03/06/2008
O escândalo que liga o grupo político dos ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha Matheus (PMDB) com um suposto esquema de `caixinha` dentro da Polícia Civil poderá ter um efeito indireto no cenário eleitoral do Rio, segundo o cientista político Nelson Rojas de Carvalho, consultor do prefeito do Rio, César Maia (DEM). Segundo Carvalho, as pesquisas de opinião na cidade sempre mostraram o problema da violência na cidade associado à desigualdade de renda e pobreza.
`Uma denúncia desta magnitude pode fazer o eleitorado começar a associar a violência com o problema da corrupção eleitoral. E, ainda que a eleição ainda esteja muito distante, esta mudança pode tornar a segurança um tema relevante para a decisão de voto, o que não acontece atualmente`, afirmou. Um primeiro ganhador é apenas um grande eleitor no processo fluminense: como governador, Sérgio Cabral procurou retirar a secretaria da Segurança Pública da cota política do governo. `Há uma saturação que leva o eleitor a olhar a segurança como uma fatalidade, do mesmo modo como encara os danos provocados por uma tempestade`, complementa Carvalho.
Desde que assumiu, o governador Sérgio Cabral (PMDB) adotou como estratégia o confronto com o crime organizado na capital. Somente no primeiro bimestre deste ano, o número de mortos em ações policiais cresceu 28% na capital, em relação ao primeiro bimestre do ano passado. Foram 163 `autos de resistência`, ante 127 entre janeiro e fevereiro de 2007. A ação ostensiva concentrou-se em áreas ricas. O número de prisões em Copacabana e Leme, por exemplo, cresceu 64% nos dois primeiros meses deste ano, em comparação com 2007. Na cidade do Rio como um todo, elevou-se 3,7%.
O governo estadual fez ações em parceria com a prefeitura, ainda que Sérgio Cabral e César Maia não sejam aliados políticos. Em sua maioria, são operações de ordenamento urbano, envolvendo a Polícia Militar e a Guarda Civil, como por exemplo a `Copabacana`, que recolheu moradores de rua e camelôs durante o Pan-Americano, no ano passado. Houve grande esforço em aumentar o efetivo operacional. Dos 38 mil homens da Polícia Militar, apenas 15 mil faziam o policiamento ostensivo até 2006. A PM fluminense perde mil homens anualmente, entre aposentadorias, expulsões e decisões. O governo fluminense incorporou 1,1 mil novos homens e trouxe de volta cerca de 600 policiais em outras funções. Mas o aumento da atividade policial não se traduziu nos indicadores. Entre os primeiros bimestres de 2007 e 2008, o número de roubos aumentou 8,6% e o de furtos cresceu 11,6%.
Repórter: César Felício
Fonte: Valor Econômico
3/6/2008.
`Uma denúncia desta magnitude pode fazer o eleitorado começar a associar a violência com o problema da corrupção eleitoral. E, ainda que a eleição ainda esteja muito distante, esta mudança pode tornar a segurança um tema relevante para a decisão de voto, o que não acontece atualmente`, afirmou. Um primeiro ganhador é apenas um grande eleitor no processo fluminense: como governador, Sérgio Cabral procurou retirar a secretaria da Segurança Pública da cota política do governo. `Há uma saturação que leva o eleitor a olhar a segurança como uma fatalidade, do mesmo modo como encara os danos provocados por uma tempestade`, complementa Carvalho.
Desde que assumiu, o governador Sérgio Cabral (PMDB) adotou como estratégia o confronto com o crime organizado na capital. Somente no primeiro bimestre deste ano, o número de mortos em ações policiais cresceu 28% na capital, em relação ao primeiro bimestre do ano passado. Foram 163 `autos de resistência`, ante 127 entre janeiro e fevereiro de 2007. A ação ostensiva concentrou-se em áreas ricas. O número de prisões em Copacabana e Leme, por exemplo, cresceu 64% nos dois primeiros meses deste ano, em comparação com 2007. Na cidade do Rio como um todo, elevou-se 3,7%.
O governo estadual fez ações em parceria com a prefeitura, ainda que Sérgio Cabral e César Maia não sejam aliados políticos. Em sua maioria, são operações de ordenamento urbano, envolvendo a Polícia Militar e a Guarda Civil, como por exemplo a `Copabacana`, que recolheu moradores de rua e camelôs durante o Pan-Americano, no ano passado. Houve grande esforço em aumentar o efetivo operacional. Dos 38 mil homens da Polícia Militar, apenas 15 mil faziam o policiamento ostensivo até 2006. A PM fluminense perde mil homens anualmente, entre aposentadorias, expulsões e decisões. O governo fluminense incorporou 1,1 mil novos homens e trouxe de volta cerca de 600 policiais em outras funções. Mas o aumento da atividade policial não se traduziu nos indicadores. Entre os primeiros bimestres de 2007 e 2008, o número de roubos aumentou 8,6% e o de furtos cresceu 11,6%.
Repórter: César Felício
Fonte: Valor Econômico
3/6/2008.