Topa forma 1,2 mil pessoas em Itambé

27/05/2008
`Nunca é tarde para aprender e enquanto vida eu tiver, vou seguir aprendendo`. Este era o sentimento do trabalhador rural João Soares, 79 anos, na solenidade de formatura da primeira turma do Topa - Todos pela Alfabetização no município de Itambé, a 560 quilômetros de Salvador.

A emoção e a esperança foram compartilhadas por todos os 1,2 mil alfabetizados na cerimônia que oficializou a conquista do direito de saber ler e escrever, no último dia 21. Até julho, quando se encerra a etapa de 2007 do programa, o Topa estará formando mais de 220 mil baianos com 15 anos ou mais. A meta é alfabetizar 1 milhão de pessoas até 2010.

Assim como João, José, 58 anos, confessou a emoção de poder escrever o próprio nome e assim conquistar maior independência: `Era muito ruim ter que pedir a outras pessoas para ler as coisas para mim. Quando a gente não sabe ler, a gente é um cego`. Com um sorriso, completou: `Agora eu enxergo`.

A felicidade também estava estampada no rosto de dona-de-casa Osvaldina Fernandes. Aos 64 anos, ela cria três netos e, mesmo assim, freqüentou as aulas. `Nem meu nome eu conseguia fazer, mas hoje eu faço`, afirmou.

Histórias como essas se misturaram a de alfabetizadores e coordenadores que abraçaram o Topa e contribuíram com o programa. Para a alfabetizadora Velúsia Dias, o trabalho com idosos exige criatividade. `Você compete com família, filhos, netos e trabalho. É muito mais difícil prender a atenção deles, mas, ao mesmo tempo, é gratificante`, declarou.

A maioria dos alunos do Topa em Itambé são idosos. O programa trabalha com a alfabetização sob a perspectiva de que este é um direito do cidadão que não prescreve com a idade.

Relações sociais favorecidas

O Topa vai além do aprender a escrever o nome. Por meio da alfabetização, as relações sociais são favorecidas. As pessoas se tornam mais seguras, têm a auto-estima elevada no próprio dia-a-dia.

`É incrível ver a alegria delas diante da possibilidade sugerida pelo programa. O sorriso aparece desde o momento do recebimento do material didático à hora da merenda, à escrita da primeira letra`, disse Velúsia. Tudo é pensado de acordo com as demandas. Até a merenda é diferenciada para os alunos com problemas de diabetes e hipertensão.

Fonte: Agecom

26/05/08