Bahia conhece experiência de dessalinização da água do mar em Cabo Verde

31/07/2008
A convivência com a seca, com a escassez hídrica e o enfrentamento da desertificação, são algumas das experiências da Ilha de Cabo Verde, na África, que estão sendo conhecidas pelo diretor-geral do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), Julio Rocha, e o assessor para Povos e Comunidades Tradicionais da autarquia, Diosmar Filho.

Em viagem oficial pelo continente, a convite do Ministério dos Recursos Naturais e Ambiente de São Tomé e Príncipe, eles representam o Governo do Estado, no Seminário Internacional Educação, Ambiente e Desenvolvimento Comunitário. Antes de desembarcarem em São Tomé e Príncipe, os dois conheceram a experiência de dessalinização na Ilha, onde a população - cerca de 17 mil habitantes - depende da água do mar para abastecimento humano e demais usos, por meio dos sistemas de dessalinização.

Na Ilha, que é parte do Arquipélago de Cabo Verde, também há o grave problema de falta de chuva. `Aqui não existem rios que cortem o território, nem acesso a água doce subterrânea. A Ilha tem fundamentalmente sua base econômica na pesca artesanal e no turismo`, comenta Julio Rocha.

Para Francisco Lopes, morador da Ilha e empresário em Santa Maria, a dificuldade de acesso à água é uma preocupação de todos, pois o custo do bem é repartido para a sociedade e a maior parte dos cabo-verdianos não tem renda para assumir esse ônus.

Lopes conta que o metro cúbico custa, atualmente, quatro euros, o equivalente a R$ 9,88. `Isso repercute na vida de todos os cabo-verdianos. Sem dúvida, a água é o maior problema que temos e se agrava a cada dia`, afirma. Ele comenta que existe um ditado muito comum na região - `Cabo Verde tem chuva de sol`.

Segundo Julio Rocha, a situação aponta a dessalinização como alternativa para consumo, constituindo uma experiência a ser analisada em face do Programa Água para Todos, do Governo da Bahia. Ele justifica a viagem como sendo `uma oportunidade concreta de aproximação da Bahia com a África Lusófona, na área ambiental, das águas e das relações étnico-raciais, assim como nos demais setores de cooperação, inclusive diante da perspectiva de visita do Governador do Estado ao continente ainda no segundo semestre deste ano`.

Fonte: Agecom

31/07/08