País diz que lançará satélite Brasil-China em 2012

23/08/2011
O Brasil assumiu ontem o compromisso de lançar em novembro de 2012 a nova versão do satélite que desenvolve em conjunto com a China e um atraso poderá `implodir` o relacionamento com o país asiático, afirmou o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp.

`Temos de cumprir nosso cronograma porque estamos cinco anos atrasados`, declarou Raupp, depois de reunião, em Pequim, do grupo bilateral responsável pela cooperação espacial.

Iniciado em 1988, o programa é o mais sólido pilar da relação Brasil-China e levou ao lançamento de três Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres, chamados de Cbers (sigla em inglês) e numerados como 1, 2 e 2-B. O quarto, o Cbers-3, deveria ter entrado em órbita em 2007, mas o Brasil não cumpriu os prazos de entrega de equipamentos previstos no acordo.

Ontem, os brasileiros ouviram dos chineses cobranças para definição de um cronograma detalhado que permita o lançamento do Cbers-3 em novembro de 2012 e do Cbers-4 em 2013.

Segundo o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Gilberto Câmara, uma das razões para o atraso é a dificuldade da indústria nacional em desenvolver e produzir os equipamentos que deverão ser entregues pelo Brasil. Nos três primeiros satélites, a China era responsável por 70% dos componentes. Agora, a divisão é de 50% para cada país. `Aumentou a complexidade e a parcela que cabe ao Brasil`, disse.

Agora, o principal desafio é de pessoal. A montagem do satélite começará em novembro e exigirá a contratação pelo Inpe de 60 funcionários para trabalharem na China pelo período de um ano, em esquema de rodízio.

Na semana passada, Câmara anunciou que deixará o cargo em dezembro, dois anos antes do término de seu mandato. `Estou frustrado porque o Inpe não recebeu do Ministério os recursos humanos necessários para renovar sua equipe`, disse.

Segundo ele, um eventual novo atraso no cronograma colocará em xeque não só o programa, mas a capacidade do País de cumprir acordos internacionais.

Integrante da missão que negociou o acordo de satélites com os chineses há 25 anos, Raupp afirmou que é `incomparável` a velocidade de desenvolvimento dos programas espaciais. `A China lançará 19 satélites até 2015 e o Brasil, 3`, exemplificou, citando números que incluem os dois satélites conjuntos previstos.

Cooperação. Apesar do atraso, Brasil e China ampliaram a cooperação na área espacial, com o uso da base de Alcântara, no Maranhão, para o monitoramento da nave chinesa Shenzhou-8 quando ela passar sobre a região, em outubro. Os dois países pretendem ainda elaborar um plano espacial para dez anos e identificar projetos de cooperação no setor. Se depender do Brasil, o programa incluirá o lançamento de mais três satélites até 2020.

Autor(es): Cláudia Trevisan.

O Estado de S. Paulo - 23/08/2011.