25/01/2008
A falta de manutenção preventiva na estrutura da arquibancada foi a causa mais relevante do acidente que aconteceu em novembro de 2007 no Estádio Octávio Mangabeira (Fonte Nova). A conclusão é do laudo técnico realizado pela Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba) para avaliar as possíveis causas do episódio, ocorrido próximo à quinta torre de iluminação.
O estudo aponta que a ausência de medidas corretivas ao longo do tempo levou ao rompimento da armadura na ligação da laje com a viga, sobretudo em função do alto grau de corrosão.
O laudo, encomendado pela Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), foi elaborado pelos professores Luís Edmundo Prado de Campos (também diretor da Escola Politécnica), Adailton de Oliveira Gomes e Tatiana Dumêt.
As principais conclusões foram divulgadas hoje (25). Segundo Tatiana Dumêt, o local do acidente sofria com o acúmulo de água e a oxidação, diminuindo a resistência da armadura. `Praticamente não havia mais ligação de concreto na estrutura entre a laje e a viga, ou seja, no encosto. Daí, a ruptura`, explicou.
O estudo citou ainda que o estádio sofreu alterações em sua utilização durante os 55 anos de funcionamento. Segundo a concepção, ele abrigaria uma platéia estática, mas ao longo do tempo o perfil e o comportamento da torcida mudaram, com a presença de pessoas pulando sobre a arquibancada durante os jogos, comprometendo a estrutura de concreto armado.
`Devemos lembrar que o fenômeno das torcidas surgiu somente na década de 80`, disse a professora.
Ela declarou que isso significa que, de acordo com as normas de 1960, o local foi construído para suportar uma carga estática. `O padrão atual prevê uma análise dinâmica da estrutura, que deve ser capaz de suportar a vibração da torcida`, afirmou.
Concepção do projeto
A análise da Ufba aponta que não houve falha na concepção do projeto original, considerado adequado para os padrões e normas da época. As técnicas mais modernas de engenharia, porém, recomendam outros parâmetros para a construção do estádio.
As falhas existentes foram de execução, percebidas na espessura da laje e na camada de concreto que envolve a armadura de ferro. No local do acidente, em vez dos sete centímetros previstos no projeto, a camada de concreto tem apenas três centímetros. `Isso significa que a altura da laje era insuficiente e não estava de acordo com o projeto inicial`, observou Tatiana.
A análise levou em conta informações obtidas na Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), ensaios laboratoriais e coletas de dados verificados em quatro visitas ao local do acidente, nas quais amostras da estrutura foram recolhidas para estudo.
O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, disse que o laudo da Ufba levantou problemas que já tinham sido apontados em outras análises. `A análise da universidade é muito importante e vai integrar a sindicância já aberta pela Setre, podendo ser encaminhada, sempre que houver solicitação, para a Justiça e para o Ministério Público`, destacou.
Vasconcelos informou que o contato com a Ufba para a solicitação do laudo foi feito poucos dias após o acidente.
Fonte: Agecom
25/01/2008
O estudo aponta que a ausência de medidas corretivas ao longo do tempo levou ao rompimento da armadura na ligação da laje com a viga, sobretudo em função do alto grau de corrosão.
O laudo, encomendado pela Secretaria Estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), foi elaborado pelos professores Luís Edmundo Prado de Campos (também diretor da Escola Politécnica), Adailton de Oliveira Gomes e Tatiana Dumêt.
As principais conclusões foram divulgadas hoje (25). Segundo Tatiana Dumêt, o local do acidente sofria com o acúmulo de água e a oxidação, diminuindo a resistência da armadura. `Praticamente não havia mais ligação de concreto na estrutura entre a laje e a viga, ou seja, no encosto. Daí, a ruptura`, explicou.
O estudo citou ainda que o estádio sofreu alterações em sua utilização durante os 55 anos de funcionamento. Segundo a concepção, ele abrigaria uma platéia estática, mas ao longo do tempo o perfil e o comportamento da torcida mudaram, com a presença de pessoas pulando sobre a arquibancada durante os jogos, comprometendo a estrutura de concreto armado.
`Devemos lembrar que o fenômeno das torcidas surgiu somente na década de 80`, disse a professora.
Ela declarou que isso significa que, de acordo com as normas de 1960, o local foi construído para suportar uma carga estática. `O padrão atual prevê uma análise dinâmica da estrutura, que deve ser capaz de suportar a vibração da torcida`, afirmou.
Concepção do projeto
A análise da Ufba aponta que não houve falha na concepção do projeto original, considerado adequado para os padrões e normas da época. As técnicas mais modernas de engenharia, porém, recomendam outros parâmetros para a construção do estádio.
As falhas existentes foram de execução, percebidas na espessura da laje e na camada de concreto que envolve a armadura de ferro. No local do acidente, em vez dos sete centímetros previstos no projeto, a camada de concreto tem apenas três centímetros. `Isso significa que a altura da laje era insuficiente e não estava de acordo com o projeto inicial`, observou Tatiana.
A análise levou em conta informações obtidas na Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), ensaios laboratoriais e coletas de dados verificados em quatro visitas ao local do acidente, nas quais amostras da estrutura foram recolhidas para estudo.
O secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, disse que o laudo da Ufba levantou problemas que já tinham sido apontados em outras análises. `A análise da universidade é muito importante e vai integrar a sindicância já aberta pela Setre, podendo ser encaminhada, sempre que houver solicitação, para a Justiça e para o Ministério Público`, destacou.
Vasconcelos informou que o contato com a Ufba para a solicitação do laudo foi feito poucos dias após o acidente.
Fonte: Agecom
25/01/2008