23/12/2008
Quem for ao litoral do Nordeste neste ano muito provavelmente nem se dará conta de que se está em meio a uma crise econômica. A depender das reservas feitas até o momento nos hotéis e resorts da costa nordestina, não é neste verão que os problemas baterão à porta do turismo brasileiro.
Com o dólar mais caro, as férias no exterior já não cabem em muitos bolsos, o que tem feito mais brasileiros analisarem os destinos da região Nordeste para viajar. A Resorts Brasil, que representa 48 empreendimentos, sendo boa parte deles nordestinos, acredita que a alta temporada 2008/2009 será a melhor em muitos anos, só comparável ao verão de 2005. O Ministério do Turismo estima que neste verão os Estados nordestinos receberão cerca de 10% mais turistas em relação ao verão passado.
Mas há quem já esteja comemorando números maiores do que esse. A operadora de viagens CVC, por exemplo, registra um aumento de 30% no fluxo de turistas para o Nordeste. Os destinos mais procurados são Porto Seguro, Natal, Fortaleza, Maceió e Recife (Porto de Galinhas). Em Salvador, segundo dados da Secretaria de Turismo da Bahia, a ocupação dos hotéis na virada do ano deve ficar em 90%, cerca de 15 pontos percentuais acima do Réveillon passado.
Não são, porém, apenas as pessoas que queriam viajar ao exterior que estão indo ao Nordeste. As notícias ruins no campo econômico só chegaram nos últimos meses do ano, por isso as pessoas mantiveram seus planos de férias. `A viagem é um prêmio para a família que trabalhou o ano inteiro`, diz Sérgio Paraíso, gerente de vendas do grupo Pontes, que tem os hotéis Atlante, MarHotel e Summerville em Pernambuco. A rede registra reservas confirmadas para janeiro 10% maiores ante janeiro de 2008.
A Vila Galé, de origem portuguesa, vem sentindo desde o início deste ano o fluxo de turistas estrangeiros cair, como um reflexo da crise econômica mundial. A maior procura dos brasileiros pelos hotéis na Bahia e no Ceará, porém, tem mais do que compensado a ausência deste público. Cerca de 10% mais quartos ficarão ocupados neste verão em relação ao anterior.
O complexo baiano Costa do Sauípe, com cinco hotéis e seis pousadas, já tem 90% dos quartos vendidos em janeiro e mais de 75%, em fevereiro. As taxas são 25% maiores do que nos mesmos meses de 2008. `Estamos deitando e rolando`, diz Alexandre Zubaran, seu presidente. Segundo ele, o segmento de eventos cresceu muito ao longo do ano e, a partir de setembro, com a alta do dólar, foi o turismo de lazer que se fortaleceu.
A baixa temporada do ano que vem já não assusta como nos anos anteriores, segundo Zubaran: a ocupação para março já está em 58% e abril, que terá dois feriados prolongados, promete boa procura por viagens a lazer.
Mas há quem tenha expectativas menos otimistas para 2009. `Trabalhamos com muitas empresas e sabemos que muitos eventos serão cortados para conter gastos`, diz Bruna Farias, da Vila Galé. Mesmo assim, o grupo português mantém o investimento em um novo hotel na praia de Cumbuco (Ceará). O lançamento será feito em outubro de 2009.
A espanhola Iberostar, por outro lado, acredita que pode haver um redirecionamento de eventos que estavam sendo feitos no exterior, a um câmbio baixo, para o Brasil. Para o verão, a rede que tem dois hotéis na Bahia e ergue o terceiro, a previsão é de uma ocupação 4% maior ante a última temporada. Um novo empreendimento residencial, com 84 casas, também será lançado em 2009, apesar de as vendas imobiliárias estarem em queda no país. `Tem gente que crê que terra é terra, que é melhor investimento porque ninguém leva`, diz Orlando Giglio, diretor comercial da Iberostar.
Com um novo hotel inaugurado em julho, o complexo Beach Park, no Ceará, estima que o número de turistas será 40% maior nesta temporada, mesmo com um acréscimo de 10% nas tarifas em relação a 2007. `Parece que a crise ainda está centralizada em alguns segmentos da economia. E, se o produto interno bruto crescer pelo menos 2%, acho que o turismo não sentirá impactos`, avalia Murilo Pascoal, diretor-geral do Beach Park.
Autor(es): Carolina Mandl
(Colaborou Roberta Campassi, de São Paulo)
Valor Econômico
- 23/12/2008.
Com o dólar mais caro, as férias no exterior já não cabem em muitos bolsos, o que tem feito mais brasileiros analisarem os destinos da região Nordeste para viajar. A Resorts Brasil, que representa 48 empreendimentos, sendo boa parte deles nordestinos, acredita que a alta temporada 2008/2009 será a melhor em muitos anos, só comparável ao verão de 2005. O Ministério do Turismo estima que neste verão os Estados nordestinos receberão cerca de 10% mais turistas em relação ao verão passado.
Mas há quem já esteja comemorando números maiores do que esse. A operadora de viagens CVC, por exemplo, registra um aumento de 30% no fluxo de turistas para o Nordeste. Os destinos mais procurados são Porto Seguro, Natal, Fortaleza, Maceió e Recife (Porto de Galinhas). Em Salvador, segundo dados da Secretaria de Turismo da Bahia, a ocupação dos hotéis na virada do ano deve ficar em 90%, cerca de 15 pontos percentuais acima do Réveillon passado.
Não são, porém, apenas as pessoas que queriam viajar ao exterior que estão indo ao Nordeste. As notícias ruins no campo econômico só chegaram nos últimos meses do ano, por isso as pessoas mantiveram seus planos de férias. `A viagem é um prêmio para a família que trabalhou o ano inteiro`, diz Sérgio Paraíso, gerente de vendas do grupo Pontes, que tem os hotéis Atlante, MarHotel e Summerville em Pernambuco. A rede registra reservas confirmadas para janeiro 10% maiores ante janeiro de 2008.
A Vila Galé, de origem portuguesa, vem sentindo desde o início deste ano o fluxo de turistas estrangeiros cair, como um reflexo da crise econômica mundial. A maior procura dos brasileiros pelos hotéis na Bahia e no Ceará, porém, tem mais do que compensado a ausência deste público. Cerca de 10% mais quartos ficarão ocupados neste verão em relação ao anterior.
O complexo baiano Costa do Sauípe, com cinco hotéis e seis pousadas, já tem 90% dos quartos vendidos em janeiro e mais de 75%, em fevereiro. As taxas são 25% maiores do que nos mesmos meses de 2008. `Estamos deitando e rolando`, diz Alexandre Zubaran, seu presidente. Segundo ele, o segmento de eventos cresceu muito ao longo do ano e, a partir de setembro, com a alta do dólar, foi o turismo de lazer que se fortaleceu.
A baixa temporada do ano que vem já não assusta como nos anos anteriores, segundo Zubaran: a ocupação para março já está em 58% e abril, que terá dois feriados prolongados, promete boa procura por viagens a lazer.
Mas há quem tenha expectativas menos otimistas para 2009. `Trabalhamos com muitas empresas e sabemos que muitos eventos serão cortados para conter gastos`, diz Bruna Farias, da Vila Galé. Mesmo assim, o grupo português mantém o investimento em um novo hotel na praia de Cumbuco (Ceará). O lançamento será feito em outubro de 2009.
A espanhola Iberostar, por outro lado, acredita que pode haver um redirecionamento de eventos que estavam sendo feitos no exterior, a um câmbio baixo, para o Brasil. Para o verão, a rede que tem dois hotéis na Bahia e ergue o terceiro, a previsão é de uma ocupação 4% maior ante a última temporada. Um novo empreendimento residencial, com 84 casas, também será lançado em 2009, apesar de as vendas imobiliárias estarem em queda no país. `Tem gente que crê que terra é terra, que é melhor investimento porque ninguém leva`, diz Orlando Giglio, diretor comercial da Iberostar.
Com um novo hotel inaugurado em julho, o complexo Beach Park, no Ceará, estima que o número de turistas será 40% maior nesta temporada, mesmo com um acréscimo de 10% nas tarifas em relação a 2007. `Parece que a crise ainda está centralizada em alguns segmentos da economia. E, se o produto interno bruto crescer pelo menos 2%, acho que o turismo não sentirá impactos`, avalia Murilo Pascoal, diretor-geral do Beach Park.
Autor(es): Carolina Mandl
(Colaborou Roberta Campassi, de São Paulo)
Valor Econômico
- 23/12/2008.