Bahiagás assina primeiro contrato no país

02/08/2007
A Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), empresa de economia mista controlada pelo Governo do Estado da Bahia por meio da Secretaria de Infra-estrutura, assinou, o primeiro contrato de gás natural de campo maduro no Brasil. A distribuidora vai firmar, com o consórcio ERG Petróleo e Gás, acordo de fornecimento de até 35 mil metros cúbicos por dia de gás proveniente do campo de Morro do Barro, localizado na Ilha de Itaparica, no município de Vera Cruz.

É a primeira vez que o GN produzido em um campo com acumulações marginais será comercializado no país. O contrato com a Bahiagás, de valor estimado em R$ 58 milhões, será válido por 10 anos e o primeiro fornecimento deverá ocorrer em até 90 dias da assinatura do contrato. No primeiro ano, o volume fornecido será de cerca de 7 milhões de metros cúbicos, ultrapassando 10 milhões de metros cúbicos a partir do segundo ano.

O projeto da Bahiagás é distribuir o gás proveniente deste campo por meio de distribuidores de GNC (Gás Natural Comprimido), modal conhecido como gasoduto virtual (carretas feixe) que atende basicamente o segmento automotivo (postos de combustíveis que comercializam Gás Natural Veicular). Pelo acordo, a companhia se encarrega da medição, odorização do gás e do carregamento das carretas.

Com o investimento, a empresa atinge metas importantes para seu crescimento e para o desenvolvimento da Bahia, por possibilitar o atendimento a mercados sem infra-estrutura implantada (rede de gasodutos), ampliando a oferta de gás natural no Estado e contribuindo para o desenvolvimento de novos mercados (Santo Antônio de Jesus, Nazaré, Valença, Amargosa, Itaparica, dentre outros municípios vizinhos ao campo).

O conceito de campo marginal em exploração e produção de petróleo e gás natural está fortemente ligado a resultados econômicos. Campo marginal de gás natural é definido como o campo que produz predominantemente gás não associado, cuja produção não ultrapasse 70.000 m3/dia e cuja última previsão de produção aprovada pela ANP também não ultrapasse esse limite.

No Brasil, cerca de 50% dos campos são marginais e representam cerca de 1% das reservas provadas do país, podendo tornar-se um mercado atraente para as companhias petrolíferas independentes de pequeno e médio porte. Em 1998, a Petrobras abriu mão de 62 campos de petróleo e gás maduros, por terem sido considerados antieconômicos, devolvendo-os à gestão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Naquele momento, acontecia a abertura do monopólio petrolífero no Brasil. A maior parte destes campos está na Bahia, mas também se espalham por Rio Grande do Norte/Ceará, Sergipe/Alagoas e no Pará/Maranhão.

Essas áreas representam oportunidades para empresas de pequeno e médio porte, por exigirem menor investimento. Ao colocá-las em licitação, a ANP tinha como objetivo criar a categoria dos pequenos e médios produtores do mercado de petróleo e gás, feito inédito no Brasil. A área de Morro do Barro, situada na Ilha de Itaparica, foi adquirida na Primeira Rodada de Licitações de Campos Marginais pela baiana Panergy (empresa que atua com formatação de consórcios para o setor de energia), com o propósito de investir aproximadamente R$ 14 milhões na reserva de gás natural.

Com o objetivo de apoiar as pequenas e médias empresas nacionais que estão apostando no setor petrolífero, foi criada em 2005 a Associação dos Produtores de Petróleo e Gás Natural Extraídos dos Campos Marginais (Appom), com o propósito de promover e defender a atividade de produção de petróleo e gás natural extraídos de campos marginais.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

02/08/07