29/04/2009
Ainda sem saber a extensão do surto de gripe suína que assombra o mundo, o mercado financeiro oscilou ontem à reboque de previsões catastróficas feitas por especialistas e do comportamento arredio do investidor. No Brasil, Sadia e TAM foram as que mais sofreram perdas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). As ações da empresa de alimentos caíram 3,44% e as da companhia aérea, que tem forte atuação no exterior, se desvalorizaram 6,45%. Até que as autoridades globais convençam as populações de que são capazes de conter o avanço da doença, o estresse deve continuar.
A bolsa brasileira iniciou o dia em alta, mas caiu. Recuperou-se ao longo da tarde e acabou fechando estável aos 45.821 pontos e um volume de negócios de R$ 4,36 bilhões. As ações de bancos registraram ganhos, o que ajudou a equilibrar a Bovespa diante do baque do segmento de mineração como um todo e da Vale em especial. O dólar encerrou a terça-feira a R$ 2,197 — recuo de 1,04% em relação ao fechamento anterior. As ações do grupo JBS-Friboi, que tiveram desvalorização de 10,79% na segunda-feira, avançaram 2,13% ontem. Já os papéis da Perdigão subiram 2,08%.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones terminou a sessão em -0,1%. O petróleo, influenciado pelas notícias negativas da gripe, foi negociado abaixo dos US$ 50 o barril.
Os efeitos econômicos da gripe suína devem ser devastadores nos setores mais globalizados e competitivos. As companhias de transporte aéreo, por exemplo, temem perdas significativas. A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) alertou ontem para prejuízos causados pela queda na demanda de passageiros, reforçando que a doença abala a confiança dos clientes. A TAM e a Gol não têm voos para o México, país onde foram identificados os primeiros focos da gripe. Segundo as duas companhias, não foram detectadas alterações no fluxo de pessoas para voos ao exterior. As ações da Gol encerraram o pregão de ontem na Bovespa em baixa de 0,81%.
Para a economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, a desaceleração dos mercados fará vítimas também no segmento de consumo voltado ao lazer e no de energia. `Está havendo uma antecipação neste momento`, completou. Segundo a analista, o momento tende a ser positivo para o Brasil se as empresas do ramo de alimentação souberem aproveitá-lo. `Com a tendência de substituição de consumo de carnes no mundo, o Brasil pode ocupar espaços`, reforça.
É o que espera Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). `Ainda estamos vivendo a fase da perplexidade. Espero que haja informação completa e que as pessoas deixem de fazer associações indevidas`, explicou. A entidade enviou ontem ofício à diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, solicitando a mudança no nome da gripe. Conforme a Abipecs, a denominação está prejudicando produtores de suínos de todo o mundo e pode causar perdas irreparáveis.
Missão cancelada
Uma reunião entre técnicos brasileiros do Ministério de Agricultura e representantes mexicanos na Cidade do México, que ocorreria nesta semana, foi cancelada. O encontro deveria tratar de temas relacionados ao comércio bilateral entre os dois países.
Autor(es): Luciano Pires
Correio Braziliense - 29/04/2009.
A bolsa brasileira iniciou o dia em alta, mas caiu. Recuperou-se ao longo da tarde e acabou fechando estável aos 45.821 pontos e um volume de negócios de R$ 4,36 bilhões. As ações de bancos registraram ganhos, o que ajudou a equilibrar a Bovespa diante do baque do segmento de mineração como um todo e da Vale em especial. O dólar encerrou a terça-feira a R$ 2,197 — recuo de 1,04% em relação ao fechamento anterior. As ações do grupo JBS-Friboi, que tiveram desvalorização de 10,79% na segunda-feira, avançaram 2,13% ontem. Já os papéis da Perdigão subiram 2,08%.
Nos Estados Unidos, o Dow Jones terminou a sessão em -0,1%. O petróleo, influenciado pelas notícias negativas da gripe, foi negociado abaixo dos US$ 50 o barril.
Os efeitos econômicos da gripe suína devem ser devastadores nos setores mais globalizados e competitivos. As companhias de transporte aéreo, por exemplo, temem perdas significativas. A Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata) alertou ontem para prejuízos causados pela queda na demanda de passageiros, reforçando que a doença abala a confiança dos clientes. A TAM e a Gol não têm voos para o México, país onde foram identificados os primeiros focos da gripe. Segundo as duas companhias, não foram detectadas alterações no fluxo de pessoas para voos ao exterior. As ações da Gol encerraram o pregão de ontem na Bovespa em baixa de 0,81%.
Para a economista da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro, a desaceleração dos mercados fará vítimas também no segmento de consumo voltado ao lazer e no de energia. `Está havendo uma antecipação neste momento`, completou. Segundo a analista, o momento tende a ser positivo para o Brasil se as empresas do ramo de alimentação souberem aproveitá-lo. `Com a tendência de substituição de consumo de carnes no mundo, o Brasil pode ocupar espaços`, reforça.
É o que espera Pedro de Camargo Neto, presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs). `Ainda estamos vivendo a fase da perplexidade. Espero que haja informação completa e que as pessoas deixem de fazer associações indevidas`, explicou. A entidade enviou ontem ofício à diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, solicitando a mudança no nome da gripe. Conforme a Abipecs, a denominação está prejudicando produtores de suínos de todo o mundo e pode causar perdas irreparáveis.
Missão cancelada
Uma reunião entre técnicos brasileiros do Ministério de Agricultura e representantes mexicanos na Cidade do México, que ocorreria nesta semana, foi cancelada. O encontro deveria tratar de temas relacionados ao comércio bilateral entre os dois países.
Autor(es): Luciano Pires
Correio Braziliense - 29/04/2009.