Excesso de energia não afasta risco de racionamento nos próximos anos

16/12/2010
O fantasma do racionamento voltou a rondar o país, ainda que a sobra de energia seja a maior já registrada na história. Este foi o alerta feito ontem pelo Instituto Acende Brasil e pela consultoria PSR, no lançamento da 8ª edição do Programa Energia Transparente. Segundo o estudo, o Sudeste seria a área mais afetada. O risco de racionamento na região chega a 3,8% em 2012. Embora este percentual não seja alto, ele é muito significativo para um país que tem um excedente energético. A dificuldade de transmissão de energia do Nordeste para o Sudeste e o baixo nível de armazenamento de água dos reservatórios - o segundo pior dos últimos oito anos - são indicações preocupantes.

- Estamos correndo este risco em 2012, apesar da folga ser de 4,5 mil megawatts (MW) médios, o que equivale à toda energia de Belo Monte - explica Mário Veiga, da PSR, comentando que a demanda projetada para aquele ano é de 62,1 mil MW médios contra um volume total de energia firme (ou seja, o que de fato o sistema pode contar) de 66,6 mil MW médios.

A projeção da Acende Brasil e da PSR foi feita com base no seguinte cenário: um crescimento econômico de 6,3% para este ano e nenhum atraso na entrada em operação das novas usinas. O diagnóstico, no entanto, contradiz a avaliação do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que já teriam descartado risco de racionamento nos próximos anos.

Para 2011, o risco de racionamento no Sudeste, segundo o levantamento, é de 0,5%. No ano que vem, o excesso de oferta de energia previsto é de 2,4 mil MW médios para uma demanda projetada de 59,3 mil MW médios e uma oferta de 61,7 mil MW médios.

Em 2013, o risco de racionamento é de 1,5%, embora a folga de energia prevista seja ainda maior: 7 mil MW médios, o que significa a energia gerada pelas usinas de Belo Monte e Santo Antônio juntas.

- O risco de racionamento não chega a ser alto, já que a média histórica é bem maior - afirmou o presidente do Acende Brasil, Carlos Sales, lembrando, porém, que, como o cenário é de sobra de energia, `este risco sequer deveria estar ocorrendo`.

A explicação para a sobra energética vem dos leilões para a geração de energia de 2008, às vésperas da crise financeira global, quando a economia estava bastante aquecida. Só que, devido à crise, o país acabou registrando uma recessão de 0,6%, e a energia não foi utilizada.

Produção de pequenas ficou abaixo do esperado

Apesar da sobra, três fatores contribuíram para o aumento das chances de haver um racionamento. A produção de energia das pequenas centrais elétricas (PCHs) foi muito inferior ao que havia sido previsto nos planos mensais de operação, que era de 4,3 mil MW médios contra uma geração de fato de 1,6 mil MW médios. Por outro lado, de janeiro a junho, Itaipu operou com cerca de metade (53%) de sua capacidade, devido à instalação de chapéus chineses nos instaladores das linhas, com o objetivo de evitar a repetição de apagões, como o de 2009. Houve também, uma queda desproporcional do nível de armazenamento, ainda que o ano tenha começado com um nível médio de 72%.

Fonte: Estado de S. Paulo

Em 16/12/2010.