29/02/2008
O BC teve prejuízo de R$47,5 bi em 2007, valor 250% superior à perda de 2006. O resultado reflete o efeito do real valorizado sobre as reservas cambiais do país. Já a Vale registrou lucro recorde no ano passado, de R$20 bi, em alta de 48,95%.
O Banco Central (BC) registrou em 2007 prejuízo de R$47,513 bilhões, 254% maior do que a perda de 2006, de R$13,392 bilhões, informou ontem a instituição. O resultado negativo é decorrente da valorização do real no ano passado, que tem impacto sobre as reservas internacionais do país, compostas por moeda estrangeira e administradas pelo BC.
- Nossas reservas são em dólares e euros, e nosso balanço é em reais. Se fosse em moeda estrangeira, poderíamos dizer que essa conta não apresentaria prejuízo - afirmou o diretor de Administração do BC, Antero de Moraes Meirelles.
O impacto da valorização do real sobre as reservas - que fecharam o ano em US$183,3 bilhões - e os chamados swaps cambiais (operação na qual o BC remunera o investidor pela taxa de juros e arca com a desvalorização cambial, uma forma de enxugar dólares do mercado) influenciaram o balanço negativamente em R$55,6 bilhões no ano passado, contra R$15,4 bilhões em 2006.
- Temos de lembrar que grande parte deste prejuízo do Banco Central é contábil, pois ele é compensado pelo Tesouro Nacional (que emite os títulos que lastreiam as operações do BC). Além disso, o aumento das reservas tem como objetivo reforçar a capacidade do Brasil de resistir a choques externos, o que é positivo para o país - afirmou Meirelles.
Ele calculou que, descontado o impacto da valorização do real sobre as reservas, o BC teria lucrado R$8,08 bilhões em 2007, resultado muito diferente do ano anterior: R$2,15 bilhões. Somente no segundo semestre de 2007, o lucro do BC teria sido de R$9,166 bilhões.
O balanço do BC - pela primeira vez publicado dentro das novas normas internacionais - foi aprovado sem ressalvas pela auditoria independente do banco, a KPMG.
Todo o prejuízo do ano passado já foi ressarcido ao BC, por meio de títulos do Tesouro. As contas de 2007 da autoridade monetária foram aprovadas ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que reúne os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, além do presidente do BC, Henrique Meirelles.
O CMN também aprovou ontem o funcionamento de sete instituições financeiras com capital estrangeiro. São três bancos (dois múltiplos e um de investimento), duas distribuidoras de títulos e a readequação de duas empresas com capital na Bolsa de Valores.
CMN eleva endividamento para obras do PAC
O banco de investimentos americano Lehman Brothers, que sequer tem escritório de representação aqui, foi autorizado a atuar no Brasil com 100% de capital estrangeiro. Já o português Caixa Geral de Depósitos ganhou sinal verde para retomar suas atividades no país, de onde saiu em 2005. E o CMN autorizou a criação do Banco Yamaha Motor do Brasil e de uma distribuidora de títulos do Royal Bank of Canada. As aprovações ainda dependem de decreto presidencial.
Além disso, o CMN aprovou a ampliação dos limites de endividamento de entes públicos em obras que estão dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foi autorizada a destinação de R$6 bilhões para iniciativas de saneamento e de R$2 bilhões para as de habitação. Os novos limites repetem a liberação ocorrida em janeiro de 2007, quando o PAC foi lançado.
Mas o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mostrou preocupação com a saúde do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), em reunião do Conselho Deliberativo dos recursos (Codefat). Ele disse que o aumento das receitas não está acompanhando as despesas. Ao todo serão alocados R$8,5 bilhões nos vários programas de financiamento do FAT, sendo R$4 bilhões em recursos novos, este ano, segundo o ministério.
Repórter: Henrique Gomes Batista
Fonte: Jornal O Globo
Em 29/2/2008.
O Banco Central (BC) registrou em 2007 prejuízo de R$47,513 bilhões, 254% maior do que a perda de 2006, de R$13,392 bilhões, informou ontem a instituição. O resultado negativo é decorrente da valorização do real no ano passado, que tem impacto sobre as reservas internacionais do país, compostas por moeda estrangeira e administradas pelo BC.
- Nossas reservas são em dólares e euros, e nosso balanço é em reais. Se fosse em moeda estrangeira, poderíamos dizer que essa conta não apresentaria prejuízo - afirmou o diretor de Administração do BC, Antero de Moraes Meirelles.
O impacto da valorização do real sobre as reservas - que fecharam o ano em US$183,3 bilhões - e os chamados swaps cambiais (operação na qual o BC remunera o investidor pela taxa de juros e arca com a desvalorização cambial, uma forma de enxugar dólares do mercado) influenciaram o balanço negativamente em R$55,6 bilhões no ano passado, contra R$15,4 bilhões em 2006.
- Temos de lembrar que grande parte deste prejuízo do Banco Central é contábil, pois ele é compensado pelo Tesouro Nacional (que emite os títulos que lastreiam as operações do BC). Além disso, o aumento das reservas tem como objetivo reforçar a capacidade do Brasil de resistir a choques externos, o que é positivo para o país - afirmou Meirelles.
Ele calculou que, descontado o impacto da valorização do real sobre as reservas, o BC teria lucrado R$8,08 bilhões em 2007, resultado muito diferente do ano anterior: R$2,15 bilhões. Somente no segundo semestre de 2007, o lucro do BC teria sido de R$9,166 bilhões.
O balanço do BC - pela primeira vez publicado dentro das novas normas internacionais - foi aprovado sem ressalvas pela auditoria independente do banco, a KPMG.
Todo o prejuízo do ano passado já foi ressarcido ao BC, por meio de títulos do Tesouro. As contas de 2007 da autoridade monetária foram aprovadas ontem pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que reúne os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, além do presidente do BC, Henrique Meirelles.
O CMN também aprovou ontem o funcionamento de sete instituições financeiras com capital estrangeiro. São três bancos (dois múltiplos e um de investimento), duas distribuidoras de títulos e a readequação de duas empresas com capital na Bolsa de Valores.
CMN eleva endividamento para obras do PAC
O banco de investimentos americano Lehman Brothers, que sequer tem escritório de representação aqui, foi autorizado a atuar no Brasil com 100% de capital estrangeiro. Já o português Caixa Geral de Depósitos ganhou sinal verde para retomar suas atividades no país, de onde saiu em 2005. E o CMN autorizou a criação do Banco Yamaha Motor do Brasil e de uma distribuidora de títulos do Royal Bank of Canada. As aprovações ainda dependem de decreto presidencial.
Além disso, o CMN aprovou a ampliação dos limites de endividamento de entes públicos em obras que estão dentro do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Foi autorizada a destinação de R$6 bilhões para iniciativas de saneamento e de R$2 bilhões para as de habitação. Os novos limites repetem a liberação ocorrida em janeiro de 2007, quando o PAC foi lançado.
Mas o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, mostrou preocupação com a saúde do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), em reunião do Conselho Deliberativo dos recursos (Codefat). Ele disse que o aumento das receitas não está acompanhando as despesas. Ao todo serão alocados R$8,5 bilhões nos vários programas de financiamento do FAT, sendo R$4 bilhões em recursos novos, este ano, segundo o ministério.
Repórter: Henrique Gomes Batista
Fonte: Jornal O Globo
Em 29/2/2008.