20/02/2008
A Polícia Federal (PF) descartou ontem a hipótese de crime comum no furto de dados sigilosos da Petrobrás, que estavam em computadores e discos rígidos da empresa norte-americana Halliburton. Segundo o superintendente da PF no Rio, Valdinho Jacinto Caetano, os ladrões deixaram outros computadores no local, o que reforça a tese de espionagem industrial.
`Havia basicamente material de escritório e alguns laptops (no contêiner). E se privilegiou o roubo desses (laptops), o que nos leva a descartar a hipótese de roubo comum. Até porque, em roubo comum, se leva o computador inteiro para uso posterior, e não o HD (disco rígido)`, argumentou Caetano. Os dois HDs levados foram retirados de computadores que também estavam no contêiner.
Segundo Caetano, um dos trabalhos dos investigadores será apurar quem teria interesse nas informações. `O que se pode tirar é que alguém tinha interesse em informações e supunha o que tinha ali`, comentou.
A polícia ainda não conhece o conteúdo dos dados furtados. Em depoimento no dia seguinte à descoberta do furto, o gerente de Proteção Empresarial da Petrobrás, Luiz Lima Blanc, disse apenas que os equipamentos saíram de uma plataforma de perfuração da Bacia de Santos.
No mercado, suspeita-se que havia dados referentes à descoberta gigante de gás de Júpiter, anunciada no dia 21 de janeiro. A plataforma que descobriu Júpiter concluiu os trabalhos no dia 18, mesmo dia em que a carga deixou a Bacia de Santos.
Os investigadores já tomaram depoimento de nove envolvidos no transporte da carga e esperam ouvir mais 15 nas próximas semanas.
REINCIDENTE
O delegado revelou que há cerca de um ano a Petrobrás foi vítima de ação semelhante e criticou o sistema de segurança da estatal. A empresa mantém a política de não se manifestar a respeito do caso.
`O sistema de segurança para esse material era bastante falho. Não havia controle específico, não havia anteparos suficientes e muita gente tinha acesso a esse tipo de informação`, comentou. `Para um escritório simples, a segurança estava adequada, mas, quando se coloca aí uma informação privilegiada, se torna inadequada.`
Além disso, há informações de que a Petrobrás usa cadeados com chave padrão nas operações desse tipo, para evitar que o trabalho seja prejudicado caso algum funcionário esqueça a chave. `Parece que havia falha nos cadeados`, disse o delegado.
Segundo o superintendente, no furto de um ano atrás os dados não tinham a relevância dos furtados agora e, por isso, o caso não foi levado à PF. A revelação foi feita no depoimento de Blanc. Há também denúncias da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet) de furtos de notebooks de funcionários da estatal em Macaé, mas a polícia local diz que assaltos a residências, com furto de equipamentos eletrônicos, são comuns na cidade.
A perícia no contêiner violado ocorreu, segundo o delegado, no dia 2 de fevereiro e foi prejudicada pelos funcionários da Halliburton. Talvez por desconhecimento de normais de perícia, disse Caetano, eles mexeram nos equipamentos restantes, desconfigurando a cena do crime. Mesmo assim, a existência de outros computadores no local definiu a linha de investigações em torno da hipótese de espionagem.
Repórter: Nicola Pamplona
Fonte: O Estado de S. Paulo
Em 20/02/2008.
`Havia basicamente material de escritório e alguns laptops (no contêiner). E se privilegiou o roubo desses (laptops), o que nos leva a descartar a hipótese de roubo comum. Até porque, em roubo comum, se leva o computador inteiro para uso posterior, e não o HD (disco rígido)`, argumentou Caetano. Os dois HDs levados foram retirados de computadores que também estavam no contêiner.
Segundo Caetano, um dos trabalhos dos investigadores será apurar quem teria interesse nas informações. `O que se pode tirar é que alguém tinha interesse em informações e supunha o que tinha ali`, comentou.
A polícia ainda não conhece o conteúdo dos dados furtados. Em depoimento no dia seguinte à descoberta do furto, o gerente de Proteção Empresarial da Petrobrás, Luiz Lima Blanc, disse apenas que os equipamentos saíram de uma plataforma de perfuração da Bacia de Santos.
No mercado, suspeita-se que havia dados referentes à descoberta gigante de gás de Júpiter, anunciada no dia 21 de janeiro. A plataforma que descobriu Júpiter concluiu os trabalhos no dia 18, mesmo dia em que a carga deixou a Bacia de Santos.
Os investigadores já tomaram depoimento de nove envolvidos no transporte da carga e esperam ouvir mais 15 nas próximas semanas.
REINCIDENTE
O delegado revelou que há cerca de um ano a Petrobrás foi vítima de ação semelhante e criticou o sistema de segurança da estatal. A empresa mantém a política de não se manifestar a respeito do caso.
`O sistema de segurança para esse material era bastante falho. Não havia controle específico, não havia anteparos suficientes e muita gente tinha acesso a esse tipo de informação`, comentou. `Para um escritório simples, a segurança estava adequada, mas, quando se coloca aí uma informação privilegiada, se torna inadequada.`
Além disso, há informações de que a Petrobrás usa cadeados com chave padrão nas operações desse tipo, para evitar que o trabalho seja prejudicado caso algum funcionário esqueça a chave. `Parece que havia falha nos cadeados`, disse o delegado.
Segundo o superintendente, no furto de um ano atrás os dados não tinham a relevância dos furtados agora e, por isso, o caso não foi levado à PF. A revelação foi feita no depoimento de Blanc. Há também denúncias da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet) de furtos de notebooks de funcionários da estatal em Macaé, mas a polícia local diz que assaltos a residências, com furto de equipamentos eletrônicos, são comuns na cidade.
A perícia no contêiner violado ocorreu, segundo o delegado, no dia 2 de fevereiro e foi prejudicada pelos funcionários da Halliburton. Talvez por desconhecimento de normais de perícia, disse Caetano, eles mexeram nos equipamentos restantes, desconfigurando a cena do crime. Mesmo assim, a existência de outros computadores no local definiu a linha de investigações em torno da hipótese de espionagem.
Repórter: Nicola Pamplona
Fonte: O Estado de S. Paulo
Em 20/02/2008.