20/03/2008
Apesar de ninguém negar que a falta de água potável e de coleta de esgoto acarrete doenças, há poucas evidências que relacionem o incremento do serviço de saneamento básico com a melhoria da saúde. Um dos primeiros estudos a mostrar exatamente esse impacto foi divulgado no ano passado, após levantamento conduzido em Salvador.
Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres avaliaram os efeitos que o aumento do serviço de saneamento na cidade teve na mortalidade de crianças por diarréia. Em sete anos, o acesso à rede de esgoto passou de 26% para 80% dos domicílios da capital. No período, a taxa média de mortalidade de crianças com menos de 3 anos caiu 22%.
Os resultados, publicados em novembro na revista médica britânica Lancet, mostraram ainda que, nas áreas onde a prevalência da doença era maior, como regiões mais pobres e com cobertura sanitária menor, a melhoria do saneamento provocou uma queda de 43% no número de mortes por diarréia.
MUDANÇA RÁPIDA
O rápido crescimento ocorreu depois que Salvador recebeu um investimento de US$ 220 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento para expandir o atendimento. O prazo curto de sete anos para a apresentação de resultados empolgou os pesquisadores, que viram nisso uma oportunidade para medir impactos específicos dessa intervenção na saúde.
A avaliação foi feita em duas etapas - antes de o projeto Bahia Azul começar, em 1997, e depois que ele foi concluído. Em cada parte do estudo as crianças participantes (814 no primeiro momento e 1.007 no segundo) foram observadas por um período de até oito meses.
O objetivo dos pesquisadores, liderados por Maurício Barreto, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, era não só checar as estatísticas médicas, mas isolar os efeitos do saneamento dos de outros potenciais fatores de risco para a diarréia. `Só assim poderíamos medir o efeito da melhoria do saneamento`, afirma o pesquisador. `Vários projetos já mostraram que, como um todo, água limpa, higiene básica e um sistema adequado de esgoto melhoravam a saúde da comunidade, mas nenhum havia mensurado os impactos do saneamento.`
Apesar de outras moléstias relacionadas à água não terem sido abordadas no trabalho, o pesquisador afirma que também observou uma redução significativa de doenças provocadas por parasitas intestinais.
O feito da equipe foi destacado pela Lancet e pela revista americana Science. A primeira considerou o trabalho um dos 12 melhores de 2007 - a revista britânica relaciona em sua última edição do ano os estudos publicados que mais contribuíram para a pesquisa clínica.
No Brasil, o impacto da falta de saneamento na saúde da população ainda é pouco conhecido. O Ministério da Saúde não calcula, por exemplo, o número geral de mortes por doenças relacionadas ao problema, mas afirma que a diarréia está entre as principais causas de morte de crianças de até 5 anos.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo
Repórter: Giovana Girardi 20/03/2008
Pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres avaliaram os efeitos que o aumento do serviço de saneamento na cidade teve na mortalidade de crianças por diarréia. Em sete anos, o acesso à rede de esgoto passou de 26% para 80% dos domicílios da capital. No período, a taxa média de mortalidade de crianças com menos de 3 anos caiu 22%.
Os resultados, publicados em novembro na revista médica britânica Lancet, mostraram ainda que, nas áreas onde a prevalência da doença era maior, como regiões mais pobres e com cobertura sanitária menor, a melhoria do saneamento provocou uma queda de 43% no número de mortes por diarréia.
MUDANÇA RÁPIDA
O rápido crescimento ocorreu depois que Salvador recebeu um investimento de US$ 220 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento para expandir o atendimento. O prazo curto de sete anos para a apresentação de resultados empolgou os pesquisadores, que viram nisso uma oportunidade para medir impactos específicos dessa intervenção na saúde.
A avaliação foi feita em duas etapas - antes de o projeto Bahia Azul começar, em 1997, e depois que ele foi concluído. Em cada parte do estudo as crianças participantes (814 no primeiro momento e 1.007 no segundo) foram observadas por um período de até oito meses.
O objetivo dos pesquisadores, liderados por Maurício Barreto, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, era não só checar as estatísticas médicas, mas isolar os efeitos do saneamento dos de outros potenciais fatores de risco para a diarréia. `Só assim poderíamos medir o efeito da melhoria do saneamento`, afirma o pesquisador. `Vários projetos já mostraram que, como um todo, água limpa, higiene básica e um sistema adequado de esgoto melhoravam a saúde da comunidade, mas nenhum havia mensurado os impactos do saneamento.`
Apesar de outras moléstias relacionadas à água não terem sido abordadas no trabalho, o pesquisador afirma que também observou uma redução significativa de doenças provocadas por parasitas intestinais.
O feito da equipe foi destacado pela Lancet e pela revista americana Science. A primeira considerou o trabalho um dos 12 melhores de 2007 - a revista britânica relaciona em sua última edição do ano os estudos publicados que mais contribuíram para a pesquisa clínica.
No Brasil, o impacto da falta de saneamento na saúde da população ainda é pouco conhecido. O Ministério da Saúde não calcula, por exemplo, o número geral de mortes por doenças relacionadas ao problema, mas afirma que a diarréia está entre as principais causas de morte de crianças de até 5 anos.
Fonte: Jornal Estado de São Paulo
Repórter: Giovana Girardi 20/03/2008