DILMA QUER TIRAR 16 MILHÕES DA MISÉRIA

04/05/2011
BRASÍLIA - Entre as diferentes formas de contabilizar a extrema pobreza no País, o governo federal optou por definir como alvo do plano `Brasil sem Miséria`, a ser detalhado nas próximas semanas, os que têm renda mensal de até R$ 70 por pessoa da família. Nessa condição, contam-se atualmente 16,3 milhões de brasileiros, ou 8,5% da população, segundo cálculos preliminares feitos com base no recém-lançado censo de 2010.

Uma das principais promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff foi erradicar a pobreza extrema ao longo dos quatro anos de mandato. Parte dos brasileiros beneficiados com o plano de erradicação da miséria já está incluída no Bolsa Família. O governo federal, no entanto, não divulgou qual o volume populacional que receberá os dois benefícios. Esse dado só deverá ser divulgado em outubro.

Sobre a meta, a secretária extraordinária de Erradicação da Pobreza, Ana Fonseca, disse: `Sim, nós faremos sim, nós vamos tirar as pessoas da extrema pobreza`. Ao seu lado, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes, chamou a atenção para um detalhe técnico: `É uma impossibilidade estatística chegarmos a um valor zero de miseráveis no País`.

Água, luz, esgoto. A extrema pobreza não se limita à insuficiência de renda. Perfil apresentado pelo presidente do IBGE mostra que os miseráveis brasileiros têm menos acesso à energia elétrica, ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário e a banheiro em suas casas, que representam 7% dos domicílios.

Os miseráveis ocupam pouco mais de 4 milhões de domicílios no País. A extrema pobreza está mais concentrada nas cidades (53,3%)do que no campo (46,7%). Entre as regiões do País, a incidência da pobreza extrema é maior no Nordeste. Moram ali 9,6 milhões (59%) dos miseráveis. A região Sudeste é a segunda em volume de pessoas em extrema pobreza (17%).

Analfabetos. Os dados mais contundentes dizem respeito ao nível de analfabetismo. O índice de analfabetismo absoluto, daqueles com mais de 15 anos que não sabem ler nem escrever um bilhete simples, é de 9,6%. Entre os extremamente pobres, o índice chega a 22% nas cidades e a 30,3% nas zonas rurais.

O analfabetismo atinge também os jovens nessa faixa de renda. Nas cidades, 5,2% dos jovens entre 15 e 17 anos são analfabetos. Na zona rural, o problema atinge 7,2% dos jovens nessa faixa etária.

A ministra Tereza Campello (Desenvolvimento Social), responsável pela coordenação do plano `Brasil sem Miséria`, disse que, com as medidas a serem anunciadas pessoalmente por Dilma Rousseff ainda em maio, será possível erradicar a pobreza extrema não apenas na dimensão da renda. `É um plano ambicioso e com ações complexas.`

O plano inclui expansão dos serviços públicos e inclusão produtiva, além da busca aos mais excluídos. `Não estamos falando de um contingente residual da população, mas de quase um entre dez brasileiros`, comentou Márcio Pochman, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A renda máxima usada para definir a extrema pobreza coincide com o valor usado para o acesso ao Bolsa Família, que paga entre R$ 32 e R$ 242 ao mês. O governo reajustará anualmente o valor da linha da extrema pobreza.

Autor(es): Marta Salomon.

O Estado de S. Paulo - 04/05/2011.