Gerdau alerta para energia cara e sugere menos imposto

04/07/2007
BRASÍLIA - O presidente do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, alertou nesta quarta-feira, 4, para os riscos de perda de competitividade causados pelo aumento do preço da energia paga pela indústria.

Em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara para debater expectativas frente aos custos da energia, o empresário apresentou dados da Associação Brasileira dos Consumidores de Energia que mostram que, de 2001 a 2006, a tarifa cobrada das indústrias subiu de R$ 82 por megawatt-hora (MWh) para R$ 206 por MWh.

`O custo da energia é um dos principais fatores de competitividade de setores industriais eletrointensivos, como a indústria de alumínio ou a siderúrgica`, afirmou Gerdau.

O empresário apresentou algumas sugestões para reverter esse quadro de aumento dos preços, entre elas a redução dos encargos cobrados na tarifa de energia e a solução dos problemas que impedem a expansão da geração de energia hidrelétrica, que é mais barata do que a termelétrica.

Licenciamento

Gerdau defendeu a criação de reservas para áreas com potencial para aproveitamento hidrelétrico - proposta já defendida pelo governo - e a agilização dos processos de licenciamento ambiental. Segundo o empresário nos últimos dez anos o tempo médio para a emissão de uma licença prévia para investimentos de geração foi de 1.200 dias (cerca de três anos), enquanto o prazo legal seria de um ano.

Além disso, de acordo com Gerdau, nos últimos quatro anos foram concedidas apenas 10 licenças ambientais. Ele ressaltou que esses empecilhos acabam causando um aumento da geração termelétrica, que é mais cara. `E isso porque temos a dádiva de ter um grande potencial hidrelétrico`, afirmou.

Gerdau defendeu a decisão do governo de retomar a construção da usina nuclear de Angra 3, mas fez uma alerta com relação ao custo da usina. `O Brasil tem de investir e concluir Angra 3, mas é preciso fazer uma super gestão para o orçamento ficar dentro do planejado

Inflação

Gerdau disse acreditar que a inflação do País tem condições de ficar em 4% em 2009, portanto, abaixo da meta oficial do governo, que é de 4,5%. Ele deu a declaração em resposta à uma pergunta sobre a polêmica gerada pelo fato de o Conselho Monetário Nacional ter fixado a meta de 4,5% para 2009, mas o Banco Central ter sinalizado que vai mirar os 4% de inflação.

`E a queda dos juros tem que ser um processo progressivo, como tem sido feito, respeitando o mercado e observando a evolução`, afirmou. O empresário disse ainda acreditar que, no segundo semestre deste ano, a economia brasileira deve crescer num ritmo entre 4% e 5%.

Fonte: Jornal Estado de S. Paulo

Leonardo Goy, da Agência Estado

Em 04/07/2007.