19/11/2008
O país precisa assegurar um aumento de pelo menos 10% ao ano na taxa de investimento para evitar que o crescimento econômico do país despenque em 2009. A estimativa governamental de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) varia entre 3,8% e 4%. O ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, fizeram um apelo aos empresários para que não suspendam investimentos. Eles participaram ontem de audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para discutir a criação do Fundo Soberano do Brasil (FSB).
`Se conseguirmos ser bem-sucedidos em manter uma taxa de crescimento razoável dos investimentos, poderemos estabelecer um limite para a desaceleração da economia no próximo ano. Para manter o ritmo, o crédito é uma variável crucial`, disse Miguel Jorge. Na avaliação de Coutinho, o grande desafio do governo é impedir que a taxa de aplicação fique abaixo dos 10% ao ano.
Para estimular investimentos privados, o BNDES pretende liberar R$ 90 bilhões em crédito este ano. No acumulado de 12 meses até outubro, esse valor chega a R$ 86,6 bilhões. `O impulso do investimento até o momento está mantido. Mas isso não quer dizer que à frente não será afetado pela crise financeira mundial`, afirmou Coutinho.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de investimento — Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF) — está subindo há 18 trimestres consecutivos, sendo que há 13 trimestres avança acima do Produto Interno Bruto (PIB). No segundo trimestre deste ano, a taxa de investimento registrou alta de 16,2% ante o mesmo período de 2007. Em termos anualizados, a expansão foi de 15,5%.
No atual contexto, o presidente do BNDES destacou a importância de capitalização da instituição e uma das maneiras de se viabilizar isso é por meio da aprovação do FSB. O governo se comprometeu em fazer um superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública) adicional de 0,5 ponto percentual do PIB , o equivalente a R$ 14,5 bilhões, para destinar ao FSB. Com isso, a meta de economia passou de 3,8% para 4,3% do Produto Interno Bruto neste e no próximo ano. Esse dinheiro adicional seria gasto para estimular a expansão econômica em momentos de dificuldades.
O instrumento não é bem aceito pelos senadores de oposição que acreditam que esse momento de crise financeira não é o ideal para discutir o assunto já que, ao contrário de países que têm FSB, o Brasil não têm superávit nominal ou registra forte entrada de dólar por conta de exploração de riqueza natural. No caso brasileiro, a idéia do governo é destinar os saldos comerciais advindos da exploração de petróleo na camada do pré-sal para o FSB. `Ele é razoável e não é incompatível com a realidade brasileira. Ainda não temos superávit nominal, mas estamos caminhando para isso`, destacou.
Efeito
Na avaliação de Coutinho, a economia brasileira está sendo impactada, no curto prazo, pelo fortalecimento do dólar frente ao real. Mas a perspectiva de deflação na economia mundial remove parte do impacto do câmbio, que será `temporário`, nos preços no Brasil. `É muito plausível esperar que abra, num futuro não distante, espaço relevante para redução das taxas de juros no país`, frisou. A baixa dos juros, segundo Coutinho, deve aproximar a economia brasileira do superávit nominal, ou seja, a economia feita pelo governo será mais que suficiente para pagar os juros da dívida pública.
Por enquanto, no entanto, a taxa de juros do país é de 13,75% ao ano. Nesse cenário adverso, analistas de mercado acreditam num corte dos juros a partir do segundo trimestre de 2009. Isso, se a inflação, realmente, seguir uma tendência de queda, convergindo para o centro da meta que é de 4,5% para 2009.
________________________________________ O impulso do investimento, até o momento, está mantido. Mas isso não quer dizer que à frente não será afetado pela crise financeira mundial
Luciano Coutinho, presidente do BNDES
________________________________________ Redução estratégica
A poucas semanas de divulgar a revisão de seu plano estratégico — já adiado por pelo menos quatro vezes — a Petrobras está decidida a postergar projetos e priorizar apenas os que tenham retorno rápido e propiciem a retirada de óleo leve. A afirmação foi feita ontem, pelo gerente geral de novos negócios da área de Exploração e Produção da Petrobras, José Jorge de Moraes Júnior, após participar do XII Congresso Brasileiro de Energia, realizado no Rio.
O cenário de crise econômica mundial, que acarreta uma maior dificuldade de obtenção de crédito, e o preço do barril de petróleo, abaixo de US$ 60, são as principais causas dessa revisão nos planos da empresa. `São ajustes que precisavam ser feitos e que vão aparecer no plano estratégico que a companhia vai divulgar em dezembro`, disse Moraes Júnior. Segundo ele, a idéia é postergar todos os projetos que visavam a antecipação da produção em campos de óleo pesado e também aqueles que tinham como objetivo o aumento da produção de campos maduros.
As áreas do pré-sal e os reservatórios em que a Petrobras já possui infra-estrutura instalada e que tenham indícios de óleo leve (com maior retorno econômico) serão priorizados em curto prazo para garantir a manutenção da curva de produção. Moraes Júnior não detalhou projetos que serão alterados, mas citou ao menos o BC-10 — no Parque das Conchas, e operado pela Shell — que está entre os que serão antecipados de 2010 para 2009. Ele admite, no entanto, que os atrasos em alguns projetos que estavam até agora sendo considerados importantes podem prejudicar a curva de produção da companhia em 2012 ou 2013. `Mas nada de muito significativo, principalmente porque até lá a expectativa é de que o preço do barril no mercado internacional já tenha estacionado num patamar mais alto e isso deverá viabilizar estes projetos novamente`, disse.
Segundo Moraes Júnior, a Petrobras já confirmou o interesse em participar da 10ª Rodada da ANP, que acontece em dezembro, e tem interesse nas áreas maduras das bacias do Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Potiguar.
Política estrutural
O desenvolvimento das reservas do pré-sal pode ser utilizado como uma `política estrutural anticíclica`, visando evitar que o Brasil sinta, com maior profundidade, os efeitos da crise econômica mundial. A afirmação foi feita ontem pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Ele defendeu que haja uma maior participação do conteúdo nacional no desenvolvimento dos equipamentos que serão necessários para explorar as reservas de petróleo e gás natural no pré-sal. `Desta maneira, teríamos não somente os efeitos benéficos da exploração destas reservas no médio e longo prazo, colocando o país entre os grandes produtores de petróleo mundiais, como traríamos benefícios para o curto prazo, minimizando o impacto da desaceleração econômica proveniente dessa crise mundial`, comentou o presidente da EPE.
Tolmasquim, que integra a Comissão Interministerial que está discutindo o marco regulatório do petróleo, desconversou sobre a possibilidade de as propostas conclusivas sobre o tema estarem praticamente prontas para serem apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como vem afirmando o ministro de Minas e Energia, Edison lobão. Segundo ele, é preciso `calma` para discutir o tema e todos os aspectos que ele envolve.
Bovespa
O valor das ações preferencias da Petrobras desabaram 5,86% ontem e foram fundamentais para que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrasse queda de 4,54%. No câmbio, nem as intervenções do Banco Central (BC) conseguiram segurar o dólar, que fechou em alta de 2,2%, a R$ 2,32. No mês, a moeda americana avançou 7,73%.
Nos EUA, o dia foi de forte volatilidade. Após registrar ganhos superiores a 2% pela manhã, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York chegou a cair mais de 1% durante a tarde e fechou em alta de 1,83%.
Autor(es): Edna Simão
Fonte: Correio Braziliense
- 19/11/2008.
`Se conseguirmos ser bem-sucedidos em manter uma taxa de crescimento razoável dos investimentos, poderemos estabelecer um limite para a desaceleração da economia no próximo ano. Para manter o ritmo, o crédito é uma variável crucial`, disse Miguel Jorge. Na avaliação de Coutinho, o grande desafio do governo é impedir que a taxa de aplicação fique abaixo dos 10% ao ano.
Para estimular investimentos privados, o BNDES pretende liberar R$ 90 bilhões em crédito este ano. No acumulado de 12 meses até outubro, esse valor chega a R$ 86,6 bilhões. `O impulso do investimento até o momento está mantido. Mas isso não quer dizer que à frente não será afetado pela crise financeira mundial`, afirmou Coutinho.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de investimento — Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF) — está subindo há 18 trimestres consecutivos, sendo que há 13 trimestres avança acima do Produto Interno Bruto (PIB). No segundo trimestre deste ano, a taxa de investimento registrou alta de 16,2% ante o mesmo período de 2007. Em termos anualizados, a expansão foi de 15,5%.
No atual contexto, o presidente do BNDES destacou a importância de capitalização da instituição e uma das maneiras de se viabilizar isso é por meio da aprovação do FSB. O governo se comprometeu em fazer um superávit primário (economia para pagar juros da dívida pública) adicional de 0,5 ponto percentual do PIB , o equivalente a R$ 14,5 bilhões, para destinar ao FSB. Com isso, a meta de economia passou de 3,8% para 4,3% do Produto Interno Bruto neste e no próximo ano. Esse dinheiro adicional seria gasto para estimular a expansão econômica em momentos de dificuldades.
O instrumento não é bem aceito pelos senadores de oposição que acreditam que esse momento de crise financeira não é o ideal para discutir o assunto já que, ao contrário de países que têm FSB, o Brasil não têm superávit nominal ou registra forte entrada de dólar por conta de exploração de riqueza natural. No caso brasileiro, a idéia do governo é destinar os saldos comerciais advindos da exploração de petróleo na camada do pré-sal para o FSB. `Ele é razoável e não é incompatível com a realidade brasileira. Ainda não temos superávit nominal, mas estamos caminhando para isso`, destacou.
Efeito
Na avaliação de Coutinho, a economia brasileira está sendo impactada, no curto prazo, pelo fortalecimento do dólar frente ao real. Mas a perspectiva de deflação na economia mundial remove parte do impacto do câmbio, que será `temporário`, nos preços no Brasil. `É muito plausível esperar que abra, num futuro não distante, espaço relevante para redução das taxas de juros no país`, frisou. A baixa dos juros, segundo Coutinho, deve aproximar a economia brasileira do superávit nominal, ou seja, a economia feita pelo governo será mais que suficiente para pagar os juros da dívida pública.
Por enquanto, no entanto, a taxa de juros do país é de 13,75% ao ano. Nesse cenário adverso, analistas de mercado acreditam num corte dos juros a partir do segundo trimestre de 2009. Isso, se a inflação, realmente, seguir uma tendência de queda, convergindo para o centro da meta que é de 4,5% para 2009.
________________________________________ O impulso do investimento, até o momento, está mantido. Mas isso não quer dizer que à frente não será afetado pela crise financeira mundial
Luciano Coutinho, presidente do BNDES
________________________________________ Redução estratégica
A poucas semanas de divulgar a revisão de seu plano estratégico — já adiado por pelo menos quatro vezes — a Petrobras está decidida a postergar projetos e priorizar apenas os que tenham retorno rápido e propiciem a retirada de óleo leve. A afirmação foi feita ontem, pelo gerente geral de novos negócios da área de Exploração e Produção da Petrobras, José Jorge de Moraes Júnior, após participar do XII Congresso Brasileiro de Energia, realizado no Rio.
O cenário de crise econômica mundial, que acarreta uma maior dificuldade de obtenção de crédito, e o preço do barril de petróleo, abaixo de US$ 60, são as principais causas dessa revisão nos planos da empresa. `São ajustes que precisavam ser feitos e que vão aparecer no plano estratégico que a companhia vai divulgar em dezembro`, disse Moraes Júnior. Segundo ele, a idéia é postergar todos os projetos que visavam a antecipação da produção em campos de óleo pesado e também aqueles que tinham como objetivo o aumento da produção de campos maduros.
As áreas do pré-sal e os reservatórios em que a Petrobras já possui infra-estrutura instalada e que tenham indícios de óleo leve (com maior retorno econômico) serão priorizados em curto prazo para garantir a manutenção da curva de produção. Moraes Júnior não detalhou projetos que serão alterados, mas citou ao menos o BC-10 — no Parque das Conchas, e operado pela Shell — que está entre os que serão antecipados de 2010 para 2009. Ele admite, no entanto, que os atrasos em alguns projetos que estavam até agora sendo considerados importantes podem prejudicar a curva de produção da companhia em 2012 ou 2013. `Mas nada de muito significativo, principalmente porque até lá a expectativa é de que o preço do barril no mercado internacional já tenha estacionado num patamar mais alto e isso deverá viabilizar estes projetos novamente`, disse.
Segundo Moraes Júnior, a Petrobras já confirmou o interesse em participar da 10ª Rodada da ANP, que acontece em dezembro, e tem interesse nas áreas maduras das bacias do Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Potiguar.
Política estrutural
O desenvolvimento das reservas do pré-sal pode ser utilizado como uma `política estrutural anticíclica`, visando evitar que o Brasil sinta, com maior profundidade, os efeitos da crise econômica mundial. A afirmação foi feita ontem pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Ele defendeu que haja uma maior participação do conteúdo nacional no desenvolvimento dos equipamentos que serão necessários para explorar as reservas de petróleo e gás natural no pré-sal. `Desta maneira, teríamos não somente os efeitos benéficos da exploração destas reservas no médio e longo prazo, colocando o país entre os grandes produtores de petróleo mundiais, como traríamos benefícios para o curto prazo, minimizando o impacto da desaceleração econômica proveniente dessa crise mundial`, comentou o presidente da EPE.
Tolmasquim, que integra a Comissão Interministerial que está discutindo o marco regulatório do petróleo, desconversou sobre a possibilidade de as propostas conclusivas sobre o tema estarem praticamente prontas para serem apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como vem afirmando o ministro de Minas e Energia, Edison lobão. Segundo ele, é preciso `calma` para discutir o tema e todos os aspectos que ele envolve.
Bovespa
O valor das ações preferencias da Petrobras desabaram 5,86% ontem e foram fundamentais para que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrasse queda de 4,54%. No câmbio, nem as intervenções do Banco Central (BC) conseguiram segurar o dólar, que fechou em alta de 2,2%, a R$ 2,32. No mês, a moeda americana avançou 7,73%.
Nos EUA, o dia foi de forte volatilidade. Após registrar ganhos superiores a 2% pela manhã, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York chegou a cair mais de 1% durante a tarde e fechou em alta de 1,83%.
Autor(es): Edna Simão
Fonte: Correio Braziliense
- 19/11/2008.