Programa Comida Divertida muda rotina dos animais do Zôo de Salvador

18/07/2007
Uma nova rotina alimentar foi implantada, desde o mês de março, no Parque Zoobotânico Getúlio Vargas (Jardim Zoológico de Salvador), administrado pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).

Trata-se do programa Comida Divertida, um sistema de enriquecimento alimentar que simula situações que ocorrem na natureza, proporcionando aos animais que vivem no parque a oportunidade de buscar seu próprio alimento. O objetivo é fazer com que eles se movimentem ao máximo dentro de seus recintos, vencendo o desafio natural de ‘conquistar` sua refeição.

De maneira criativa e sem qualquer custo adicional, biólogos e veterinários do zôo ‘escondem` os alimentos dentro de troncos de bambu ocos, de bóias de plástico rígido, de cocos verdes e até de sacos. Além disso, algumas frutas e verduras são congeladas, obrigando o animal a lamber o ‘sorvete` até alcançá-las.

Outras são fincadas em varetas, para que as aves possam praticar o hábito de bicar durante todo o dia. De acordo com a bióloga responsável pela nutrição dos animais do zôo, Fernanda Andrade, todo esse empenho é para `quebrar a rotina`.

Segundo o coordenador-geral do Zoológico de Salvador, Gerson Norberto, é preciso dar qualidade ao ambiente em que vivem os animais. `Devemos proporcionar um bom abrigo para que eles possam descansar e também motivação para que eles se exercitem`, afirmou.

Prova do sucesso da iniciativa foi o recondicionamento físico dos dois jovens machos de onça, que nasceram no parque em dezembro de 2005. Com apenas um ano e meio, eles foram encontrados em estado de obesidade e sedentarismo pelo médico veterinário Vinícius Dantas, coordenador técnico do zôo.

Hoje, as onças brincam subindo e descendo dos troncos de árvore adaptados a seu recinto, depois de submetidas ao novo tratamento alimentar.

Dantas, que é especialista em animais carnívoros, também implantou uma dieta balanceada, com menos gordura e mais proteína. Para alimentá-los, seus tratadores amarram caixas de papelão, recheadas de carne, no ponto mais alto do recinto, estimulando diariamente a procura e o esforço para rasgar as caixas contendo o alimento. `Os felinos têm tendência à hipoatividade, mas responderam ao Comida Divertida com energia e estão agora com o peso adequado`, destacou.

Mangueiras viram cipós

Mas os ganhos não param por aí. Ainda de acordo com o veterinário, o programa permite que no grupo dos primatas seja estabelecida uma hierarquia entre eles, comportamento natural da espécie. `O alimento colocado numa bandeja favorece a divisão democrática da comida, o que impede a supremacia do macho alfa sobre o grupo`, observou. Na natureza, o macho alfa é sempre o primeiro a pegar o alimento e só depois da permissão é que seus companheiros podem comer.

Os primatas também foram beneficiados com a reestruturação de seus recintos. Um bom exemplo são 15 macacos-prego-do-peito-amarelo, que agora se divertem com mangueiras de bombeiro reutilizadas, amarradas aos troncos de árvore, simulando cipós. Ganho na altura, perda de peso e aumento da pelagem, considerados sinais de saúde, já podem ser constatados.

O macaco-prego-louro Roger também parece feliz com as mudanças. Vivendo apenas com um companheiro, Roger é considerado por Gerson Norberto extremamente dominante e cheio de personalidade. `Quando conheci Roger, ele dividia um pequeno recinto com cerca de 20 macacos de sua espécie. Mesmo assim, era ele quem já comandava`, disse. Em seu recinto, seu companheiro aguarda atentamente a permissão de Roger para começar a comer.

Água para acalmar

O recinto do casal de hipopótamos, que já é um dos maiores do país, com 60 metros de comprimento, vai ganhar o dobro do tamanho atual. A reforma está sendo estruturada para que os animais possam caminhar de um lado para outro, motivados pela busca dos alimentos, que serão colocados sempre na extremidade oposta à que eles estiverem descansando.

Ainda dentro do plano de enriquecimento ambiental, quatro recintos já foram beneficiados com quedas d`água artificiais. De acordo com Gerson Norberto, o novo artifício acalma os animais e diverte os visitantes. `A idéia é fazer a água circular, propiciando sua oxigenação. Mas nosso objetivo final é fazer com que a água seja purificada, ao passar por filtros biológicos que implantaremos em breve`, informou.

O Zoológico de Salvador recebe, em média, 30 mil visitantes por mês, que passam 75% do seu tempo no parque apreciando os animais. Além de um importante centro de pesquisa, que visa preservar espécies ameaçadas de extinção, o zôo promove atividades de educação ambiental complementares para estudantes dos ensinos médio e superior.

Com 871 animais de 115 diferentes espécies, sendo 23% ameaçadas e 11% exóticas, o parque conta hoje com 125 funcionários, nove técnicos especializados e 28 estagiários.

Fonte: Agecom