Variedades de cebola são testadas com sucesso

04/09/2007
Desenvolver variedades de cebola adaptadas às condi¬ções climáticas do Vale do São Francisco, que possibilitem ao agricultor familiar plantar e obter uma maior produtividade e assim aumentar a renda de sua família. Este é o propósito dos campos de avaliação de cebola, implantados naquela região, dentro do projeto de desenvolvimento de populações, cultivares e híbridos de cebola de cor roxa, amarela e cascu¬da para o Nordeste brasileiro.

Executados pela Empresa Bai¬ana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), vinculada à Secretaria da Agricultura, em parceria com Em¬brapa Semi-Árido, os campos já foram instalados em Sento Sé e Sobradinho e estão em fase de implantação em Curaçá e Juazei¬ro, todos em áreas de produtores de cebola. O comportamento de dois cultivares disponibilizados pela Embrapa e Instituto Pernam¬bucano de Pesquisa Agropecuária (IPA), Alfa São Francisco e Brisa IPA - 12, respectivamente, foi avaliado pela EBDA, durante todo o ano de 2006, na Unidade Estadual de Pesquisa, em Juazeiro, comparan¬do-os com a IPA - 11, variedade tra¬dicionalmente cultivada pelos pro¬dutores do Vale. Nessas avalia¬ções, a Alfa apresenta maior quan¬tidade de bulbos comerciais (for¬mação de cabeças arredondadas propícias para comercialização). Entretanto, não foram observadas diferenciações, no que se refere a produtividade, entre a I PA 11 e a Alfa São Francisco, que ficaram em tor¬no de 23 toneladas por hectare.

De acordo com o técnico da empresa, George Bandeira, a IPA 11, uma cebola tradicionalmente plantada na região e conhecida pela maioria dos agricultores fa¬miliares, é recomendada principal¬mente para o primeiro semestre, pois tem problemas de bulbifica¬ção (cebolas com formatos irregu¬lares), em decorrência das altas temperaturas que ocorrem no se¬gundo semestre. Já a Alfa São Francisco mostrou-se mais adap¬tada e com boa produtividade para o período quente. `O nosso objeti¬vo é mostrar ao agricultor mais uma alternativa de variedade de cebola, principalmente para o se¬gundo semestre, para que tenha boa produtividade durante todo o ano`. A 6 quilômetros de Sobradi¬nho, na propriedade de João Ga¬mes da Silva, 39 anos, as varieda¬des Alfa São Francisco e IPA 11, com 20 dias de plantadas, estão em fase. Inicial de germinação e vão ser comparadas quanto ao ta¬manho, bulbo e produtividade. `Es¬tamos precisando mesmo de no¬vas variedades para o segundo semestre, quando o clima é mais quente e costumamos perder mui¬ta cebola. Vamos nos adaptar a plantar cada variedade em seu tempo, para podermos aumentar a nossa renda`, disse João.

REGIÕES PRODUTORAS

Na bania, são três regiões produtoras de cebola: a do Vale do São Francisco, que se estende de Xique-Xique até Curaçá; a de Irecê, que embora faça parte do Vale tem uma característica isolada, a cebola é plantada no sistema di¬reto mecanizado, irrigado por as¬persão, principalmente por pivô central e a água é de poços tubu¬lares. A região de Irecê planta atu¬almente 500 hectares de cebola, tendo longa tradição de cultivo. Mucugê é o outro município produ¬tor.

Localizado na Chapada Dia¬mantina, produz cebolas híbridas, com alta produtividade e alto nível tecnológico. No município, o plan¬tio é feito em duas grandes fazen¬das com uma área total de 500 hectares de exploração. Os muni¬cípios de Santo Sé e Casa Nova são os maiores produtores de ce¬bola da Bahia com 1,5 mil hecta¬res e 1,3 mil hectares, respectiva¬mente. O Vale São Francisco che¬ga a plantar cinco mil hectares de cebola, beneficiando diretamente 6 mil agricultores.

A comercialização de cebola no Vale do São Francisco, de acordo com o técnico George Bandeira, é uma preocupação, mas a empre¬sa orienta os agricultores quanto ao tempo de plantar e colher, para sucesso. Ele também ressalta que é durante o Seminário Nacional de Cebola, que acontece anualmente entre março e abril, que se tem uma previsão de safra para todo o perí¬odo. Assim que os técnicos retor¬nam do seminário realizam reuni¬ões nas unidades de produtores para passarem as informações sobre as perspectivas da oferta do produto durante todo o ano.

No segundo semestre, a mai¬or oferta de cebola no mercado é do estado de São Paulo, que con¬some quase 50% de toda a cebola produzida no Brasil. Se, no Vale, o produtor optar por produzir cebola no segundo semestre, a orientação dos técnicos é que o agricultor diminua a área plantada, evitando assim o choque de produção com os estados do Sudeste. `O ideal é que a colheita seja programada aqui, na região do semi-árido, para acontecer até o mês de julho. Nos meses seguintes diminuímos a oferta, para que os agricultores te¬nham uma comercialização de sucesso`, explicou George

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

04/09/07