Empresas são incentivadas a fazer reflorestamento

06/06/2007
As empresas baianas que possuem índices de emissão de gás carbônico (CO2) na atmosfera, que contribuem para o aumento do efeito estufa e do aquecimento global, poderão compensar os efeitos negativos dessas mudanças climáticas a partir de agora. Através de adesão a ações de reflorestamento que visam a captura de carbono, elas passarão a ser consideradas empresas ecologicamente corretas e serão certificadas com o selo Carbono Zero.

A certificação é uma ação do Programa Floresta Bahia Global, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), lançado ontem pelo governador Jaques Wagner, na Base Aérea de Salvador, durante as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente. A iniciativa será coordenada pela Superintendência de Biodiversidade, Florestas e Unidades de Conservação (SFC) da Semarh, com o objetivo de promover a `descarbonização` das atividades humanas no estado.

O lançamento do programa foi marcado com a colagem do selo Carbono Zero em uma das aeronaves oficiais do governador, a Xingu, como compromisso de neutralização das emissões de CO2 durante as viagens de Wagner até 2010. Para isso, o governo se comprometeu a plantar 29 mil mudas de árvores no parque da Serra do Conduru, localizado entre as cidades de Ilhéus e Itacaré. O número de mudas foi calculado pela SFC, com base na projeção da quilometragem percorrida pelas três aeronaves oficiais no primeiro quadrimestre deste ano. O estudo aponta que, até o final da gestão, os aviões emitirão 1.440 toneladas de CO2. `Esperamos que essa postura sirva de estímulo para outros segmentos`, reforçou o governador.

O cálculo da emissão de CO2 das empresas é feito com base na produção. As empresas devem comprar créditos de carbono na Bolsa de Valores que serão revertidos no reflorestamento de áreas devastadas da Bahia. Essa regiões serão escolhidas através de edital de projetos elaborados por ONGs, instituições e universidades.

`A adesão ao programa é voluntária e é uma iniciativa muito importante para as empresas. Além de contribuir com o reflorestamento, ela terá o reconhecimento da sociedade do seu compromisso com as questões ambientais`, argumentou o superintendente de Biodiversidade e Unidades de Conservação, Marcos Ferreira. Segundo ele, cada crédito de carbono equivale à captura de uma tonelada de carbono e custa no mercado internacional entre US$5 e US$10. Os valores dos créditos ainda não foram definidos para a Bahia.

O superintendente salienta que o programa é baseado nas regras do Protocolo de Kyoto - acordo assinado em 1997 por representantes de mais de 160 países durante a Terceira Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, com o objetivo de firmar compromissos de reduzir a concentração de gases estufas na atmosfera. O programa segue a metodologia de referência, para adoção de mecanismos de desenvolvimento limpo (MDL), único que integra os países em desenvolvimento ao mercado de carbono.

Fonte: Jornal Correio da Bahia

Repórter: Cilene Brito

06/05/07