Representantes dos 13 povos indígenas discutem melhoria no atendimento a problemas como hipertensão na Conferência Estadual de Saúde

11/09/2007
Na Bahia, existem cerca de 25 mil indígenas, representantes de 13 povos distribuídos por cerca de 20 municípios.

`Quando temos questões relativas à saúde, o governo federal diz que é problema do município, que empurra para o Estado e os índios vão morrendo sem solução`, reclamou a auxiliar de enfermagem Luzia Pataxó, 31 anos, moradora de Coroa Vermelha na região de Porto Seguro.

Para resolver problemas como o apresentado por Luzia, representantes de 393 dos 417 municípios baianos (95%) estão discutindo, durante a 7ª Conferência Estadual de Saúde (Conferes), as principais dificuldades da área em suas respectivas regiões.

O evento, presidido pelo secretário de Saúde, Jorge Solla, termina hoje, no Centro de Convenções, e garante a participação da Sociedade Civil Organizada na definição das políticas públicas no setor, além de ampliar o controle social no Sistema Único de Saúde (SUS).

A Conferes foi precedida de conferências municipais, onde foram indicados os 1,6 mil delegados para o evento estadual, que conta ainda com a presença de outros 400 representantes dos gestores, trabalhadores em saúde e usuários do SUS, num total de dois mil participantes.

Luzia disse que os Pataxós da região têm apenas três carros para atender todas as 25 aldeias do pólo.

`Tem vez que o paciente chega a ser transportado em redes`, declarou. Ela disse ainda que as populações indígenas apresentam como problemas mais graves a hipertensão e doenças de vista.

`Temos hoje 300 consultas oftalmológicas acumuladas e não conseguimos o atendimento. Acredito que essa conferência seja um caminho para a solução deste e de outros casos`, comentou.

O deficiente visual Joselito dos Santos Souza, usuário do SUS na região de Jequié, também acredita que a Conferes seja um caminho para a solução dos problemas que aponta.

`Nós não temos nossa central de imagem, há muita dificuldade para se marcar exames de média e alta complexidade e demora para saírem os resultados. Além disso, no estado só tem duas unidades de oncologia, em Itabuna e Salvador, é preciso descentralizar`, exemplificou.

Cinco mil propostas - Solla lembrou que essa é a maior Conferência Estadual de Saúde já realizada na Bahia, contando com mais do que o dobro de municípios representados durante o evento passado.

`Temos 95% do estado presente. Foram levantadas mais de cinco mil propostas nas conferências municipais e consolidadas por um grupo de relatoria para serem debatidas agora.

Daqui sairão as principais diretrizes que, articuladas com o programa de governo, irão potencializar o SUS nos 417 municípios baianos`, explicou.

As conferências de saúde acontecem de quatro em quatro anos para avaliar a situação de saúde e propor as diretrizes para formulação da política de saúde em cada esfera de governo.

Fonte: Diário Oficial

11/09/07