a construção dos 2.675 quilômetros da EF 334. A ferrovia sairá do Porto de Ilhéus passando por Brumado, Bom Jesus da Lapa, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Alvorada (TO), ganhando uma extensão até Lucas do Rio Verde (MT). Ali, a ferrovia se encontra com a EF 246 e dali se prolonga até Boqueirão da Esperança, fronteira entre o Brasil e o Peru. Apenas o trecho baiano exigirá investimento superior a R$ 1 bilhão.
A alteração implementada pelo relator da MP no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO), por sugestão de César Borges (PR-BA) e pressão do governador Jaques Wagner, acabou dividindo em duas a ligação com o Pacífico a partir do Peru, que passaria a seguir para o Porto de Ilhéus e, via Distrito Federal e Minas Gerais, também para o litoral norte-fluminense.
Antes, a MP foi modificada na Câmara pelo relator Jaime Martins com apoio da Agência Nacional de Transportes Terrestres, retirando a ligação entre a Bahia-Oeste com o ramal entre Alvorada e Lucas do Rio Verde e favorecendo Minas Gerais. A única opção para as cargas baianas seria completar o caminho via Transnordestina até Uruaçu, no Estado de Goiás.
Fertilizantes - A ligação entre Ilhéus e o Peru, segundo César Borges, poderá transportar 8 milhões de toneladas de grãos e fertilizantes. Segundo o senador, além de permitir o escoamento de grãos do País por Ilhéus e pelo Pacífico, em direção à Ásia, a BahiaOeste poderá transportar também fertilizantes do Peru para o cerrado.
Se esse ambicioso e necessário plano de infra-estrutura ferroviária vingar nos próximos anos conforme estabelecido por lei, diversos portos do Nordeste também poderão ser ligados à ferrovia transcontinental via BahiaOeste, que se encontraria com a Ferrovia Norte-Sul. Na prática, a Bahia passaria a se conectar via trilhos ao resto do País e até o Peru, o que abre oportunidades de novos mercados nacionais e externos.
Voltar Jornal A Tarde (sucursal Brasília)
Repóter: Sílvio Ribas
22/08/08 ferrovia, Bahia-oeste, setor, produtivo, comemoração, projeto de Lei, Valec, ferrovia Trecho facilitará escoamento da produção da região oeste Os produtores rurais do oeste da Bahia receberam com alívio a notícia da aprovação do Projeto de Lei de Conversão 18/2008, como parte da Medida Provisória 427/08, que propõe a inclusão de novas ferrovias no Plano Nacional de Viação, entre elas a BahiaOeste. Alternativa para o transporte rodoviário, cada vez mais caro com a diminuição dos estoques mundiais de combustíveis fósseis, a ferrovia vai ligar a região produtora aos portos exportadores.
`O projeto considerado utópico há alguns anos está amadurecendo e acho que agora já está bem mais próximo de ser concretizado`, comemorou o vicepresidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt Ele destaca que o maior gargalo para o crescimento da região é a logística de recebimento dos insumos necessários para a lavoura e o escoamento da produção.
`A ferrovia vai aumentar a nossa competitividade`, afirma, salientando que a confirmação da construção da ferrovia `é um argumento forte na atração de novos investimentos regionais`.
Há mais de 20 anos atuando na atração de novos grupos para o cerrado e a região dos vales do oeste baiano, Sérgio Schleder destaca que não apenas os agropecuaristas sairão ganhando com a ferrovia, `mas todos os segmentos, pois o impacto recairá em toda a economia regional, barateando os fretes e incrementando a geração de novos postos de trabalho`.
O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, Vanir Köln, salienta que através da ferrovia os produtos serão transportados com mais segurança, e chegarão com maior qualidade ao destino final. Ele lembra ainda que há algumas décadas o Brasil tinha o dobro das ferrovias que estão em atividade atualmente, `e para concorrermos com agricultores de outros países, nós precisamos desta estrutura de logística`.
Aspecto apontado pelos produtores é que com a viabilização da ferrovia, também será melhorada a estrutura portuária no Estado. `Precisamos de um porto que comporte grandes navios graneleiros e assim o produtor já vai fazer os negócios com entrega do produto no trem, cujo destino é o porto`, enfatiza Sérgio Pitt.
A estimativa de produção do cerrado da Bahia na safra 2007/2008, cuja colheita deve terminar no próximo mês de setembro, é de 5.342.733 toneladas de grãos e fibras, das quais, 2.838.660 toneladas de soja, sendo 70% destinadas à exportação. A marca de crescimento de produção da safra passada para atual foi de 23,7%.
Jornal A Tarde - Economia
Repórter: Míriam Hermers (Sucursal Barreiras)
22/08/08 ferrovia, Bahia-oeste, setor, produtivo, comemoração, projeto de Lei, Valec, ferrovia Para a indústria, projeto reforça competitividade Setor produtivo baiano comemora a aprovação do projeto de Lei que cria a Ferrovia Bahia-oeste. O setor produtivo baiano recebeu com entusiasmo o avanço do Projeto de Lei de Conversão 18/2008, da MP 427/08. O dispositivo prevê a criação de novos eixos ferroviários no País, inclusive a Ferrovia Bahia-Oeste, planejada com a expectativa de integrar as regiões do Estado. Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Jorge Lins Freire, o transporte ferroviário é fundamental para reforçar a competitividade da Bahia na atração de novos investimentos.
Freire observa que o governo prevê, até 2010, cerca de R$ 24,7 bilhões em investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Bahia, o que inclui investimentos na ferrovia.
`Um modal como este beneficiaria a todos os setores da economia baiana. Primeiro, você tem o processo de extração mineral, depois o escoamento produtivo de grãos. Ainda poderíamos ter estímulo para a produção de fertilizantes, além de uma nova perspectiva para a expansão da produção de biocombustíveis`, observa Freire.
O gerente de negócios da consultoria Prominas, Bruno Sperancini, observa que o modal ferroviário é de importância estratégica para a mineração baiana. A Prominas trabalhou com uma série de grandes empresas de mineração que se instalaram no Estado. `Para a mineração, o transporte rodoviário é viável apenas para distâncias inferiores a 200 km. O transporte de minérios numa distância superior a esta por caminhões é muito oneroso`, explica Sperancini.
O especialista ainda acrescenta que se a Ferrovia BahiaOeste demorar de sair do papel o Estado pode perder o atual ciclo de alta das commodities (produtos que têm cotação determinada pelo mercado internacional) metálicas.
Apenas em 2007, o setor mineral acrescentou à economia do Estado o montante de R$ 1,2 bilhão. No final do ano passado, a Valec Engenharia contratou, após licitação, empresa que será responsável pela elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da instalação da Ferrovia Bahia-Oeste.
Jornal A Tarde - Economia
Repórter: Luiz Souza
22/08/08
O diretor-regional da TWB, Orlando Martins, foi procurado pela reportagem para comentar o assunto. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, a TWB não recebeu notificação e desconhecia o valor estipulado pela portaria da Agerba.
Dois dias após a inauguração da embarcação, o diretor-executivo da Agerba, Antonio Lomanto Netto, garantiu que a TWB será multada novamente caso pratique tarifas diferenciadas para o novo ferry ou não realize a travessia no tempo divulgado de 30 minutos.
A empresa, inclusive, poderá ser punida por ter realizado a travessia num tempo de 45 minutos, anteontem, como constatado por A TARDE. Em matéria publicada ontem, o diretor regional da TWB, Orlando Martins, afirmou que a embarcação iria operar com dois motores nos horários oficiais da Agerba, que deverão ser definidos até o final deste mês.
Somente nos horários extras e em dias de maior demanda é que os quatro motores entrariam em funcionamento. Nesses horários, segundo Martins, as tarifas poderiam ter valores diferenciados, ou seja, mais caros que o valor estipulado pela portaria da Agerba, que estipula R$ 3,35, para os dias úteis, e R$ 4,35, nos finais de semana e feriados.
A TWB emitiu nota em que garante que manterá o compromisso firmado com os usuários de oferecer travessias Salvador/Itaparica em até 30 minutos com o fast ferry Ivete Sangalo.
O diretor-executivo da Agerba, Antonio Lomanto Netto, disse que o governo do Estado vai fiscalizar as embarcações para que o acordo firmado com a TWB seja cumprido. `Acho estranho ele (Martins) ter divulgado isso (a possibilidade de tarifas diferenciadas). Eles tinham conhecimento desses valores, que foram publicados no Diário Oficial. Temos um plano de operação que estipula as tarifas e isso terá que ser cumprido. Para isso, a Agerba irá fiscalizar diariamente a embarcação`, disse Lomanto.
Ele afirmou ainda que a TWB não poderá criar horários com viagens turísticas com tarifas diferenciadas sem autorização da Agerba.
Jornal A Tarde - Salvador
Repórter: Cilene Brito
22/08/08 Nova ferrovia vai atravessar a Bahia Aprovação da ferrovia Bahia-Oeste poderá colocar de vez nos trilhos um projeto estratégico de desenvolvimento da economia baiana. A recente aprovação, pelo Congresso Nacional, de um ousado plano de investimentos em ferrovias para ligar o País ao Oceano Pacífico por eixos leste-oeste, além de diversas novas linhas e ramais inter-regionais, poderá colocar de vez nos trilhos um projeto estratégico de desenvolvimento da economia baiana.
Considerada por décadas como obra fundamental para a mudança de perfil produtivo do Estado, a Ferrovia Bahia-Oeste (EF 334), entre Ilhéus e Alvorada (TO), já tinha conquistado, graças a uma articulação política da bancada federal baiana, sua inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Apesar de ainda estar em fase de estudos de engenharia, a sonhada ligação ferroviária de quase 2,7 mil quilômetros entre as regiões do Estado com maior potencial exportador (metropolitana, sul e oeste) e o Centro-Oeste do País ganha a partir deste momento novas perspectivas, viabilizadas pelo Plano Nacional de Viação (PNV) e uma extensão até o Mato Grosso.
Esse planejamento federal de investimentos em alternativas de transporte de cargas e passageiros envolve desde a ampliação de antigos projetos, como o da Ferrovia Norte-sul, até a criação de corredores velozes, como o Belo Horizonte a Curitiba. Alguns parlamentares, mesmo votando a favor do PNV na Câmara e no Senado, ainda duvidam de sua concretização em prazo razoável.
A Medida Provisória (MP) 427/08, que ampliou o traçado de ferrovias e incluiu ao PNV outras novas, além de reformular a atuação da estatal Valec, teve a votação concluída pela Câmara dos Deputados na noite de quartafeira, após ter sido modificada no Senado e, antes, na própria Casa. O texto vai agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os últimos itens analisados e acatados foram três emendas dos senadores que acrescentam os municípios de Bom Jesus da Lapa (BA) e Barcarena (PA) em trechos e ligações com os municípios de Santarém (PA) e Cuiabá. A inclusão do trecho baiano foi aceita pelo relator, deputado Jaime Martins (PR-MG), depois de o próprio o ter suprimido da MP na primeira vez que ela passou na Câmara.
O governador Jaques Wagner não esconde a satisfação com a rápida aprovação da MP com as medidas favoráveis ao Estado. `Essa ferrovia é uma das principais reivindicações do setor produtivo da Bahia, pois permitirá o escoamento da produção de grãos e de minérios do oeste baiano barateando custos de transporte dessas cargas. Estamos satisfeitos pois o projeto da ferrovia foi bem estudado e está muito bem encaminhado`, comemorou. Para Wagner, a Bahia-Oeste é a `principal prioridade` do Estado em relação à logística de transporte.
O `Y` DA QUESTÃO - como parlamentares apelidaram a solução para unir Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste ao Pacífico devido ao formato bifurcado do traçado - também precisou da atuação conjunta de forças políticas rivais na Bahia.
O debate sobre o abuso na edição de MPs deu lugar ao interesse maior do Estado. Com a aprovação da MP 427 com votos do DEM, passaram a fazer parte do PNV a Transnordestina, a estrada de ferro entre Uruaçu (GO) e Vilhena (RO) e a Bahia-Oeste.
Até o fim do ano, o governo da Bahia espera que seja lançado o processo de licitação para a construção dos 2.675 quilômetros da EF 334. A ferrovia sairá do Porto de Ilhéus passando por Brumado, Bom Jesus da Lapa, Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e Alvorada (TO), ganhando uma extensão até Lucas do Rio Verde (MT). Ali, a ferrovia se encontra com a EF 246 e dali se prolonga até Boqueirão da Esperança, fronteira entre o Brasil e o Peru. Apenas o trecho baiano exigirá investimento superior a R$ 1 bilhão.
A alteração implementada pelo relator da MP no Senado, Valdir Raupp (PMDB-RO), por sugestão de César Borges (PR-BA) e pressão do governador Jaques Wagner, acabou dividindo em duas a ligação com o Pacífico a partir do Peru, que passaria a seguir para o Porto de Ilhéus e, via Distrito Federal e Minas Gerais, também para o litoral norte-fluminense.
Antes, a MP foi modificada na Câmara pelo relator Jaime Martins com apoio da Agência Nacional de Transportes Terrestres, retirando a ligação entre a Bahia-Oeste com o ramal entre Alvorada e Lucas do Rio Verde e favorecendo Minas Gerais. A única opção para as cargas baianas seria completar o caminho via Transnordestina até Uruaçu, no Estado de Goiás.
Fertilizantes - A ligação entre Ilhéus e o Peru, segundo César Borges, poderá transportar 8 milhões de toneladas de grãos e fertilizantes. Segundo o senador, além de permitir o escoamento de grãos do País por Ilhéus e pelo Pacífico, em direção à Ásia, a BahiaOeste poderá transportar também fertilizantes do Peru para o cerrado.
Se esse ambicioso e necessário plano de infra-estrutura ferroviária vingar nos próximos anos conforme estabelecido por lei, diversos portos do Nordeste também poderão ser ligados à ferrovia transcontinental via BahiaOeste, que se encontraria com a Ferrovia Norte-Sul. Na prática, a Bahia passaria a se conectar via trilhos ao resto do País e até o Peru, o que abre oportunidades de novos mercados nacionais e externos.
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Repóter: Sílvio Ribas
22/08/08 ferrovia, Bahia-oeste, setor, produtivo, comemoração, projeto de Lei, Valec, ferrovia Trecho facilitará escoamento da produção da região oeste Os produtores rurais do oeste da Bahia receberam com alívio a notícia da aprovação do Projeto de Lei de Conversão 18/2008, como parte da Medida Provisória 427/08, que propõe a inclusão de novas ferrovias no Plano Nacional de Viação, entre elas a BahiaOeste. Alternativa para o transporte rodoviário, cada vez mais caro com a diminuição dos estoques mundiais de combustíveis fósseis, a ferrovia vai ligar a região produtora aos portos exportadores.
`O projeto considerado utópico há alguns anos está amadurecendo e acho que agora já está bem mais próximo de ser concretizado`, comemorou o vicepresidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt Ele destaca que o maior gargalo para o crescimento da região é a logística de recebimento dos insumos necessários para a lavoura e o escoamento da produção.
`A ferrovia vai aumentar a nossa competitividade`, afirma, salientando que a confirmação da construção da ferrovia `é um argumento forte na atração de novos investimentos regionais`.
Há mais de 20 anos atuando na atração de novos grupos para o cerrado e a região dos vales do oeste baiano, Sérgio Schleder destaca que não apenas os agropecuaristas sairão ganhando com a ferrovia, `mas todos os segmentos, pois o impacto recairá em toda a economia regional, barateando os fretes e incrementando a geração de novos postos de trabalho`.
O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, Vanir Köln, salienta que através da ferrovia os produtos serão transportados com mais segurança, e chegarão com maior qualidade ao destino final. Ele lembra ainda que há algumas décadas o Brasil tinha o dobro das ferrovias que estão em atividade atualmente, `e para concorrermos com agricultores de outros países, nós precisamos desta estrutura de logística`.
Aspecto apontado pelos produtores é que com a viabilização da ferrovia, também será melhorada a estrutura portuária no Estado. `Precisamos de um porto que comporte grandes navios graneleiros e assim o produtor já vai fazer os negócios com entrega do produto no trem, cujo destino é o porto`, enfatiza Sérgio Pitt.
A estimativa de produção do cerrado da Bahia na safra 2007/2008, cuja colheita deve terminar no próximo mês de setembro, é de 5.342.733 toneladas de grãos e fibras, das quais, 2.838.660 toneladas de soja, sendo 70% destinadas à exportação. A marca de crescimento de produção da safra passada para atual foi de 23,7%.
Jornal A Tarde - Economia
Repórter: Míriam Hermers (Sucursal Barreiras)
22/08/08 ferrovia, Bahia-oeste, setor, produtivo, comemoração, projeto de Lei, Valec, ferrovia Para a indústria, projeto reforça competitividade Setor produtivo baiano comemora a aprovação do projeto de Lei que cria a Ferrovia Bahia-oeste. O setor produtivo baiano recebeu com entusiasmo o avanço do Projeto de Lei de Conversão 18/2008, da MP 427/08. O dispositivo prevê a criação de novos eixos ferroviários no País, inclusive a Ferrovia Bahia-Oeste, planejada com a expectativa de integrar as regiões do Estado. Na avaliação do presidente da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Jorge Lins Freire, o transporte ferroviário é fundamental para reforçar a competitividade da Bahia na atração de novos investimentos.
Freire observa que o governo prevê, até 2010, cerca de R$ 24,7 bilhões em investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Bahia, o que inclui investimentos na ferrovia.
`Um modal como este beneficiaria a todos os setores da economia baiana. Primeiro, você tem o processo de extração mineral, depois o escoamento produtivo de grãos. Ainda poderíamos ter estímulo para a produção de fertilizantes, além de uma nova perspectiva para a expansão da produção de biocombustíveis`, observa Freire.
O gerente de negócios da consultoria Prominas, Bruno Sperancini, observa que o modal ferroviário é de importância estratégica para a mineração baiana. A Prominas trabalhou com uma série de grandes empresas de mineração que se instalaram no Estado. `Para a mineração, o transporte rodoviário é viável apenas para distâncias inferiores a 200 km. O transporte de minérios numa distância superior a esta por caminhões é muito oneroso`, explica Sperancini.
O especialista ainda acrescenta que se a Ferrovia BahiaOeste demorar de sair do papel o Estado pode perder o atual ciclo de alta das commodities (produtos que têm cotação determinada pelo mercado internacional) metálicas.
Apenas em 2007, o setor mineral acrescentou à economia do Estado o montante de R$ 1,2 bilhão. No final do ano passado, a Valec Engenharia contratou, após licitação, empresa que será responsável pela elaboração do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) da instalação da Ferrovia Bahia-Oeste.
Jornal A Tarde - Economia
Repórter: Luiz Souza
22/08/08