R$ 298 milhões para habitação

13/07/2007
Cansados das promessas não cumpridas por governos anteriores, comunidades de oito áreas na periferia de Salvador tiveram as esperanças renovadas com o anúncio de que receberão obras, equivalentes a investimentos de R$ 298 milhões. O anúncio foi feito, ontem, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita a Salvador, e as obras integram o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na área de habitação, urbanização e saneamento básico.

Dos R$ 1.369.106.940 destinados pelo PAC à Bahia, divididos por 20 municípios, a maior parte vai para o setor de saneamento, que terá R$ 830.556.366,80, ficando o setor de urbanização e habitação com R$ 538.550.573,10, dos quais R$ 298.321.937,00 virão para oito comunidades, em sua maioria, da periferia de Salvador.

Conforme explicou a presidente da Conder (Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia), Maria Del Carmen, as obras serão voltadas para a requalificação de moradias, infra-estrutura e urbanização. `De uma forma indireta, essas obras se revestirão de melhorias habitacionais, pois essas comunidades passarão a contar com infra-estrutura urbana que não tinham`, disse.

Das oito comunidades que serão contempladas pelos recursos do PAC, duas delas - São Marcos e Nova Constituinte - são consideradas as mais degradadas pela Secretaria Municipal de Habitação. Segundo a secretária Ângela Maria Gordilho, nas duas comunidades, a prefeitura vai implantar os dois primeiros projetos piloto de habitação em Salvador, beneficiando duas mil em São Marcos (Baixa Fria e Baixa de Santa Rita) e 500 famílias em Nova Constituinte.

EXPECTATIVA - Na comunidade de Nova Constituinte, entre os bairros de Periperi e Alto de Coutos, no subúrbio ferroviário de Salvador, os moradores estão descrentes, apesar do anúncio de que o local será beneficiado com obras no valor de R$ 42 milhões.

Segundo a dona-de-casa Sônia Dias de Jesus, 45 anos, `aqui nem mais a esperança chega`. Ela faz alusão à Rua Esperança de Periperi, que consta como asfaltada na Prefeitura do Salvador, mas jamais recebeu obras. Outro morador, João Alberto Vieira da Silva, 39 anos, lembra que a última obra foi feita por um candidato a vereador, que fez um recapeamento improvisado na rua principal do bairro.

OBRAS PARADAS - No bairro de São Marcos, as comunidades da Baixa Fria e Baixa de Santa Rita aguardam há mais de quatro anos a realização de obras. Agora, com o anúncio de que terão R$ 35 milhões, a situação tende a mudar, explica o representante da União Nacional por Moradia Popular, Sérgio Bucão.

Em Nova Constituinte, a última obra de urbanização e saneamento foi feita na gestão da ex-prefeita Lídice da Mata (1992 a 1995), com a abertura de um trecho do Canal do Paraguari. O bairro surgiu como uma invasão de ex-moradores de áreas de riscos de desabamento nas regiões de Pau da Lima e São Marcos, em 1986.

Já na comunidade de Jardim das Mangabeiras, em Cajazeiras VIII, a promessa de obras no valor de R$ 39 milhões não consegue esconder a desconfiança dos próprios moradores. É que em fevereiro do ano passado, o governo do Estado, por meio da Conder, anunciou obras no valor de R$ 3 milhões para melhorias urbanísticas no local. `As obras começaram em fevereiro e pararam em outubro`, disse a líder comunitária da ONG Visão Mundial, Sônia Souza Ferreira.

Fonte: Jornal A Tarde Repórter: Adilson Fonseca