28/05/2008
Em 64 meses de governo Lula, o volume de crédito no país cresceu R$ 633 bilhões. Em abril, o saldo dos empréstimos concedidos pelos bancos atingiu R$ 1,017 trilhão, recorde de endividamento das famílias e empresas brasileiras, segundo dados do Banco Central. O crédito total representa 36,1% do PIB (Produto Interno Bruto). Quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência, o crédito era de 22% do PIB. A expectativa do BC é chegar a 40% no fim do ano.
Especialistas dizem que esse avanço pode ser comemorado pelo governo, mas não pelo consumidor endividado. Isso porque a taxa de juros média do crédito pessoal fechou em abril a 65,9%, excluídas as taxas de empréstimos com desconto em folha de pagamento, que ficaram em 27,4%. `O custo do crédito no Brasil ainda é proibitivo`, disse Nelson de Sousa, professor de finanças do Ibmec.
O consultor Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC, alerta de que no segundo semestre deve haver desaceleração do volume de empréstimos por causa do aumento da taxa básica de juros. `Esse é o objetivo do Banco Central ao elevar a Selic: reduzir a demanda e conter um pouco o crescimento da economia, diminuindo a procura por empréstimos.`
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, admite que essa redução no ritmo de crescimento do crédito já está em curso. Ele citou o aumento do volume dos empréstimos com desconto em folha de pagamento, de 2,4% em abril, enquanto em 12 meses é de 29%. `O crédito consignado chegou a crescer em um patamar expressivo, mas esse ritmo tende a diminuir porque tem um público específico para isso.` Para Lopes, apesar da `acomodação` do crédito, as famílias ainda não chegaram a seu limite de endividamento.
O diretor-executivo do IDV (Instituto de Desenvolvimento do Varejo), Emerson Kapaz, concorda que as famílias podem se endividar mais sem comprometer a capacidade de pagamento e, portanto, não há risco de aumento da inadimplência. `O crescimento do emprego e da massa salarial permite ousadia na tomada de empréstimos. Estamos agora entrando na normalidade. Em alguns países, o volume de crédito chega a 100% do PIB`, disse.
O volume de crédito de 36,1% do PIB é o mais alto no Brasil desde janeiro de 1995, quando alcançou 36,8%. Mas é baixo se comparado a outros países emergentes, onde a média de crédito ultrapassa 60% do PIB. Freitas, ex-diretor do BC, lembrou que o aumento do volume de crédito foi impulsionado pelos prazos mais longos de pagamento. Em abril, o prazo médio para pessoas físicas foi de 15 meses, 70% maior que no mesmo mês de 2007.
Os juros médios para pessoas físicas em abril foram de 47,7%, enquanto para empresas foram de 26,3%. Na média, a taxa ficou em 37,4%, 0,2 ponto menor que em março. Lopes explicou que a taxa média de juros caiu ligeiramente no mês passado, apesar do aumento da Selic, por causa da redução do `spread` bancário. `O `spread` subiu muito no início do ano por causa do aumento do IOF. No mês passado, foi possível acomodar esse aumento.` O `spread` é a diferença entre os juros cobrados ao consumidor e o custo dos bancos para captar dinheiro no mercado financeiro. Em abril, caiu de 35,3% para 34,6%.
Repórter:: JULIANA ROCHA
Fonte: Folha de S. Paulo 28/5/2008.
Especialistas dizem que esse avanço pode ser comemorado pelo governo, mas não pelo consumidor endividado. Isso porque a taxa de juros média do crédito pessoal fechou em abril a 65,9%, excluídas as taxas de empréstimos com desconto em folha de pagamento, que ficaram em 27,4%. `O custo do crédito no Brasil ainda é proibitivo`, disse Nelson de Sousa, professor de finanças do Ibmec.
O consultor Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC, alerta de que no segundo semestre deve haver desaceleração do volume de empréstimos por causa do aumento da taxa básica de juros. `Esse é o objetivo do Banco Central ao elevar a Selic: reduzir a demanda e conter um pouco o crescimento da economia, diminuindo a procura por empréstimos.`
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, admite que essa redução no ritmo de crescimento do crédito já está em curso. Ele citou o aumento do volume dos empréstimos com desconto em folha de pagamento, de 2,4% em abril, enquanto em 12 meses é de 29%. `O crédito consignado chegou a crescer em um patamar expressivo, mas esse ritmo tende a diminuir porque tem um público específico para isso.` Para Lopes, apesar da `acomodação` do crédito, as famílias ainda não chegaram a seu limite de endividamento.
O diretor-executivo do IDV (Instituto de Desenvolvimento do Varejo), Emerson Kapaz, concorda que as famílias podem se endividar mais sem comprometer a capacidade de pagamento e, portanto, não há risco de aumento da inadimplência. `O crescimento do emprego e da massa salarial permite ousadia na tomada de empréstimos. Estamos agora entrando na normalidade. Em alguns países, o volume de crédito chega a 100% do PIB`, disse.
O volume de crédito de 36,1% do PIB é o mais alto no Brasil desde janeiro de 1995, quando alcançou 36,8%. Mas é baixo se comparado a outros países emergentes, onde a média de crédito ultrapassa 60% do PIB. Freitas, ex-diretor do BC, lembrou que o aumento do volume de crédito foi impulsionado pelos prazos mais longos de pagamento. Em abril, o prazo médio para pessoas físicas foi de 15 meses, 70% maior que no mesmo mês de 2007.
Os juros médios para pessoas físicas em abril foram de 47,7%, enquanto para empresas foram de 26,3%. Na média, a taxa ficou em 37,4%, 0,2 ponto menor que em março. Lopes explicou que a taxa média de juros caiu ligeiramente no mês passado, apesar do aumento da Selic, por causa da redução do `spread` bancário. `O `spread` subiu muito no início do ano por causa do aumento do IOF. No mês passado, foi possível acomodar esse aumento.` O `spread` é a diferença entre os juros cobrados ao consumidor e o custo dos bancos para captar dinheiro no mercado financeiro. Em abril, caiu de 35,3% para 34,6%.
Repórter:: JULIANA ROCHA
Fonte: Folha de S. Paulo 28/5/2008.