Transposição é cara, dizem prefeitos baianos

30/05/2007
A UPB conclamou, na Carta, uma grande mobilização da sociedade A Carta de Salvador sobre a transposição do rio São Francisco foi aprovada por unanimidade no final da tarde de segunda-feira (28), no hotel Fiesta Convention, durante o seminário realizado pela UPB para tratar do assunto. O evento reuniu prefeitos, lideranças municipalistas, secretários municipais, representantes de municípios da Bacia do São Francisco, representantes das entidades estaduais de municípios dos estados de Minas Gerais, Sergipe, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Norte, além de técnicos e especialistas no assunto. O documento será entregue ao governador do Estado da Bahia, Jaques Wagner, aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, no Congresso Nacional.

O presidente da UPB e prefeito de Santo Estevão, Orlando Santiago, avaliou que o seminário satisfez plenamente os objetivos da entidade, que era fomentar um amplo debate sobre um assunto ligado ao municipalismo. A mobilização da sociedade com vistas a um novo projeto para o Nordeste, compatível com o fortalecimento da identidade do Nordestino e que o integre ao grande projeto de desenvolvimento nacional, realista, e de impacto social. Essa foi a proposta apresentada pela Carta de Salvador sobre o Projeto de Integração de Bacias do Nordeste Setentrional. A UPB conclamou, no documento, uma grande mobilização de todas as dimensões sociais para não permitir que um projeto desta natureza acabe por mascarar a estratégia de desenvolvimento regional condenando o Nordeste, o sertão, à inexorável condição de subdesenvolvimento, de pobreza e sofrimento. Eis a carta na íntegra:

`A UPB se sentiu no direito e na obrigação de convocar a todos para fazer a reflexão sobre a proposta do Ministério da Integração Nacional, referente à integração das bacias do nordeste setentrional, neste Seminário Um divisor de águas, realizado em 28 de maio de 2007, em Salvador, Bahia, ao qual não compareceu o ministro da Integração Nacional, convidado para expor o projeto. Convidados especiais palestraram durante todo o evento, expondo argumentos de forma crítica a começar pelo ex-senador Waldeck Ornelas, seguido pela promotora Luciana Khoury, pelo bispo Dom Luiz Cappio, o ex-governador do Estado da Bahia, Paulo Souto, e a ex-senadora Heloísa Helena. Na parte da tarde, a análise técnica do especialista Raimundo Garrido e da professora, Yvonildes de Medeiros, enquanto representante do Comitê da Bacia do São Francisco, e de representantes das entidades estaduais de municípios da Paraíba e de Alagoas, demonstrou a falta de segurança do projeto governamental, a fragilidade dos pontos de sustentação, as inversões de valores, a exemplo da necessidade da importação de água como nos casos dos estados do Ceará e do Rio Grande do Norte.

`Todas essas pessoas comprometidas com o rio São Francisco, seja por obrigação parlamentar, pela pastoral ou pela observância do Ministério Público, apesar da diversidade de suas fontes, convergiram criticamente em demonstrar equívocos em dados técnicos do projeto governamental e fazê-lo aos nossos olhos uma proposta inconsistente e paradoxalmente com aportes generosos de recursos públicos. Um projeto excessivamente caro, com impactos altamente localizados e que nas prioridades nacionais não ocupa o primeiro lugar`.

Mercantilização

`Os consistentes argumentos contrários ao projeto, de variada procedência, mas todos eles convergindo a um mesmo ponto, o da negação dos princípios do projeto governamental, cuja ênfase é a mercantilização da água, levam ao requerimento de uma ampla discussão nacional sobre as prioridades de desenvolvimento e especificamente dos municípios da Bacia do São Francisco. Por tais motivos esta carta é ao mesmo tempo um alerta e uma proposição`.

`Se o rio São Francisco vai ‘bater no meio do mar`, como destino desse rio imenso da integração nacional, de regiões pobres e mal servidas em termos de serviços públicos nas cidades e no território rural, o que se faz para a sua revitalização? O que se fará? Em nome de ‘dar água a quem tem sede` e de levar a água que se desperdiçaria no mar, faz-se um projeto desnecessário que carregará vultuosos recursos sem apresentar resultados compensatórios. Pode-se dizer, a partir dos argumentos apresentados, que pode proporcionar distorções mais graves ainda do que as experimentadas na região. Concentração de terra, de renda e exclusão social das populações difusas, de grupos indígenas e quilombolas`.

`O projeto assusta mais, que anima e pelo poder de ser um grande equívoco, requer mobilização de todas as dimensões sociais para não permitir que um projeto desta natureza acabe por mascarar a estratégia de desenvolvimento regional, condenando o Nordeste, o sertão, a inexorável condição de subdesenvolvimento, de pobreza e sofrimento. Diante do que foi exposto, restar mobilizar a sociedade para fazer um novo projeto para o Nordeste compatível com o fortalecimento da identidade do nordestino e integrar ao grande projeto de desenvolvimento nacional, realista, e de impacto social`.

Fonte: Jornal AGORA

(Itabuna) - Geral

Em 30/05/2007.