Banco Mundial vê medidas protecionistas no Brasil

18/03/2009
A maior parte dos países do G20 (grupo que reúne ricos e emergentes), entre eles o Brasil, adotou medidas protecionistas desde novembro do ano passado, quando prometeram não recorrer a ações para dificultar o comércio com as outras nações, de acordo com estudo do Banco Mundial.

No caso brasileiro, ele aponta a adoção ou a intenção de usar duas medidas protecionistas pelo governo. A primeira foi a redução do IPI na venda de veículos. E a segunda, a decisão em janeiro (logo abandonada) de exigir licença prévia de importação para cerca de 3.000 itens.

Na semana passada, às vésperas do encontro com o americano Barack Obama, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o protecionismo é `um desastre para a economia mundial` no médio prazo: `Não é possível que o mundo rico, que passou meio século dizendo que era preciso ter livre comércio, criou a globalização, derrubou o Muro de Berlim e, agora, no primeiro calo que começa a doer, ache que tem que voltar o protecionismo`.

Para o presidente do Banco Mundial, o americano Robert Zoellick, `os líderes não devem dar atenção ao som da sirene dos consertos protecionistas, seja pelo comércio, seja pelos pacotes de estímulo, seja pelos resgates`. Ele disse ainda que `o isolacionismo econômico pode levar a uma espiral de eventos negativos como aqueles que nós vimos na década de 1930 e que fizeram uma situação ruim muito, muito pior`. O Banco Mundial diz que, desde novembro do ano passado, vários países, como 17 membros do G20, adotaram 47 medidas `que restringiram o comércio à custa de outras nações`. A entidade, porém, ressalta que o impacto dessas ações no total do mercado é relativamente pequeno, apesar de elas terem um `efeito negativo significativo` nos exportadores diretamente afetados.

Em novembro, o G20 concordou em suspender, por um prazo mínimo de 12 meses, a adoção de qualquer nova barreira comercial como forma de estimular as transações.

Folha de S. Paulo - 18/03/2009.