11/08/2008
Em março deste ano, quando protocolou na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o pedido para realizar uma oferta de ações em bolsa, a construtora sergipana Norcon pretendia captar recursos para expandir suas operações. Eis que em abril, diante das intempéries no mercado financeiro, o projeto foi abortado. Apesar disso, os planos de crescimento permanecem. Hoje com atividades em Sergipe, Bahia e Alagoas, a Norcon quer alcançar até 2009 todos os Estados nordestinos, além do Pará.
Entretanto, sem poder contar com o dinheiro de investidores, a Norcon seguirá por um caminho diferente. Com os recursos que viriam da venda dos papéis, a construtora pagaria dívidas, compraria terrenos e obteria capital para tocar as operações. Agora, sem isso, a expansão se dará pela tomadas de empréstimos e por parcerias com outras construtoras.
`A Norcon estocou um volume de terrenos suficiente para garantir seu crescimento em 2008 e 2009. A dúvida surge a partir de 2010`, diz o diretor-superintendente Cristiano Teixeira. A empresa possui 18,5 milhões de m ², nos quais podem ser erguidas 15.889 unidades, com vendas de R$ 15,9 bilhões. Neste ano, prevê-se lançar R$ 800 milhões em imóveis ante R$ 316 milhões colocados no mercado em 2007.
Para colocar esse projeto em marcha, ela precisará aumentar o endividamento, que já se encontra em um patamar elevado. No fim do primeiro trimestre, os empréstimos com vencimento em um ano somavam R$ 66,5 milhões para um caixa de R$ 4,9 milhões. As despesas com o pagamento dessas dívidas acabaram levando a empresa, que faturou R$ 37,8 milhões nos três primeiros meses do ano, a registrar um prejuízo de R$ 3,5 milhões. `Estamos em um período de alavancagem, mas isso faz parte da estratégia de crescimento`, explica o diretor financeiro Bruno Teixeira. Na região Nordeste, a Norcon já é a maior construtora em termos de metragem lançada.
Em outra ponta, a empresa quer fechar parcerias com construtores nas novas regiões onde for entrar. Dessa forma, poupará dinheiro com a criação de estruturas operacionais e não terá desembolsos para pagar os serviços. Essa mesma estratégia também poderá ser usada na aquisição de terrenos.
A aposta da Norcon é nos imóveis voltados para a população de baixa renda. `Enquanto as demais construtoras estão ainda aprendendo a lidar com esse segmento, a Norcon já está nele há mais de 20 anos porque ele atende ao perfil do nordestino`, afirma Tarcísio Teixeira, que ao lado do irmão Luiz controla a construtora. Imóveis mais luxuosos também feitos, porém em menor escala. O preço médio do apartamento lançado pela Norcon em 2007 ficou R$ 149 mil.
Para baratear o preço dos apartamentos, a Norcon usa um sistema de estruturas pré-fabricadas. Em uma espécie de `fábrica de casas` em Aracaju, são produzidas em escala industrial paredes com janelas, lajes e até escadas. Com isso, segundo a companhia, um prédio sai cerca de 14% mais barato. Além disso, o tempo de construção cai pela metade, para sete meses.
Agora, a empresa volta seus esforços para entrar no segmento supereconômico com a subsidiária FelizCidade. Serão apartamentos de R$ 48 mil a R$ 60 mil, com áreas entre 42 m²e 57 m².
Com uma ajuda do pai, que sonhava ter filhos empresários, o engenheiro Luiz e o economista Tarcísio adquiriram a então empreiteira Norcon em 1968. Aos poucos foram mudando o perfil da companhia que hoje só se dedica ao ramo imobiliário e continua sob controle familiar. Além dos sócios, dois filhos deles trabalham na companhia: Cristiano, diretor-superintendente, e Caroline, diretora comercial. O diretor financeiro, Bruno, por uma coincidência é Teixeira, mas não é da família.
Em Aracaju, os Teixeira são conhecidos por terem construído bairros inteiros. Um deles é a Norcolândia. Em um outro, o Jardins, existem 35 prédios, com 2.629 unidades, erguidos pela Norcon desde 1996. A estratégia da empresa foi comprar terras em uma região onde ninguém apostava. Para atrair a população, a Norcon cuidou de criar a infra-estrutura necessária. Abriu ruas no novo bairro por conta própria e trocou com a prefeitura pelo pagamento futuro do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Também negociou com varejistas a instalação de lojas em seus terrenos.
Essa artimanha será mantida pela companhia nas praças onde ingressa agora. Em Pernambuco, a Norcon comprou uma área de 1,8 milhão de m²em Abreu e Lima, cidade da região metropolitana do Recife, onde serão erguidas 2.700 unidades.
É com esse modelo que a Norcon mantém os planos de ainda captar recursos via oferta de ações em bolsa nos próximos anos. Na semana passada, para comemorar os 50 anos de existência da companhia, a família Teixeira organizou em Aracaju uma festa regada ao som da cantora Ivete Sangalo, que cantou para 2.000 convidados. Entre eles estavam, por exemplo, representantes de potenciais investidores estrangeiros. `Para se eternizar, o caminho é abrir o capital`, diz Luiz.
Repórter: Carolina Mandl
Fonte: Valor Econômico
11/8/2008.
Entretanto, sem poder contar com o dinheiro de investidores, a Norcon seguirá por um caminho diferente. Com os recursos que viriam da venda dos papéis, a construtora pagaria dívidas, compraria terrenos e obteria capital para tocar as operações. Agora, sem isso, a expansão se dará pela tomadas de empréstimos e por parcerias com outras construtoras.
`A Norcon estocou um volume de terrenos suficiente para garantir seu crescimento em 2008 e 2009. A dúvida surge a partir de 2010`, diz o diretor-superintendente Cristiano Teixeira. A empresa possui 18,5 milhões de m ², nos quais podem ser erguidas 15.889 unidades, com vendas de R$ 15,9 bilhões. Neste ano, prevê-se lançar R$ 800 milhões em imóveis ante R$ 316 milhões colocados no mercado em 2007.
Para colocar esse projeto em marcha, ela precisará aumentar o endividamento, que já se encontra em um patamar elevado. No fim do primeiro trimestre, os empréstimos com vencimento em um ano somavam R$ 66,5 milhões para um caixa de R$ 4,9 milhões. As despesas com o pagamento dessas dívidas acabaram levando a empresa, que faturou R$ 37,8 milhões nos três primeiros meses do ano, a registrar um prejuízo de R$ 3,5 milhões. `Estamos em um período de alavancagem, mas isso faz parte da estratégia de crescimento`, explica o diretor financeiro Bruno Teixeira. Na região Nordeste, a Norcon já é a maior construtora em termos de metragem lançada.
Em outra ponta, a empresa quer fechar parcerias com construtores nas novas regiões onde for entrar. Dessa forma, poupará dinheiro com a criação de estruturas operacionais e não terá desembolsos para pagar os serviços. Essa mesma estratégia também poderá ser usada na aquisição de terrenos.
A aposta da Norcon é nos imóveis voltados para a população de baixa renda. `Enquanto as demais construtoras estão ainda aprendendo a lidar com esse segmento, a Norcon já está nele há mais de 20 anos porque ele atende ao perfil do nordestino`, afirma Tarcísio Teixeira, que ao lado do irmão Luiz controla a construtora. Imóveis mais luxuosos também feitos, porém em menor escala. O preço médio do apartamento lançado pela Norcon em 2007 ficou R$ 149 mil.
Para baratear o preço dos apartamentos, a Norcon usa um sistema de estruturas pré-fabricadas. Em uma espécie de `fábrica de casas` em Aracaju, são produzidas em escala industrial paredes com janelas, lajes e até escadas. Com isso, segundo a companhia, um prédio sai cerca de 14% mais barato. Além disso, o tempo de construção cai pela metade, para sete meses.
Agora, a empresa volta seus esforços para entrar no segmento supereconômico com a subsidiária FelizCidade. Serão apartamentos de R$ 48 mil a R$ 60 mil, com áreas entre 42 m²e 57 m².
Com uma ajuda do pai, que sonhava ter filhos empresários, o engenheiro Luiz e o economista Tarcísio adquiriram a então empreiteira Norcon em 1968. Aos poucos foram mudando o perfil da companhia que hoje só se dedica ao ramo imobiliário e continua sob controle familiar. Além dos sócios, dois filhos deles trabalham na companhia: Cristiano, diretor-superintendente, e Caroline, diretora comercial. O diretor financeiro, Bruno, por uma coincidência é Teixeira, mas não é da família.
Em Aracaju, os Teixeira são conhecidos por terem construído bairros inteiros. Um deles é a Norcolândia. Em um outro, o Jardins, existem 35 prédios, com 2.629 unidades, erguidos pela Norcon desde 1996. A estratégia da empresa foi comprar terras em uma região onde ninguém apostava. Para atrair a população, a Norcon cuidou de criar a infra-estrutura necessária. Abriu ruas no novo bairro por conta própria e trocou com a prefeitura pelo pagamento futuro do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Também negociou com varejistas a instalação de lojas em seus terrenos.
Essa artimanha será mantida pela companhia nas praças onde ingressa agora. Em Pernambuco, a Norcon comprou uma área de 1,8 milhão de m²em Abreu e Lima, cidade da região metropolitana do Recife, onde serão erguidas 2.700 unidades.
É com esse modelo que a Norcon mantém os planos de ainda captar recursos via oferta de ações em bolsa nos próximos anos. Na semana passada, para comemorar os 50 anos de existência da companhia, a família Teixeira organizou em Aracaju uma festa regada ao som da cantora Ivete Sangalo, que cantou para 2.000 convidados. Entre eles estavam, por exemplo, representantes de potenciais investidores estrangeiros. `Para se eternizar, o caminho é abrir o capital`, diz Luiz.
Repórter: Carolina Mandl
Fonte: Valor Econômico
11/8/2008.