Bahia é forte candidata para nova unidade da Braskem

22/10/2007
A Braskem, segunda maior companhia industrial privada de capital brasileiro, após anúncio do primeiro polietileno verde do mundo, a base do etanol da cana-de-açúcar, certificado pelo laboratório Beta Analytic como produto que contém 100% de matéria-prima renovável, tem a Bahia como forte candidata para instalação da nova indústria. A estimativa de produção anual é de 200 mil toneladas de polietileno verde em escala industrial, com previsão de instalação da nova indústria para o final de 2009 e investimento de 60 a 100 milhões de dólares.

De acordo com o presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, pode-se esperar que o Brasil seja para o polietileno verde o mesmo que o Oriente Médio é para o polímero não renovável. `A Bahia tem vantagens intrínsecas em relação a esse projeto, porque a Braskem tem uma base muito sólida tanto de produção de eteno quanto de polietileno e o Estado tem trabalhado para o desenvolvimento da indústria do açúcar. É evidente que se pudermos viabilizar este investimento em locais onde a Braskem já tem unidades industriais, isso fará com que o projeto fique mais competitivo e o custo possa ser minimizado`, afirma o presidente da empresa. A empresa está em atual fase de avaliação para definir se a indústria será na Bahia ou no Rio Grande do Sul.

O impacto econômico deste tipo de indústria `alcool química` também será identificado em relação ao fornecimento de cana-de-açúcar para suprir a necessidade de matéria-prima, o que alavanca o setor agrícola. `O mais importante é que as novas tecnologias disponíveis no setor de álcool, também devem conduzir a um aumento de produtividade, tanto na parte agrícola, de transformação e na otimização energética destas usinas, que deve conduzir a uma redução importante do preço do etanol nos próximos anos`, explica Grubisich.

O desenvolvimento sustentável é uma bandeira para o investimento em tipos como este de tecnologia, já que a partir do polímero produzido com matéria-prima 100% renovável, contribui-se para a redução do consumo de materiais fósseis e emissão de gás carbônico, um passo importante para a redução dos danos causados pelo efeito estufa. Após investimento de cinco milhões de dólares em pesquisas, atualmente o projeto está em fase de avaliação técnico-econômica do projeto, em que a Braskem, entrando em contato com clientes potenciais para envio de amostra e comprovação de desempenho em suas unidades de produção.

Um fator facilitador para a incorporação do polietileno verde à indústria é que produto possui o mesmo nível de desempenho do polímero tradicional e não exige investimentos adicionais por parte das indústrias, como adaptação dos equipamentos para seu uso. Pesquisas de mercado identificaram, segundo a empresa, a viabilidade do investimento já que os clientes demonstraram interesse em aceitar a vantagem de renovabilidade, com o selo de produto verde, apesar do custo 15 a 20% superior ao polímero produzido com matéria-prima não renovável.

Atualmente, a Braskem produz 1,8 milhão de toneladas de polietileno de matéria-prima não renovável e esta nova tecnologia irá repercutir na valorização acionária da empresa, líder do mercado petroquímico e de plástico da América Latina. Como afima Grubisich, a Braskem pretende estar entre as dez maiores petroquímicas do mundo em valor de mercado, em 2008.

Outro impacto imediato é nas prateleiras dos supermercados, já que o polietileno é o polímero mais usado no mundo, com a vocação de ser um produto muito próximo do consumo final. De acordo com Grubisich, o polietileno verde abre um potencial enorme de desenvolvimento por ser um dos polímeros mais usados no mercado de embalagens, o que representa um mercado em potencial para as indústrias alimentícia, automobilística, de cosméticos e higiene pessoal.

Essa nova rota tecnológica irá colocar na mão de bilhões de consumidores um produto moderno, que responde as nossas necessidades de transformação de plásticos e do mercado de consumo no ponto final, segundo o presidente da empresa.

`Até agora, o polietileno era usado nos processos baseados em nafta (petróleo) ou em gases naturais, produtos não renováveis. Acho que com esse programa abre uma porta tecnológica e o polietileno verde traz vantagens como: primeiro produto com 100% de matéria-prima renovável, totalidade de carbono renovável, o que mostra que realmente conseguimos um avanço e comprovação do ponto de vista prático`, disse Grubisich.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

22/10/07