16/11/2009
O blecaute que deixou 18 estados brasileiros às escuras na semana passada não teve impacto sobre as ações do setor elétrico. As empresas do setor, dizem os analistas, amadureceram desde o racionamento de 2001 e têm perspectivas positivas diante da previsão de crescimento do país. Não por acaso, o Índice de Energia Elétrica (IEE), que reúne 16 papéis das empresas do setor elétrico com maior liquidez na Bolsa de São Paulo (Bovespa), entre elas Eletropaulo, Eletrobrás e Cemig, teve desempenho superior à média na semana passada.
Na última sexta-feira, o IEE subiu 1,92%, superando o avanço de 1,36% do Ibovespa. Na quinta-feira, recuou 1,64%, menos que a perda de 2,99% do principal índice brasileiro. Na quarta-feira, dia seguinte ao apagão, ganhou 0,44%, enquanto o Ibovespa subiu só 0,13%.
Para Marcos Severine, analista da Itaú Corretora, o apagão recente não deve ter impacto sobre os papéis do setor elétrico, que seguirão se valorizando diante da melhora das previsões de crescimento do país.
— O racionamento (de 2001) e o apagão são dois eventos completamente diferentes. O problema do racionamento foi muito grande e afetou, sim, o faturamento e a geração de caixa. E, depois, a recuperação ainda foi lenta. O apagão só teria impacto sobre as ações se mostrasse uma falta muito grande de investimento no setor, mas aparentemente não é isso, foi um evento pontual — acrescentou.
Na opinião do analista da Ativa Corretora Ricardo Corrêa, como o setor elétrico paga altos dividendos e teve sua dívida em moeda estrangeira equacionada depois do susto cambial de 1999, ele se tornou muito atraente para os investidores durante a crise econômica mundial: — A ação da Copel, por exemplo, já teve um rendimento de mais 100% este ano e começou a se valorizar mais antes dos papéis de outros setores, devido aos altos dividendos.
Segundo Corrêa, o que pode atrapalhar é a politização do setor, que tende a aumentar com grandes empresas estatais comprando outras privadas menores. Com isso, o investidor estrangeiro pode ficar receoso. Nesse caso, aumentaria o custo de captação de recursos para o setor.
— A estabilidade regulatória influencia no investimento de longo prazo. Se não houver estabilidade, o investidor estrangeiro pede retorno maior para investir aqui e isso vai acabar chegando ao consumidor, na conta da luz — avalia.
Autor(es): Vivian Pereira Nunes
O Globo - 16/11/2009.
Na última sexta-feira, o IEE subiu 1,92%, superando o avanço de 1,36% do Ibovespa. Na quinta-feira, recuou 1,64%, menos que a perda de 2,99% do principal índice brasileiro. Na quarta-feira, dia seguinte ao apagão, ganhou 0,44%, enquanto o Ibovespa subiu só 0,13%.
Para Marcos Severine, analista da Itaú Corretora, o apagão recente não deve ter impacto sobre os papéis do setor elétrico, que seguirão se valorizando diante da melhora das previsões de crescimento do país.
— O racionamento (de 2001) e o apagão são dois eventos completamente diferentes. O problema do racionamento foi muito grande e afetou, sim, o faturamento e a geração de caixa. E, depois, a recuperação ainda foi lenta. O apagão só teria impacto sobre as ações se mostrasse uma falta muito grande de investimento no setor, mas aparentemente não é isso, foi um evento pontual — acrescentou.
Na opinião do analista da Ativa Corretora Ricardo Corrêa, como o setor elétrico paga altos dividendos e teve sua dívida em moeda estrangeira equacionada depois do susto cambial de 1999, ele se tornou muito atraente para os investidores durante a crise econômica mundial: — A ação da Copel, por exemplo, já teve um rendimento de mais 100% este ano e começou a se valorizar mais antes dos papéis de outros setores, devido aos altos dividendos.
Segundo Corrêa, o que pode atrapalhar é a politização do setor, que tende a aumentar com grandes empresas estatais comprando outras privadas menores. Com isso, o investidor estrangeiro pode ficar receoso. Nesse caso, aumentaria o custo de captação de recursos para o setor.
— A estabilidade regulatória influencia no investimento de longo prazo. Se não houver estabilidade, o investidor estrangeiro pede retorno maior para investir aqui e isso vai acabar chegando ao consumidor, na conta da luz — avalia.
Autor(es): Vivian Pereira Nunes
O Globo - 16/11/2009.