10/09/2007
Passageiros que esperavam conseguir deixar a cidade ontem, pelo ponto da Brasilgás, amargaram longas horas de espera. Em cumprimento à determinação da Agerba, que proíbe viagem de passageiros em pé nos ônibus, os veículos que já estavam com todos os assentos lotados não pararam no ponto. Já a atuação do transporte clandestino foi inibida pela fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Passageiros que chegaram ao ponto da Brasilgás por volta das 7h da manhã três horas depois continuavam lá. E o pior: sem perspectiva se conseguiriam viajar.
A expectativa da Agerba era de que 56 mil passageiros deixassem a cidade pelo terminal rodoviário, o que resultou na criação 142 horários extras, um número menor do que o previsto inicialmente. `As empresas têm obrigação de colocar um número de veículos suficiente para atender a toda a demanda, mas se esses passageiros não estão no terminal, elas não vão se aventurar a colocar ônibus saindo daqui vazio para aventurar encher na Brasilgás`, explicou o coordenador da Agerba, Ianê Maciel.
Para coibir a infração, equipes da Agerba ficaram distribuídas pelo terminal fiscalizando a situação dos ônibus. Até o final da tarde, três empresas haviam sido autuadas, porém, nenhuma delas por excesso de passageiro. A Camurujipe e a Litoral Norte foram multadas em R$143,70 por atrasarem, respectivamente, 30 minutos e 20 minutos na saída. Já a São Luís terá que pagar uma multa no valor de R$200,89 por não apresentar os documentos necessários do veículo no momento da fiscalização. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) autuou um ônibus por excesso de passageiro logo no começo da manhã, mas não informou o nome da empresa. Para esse tipo de infração, o valor da multa é de R$283.
Enquanto as empresas optaram pela precaução para não sofrer com o prejuízo no bolso, os passageiros que habitualmente desfrutavam de fartura na oferta de transporte na Brasilgás, conheceram ontem a escassez. A cozinheira Analice Bispo dos Santos, 37 anos, por exemplo, saiu de casa às 7h e às 10h ainda continuava na espera de um meio de transporte que a levasse a Cachoeira, a 110km de Salvador. `Hoje (ontem) está difícil. Os ônibus estão passando cheios e com essa fiscalização quase que não existe clandestino`, disse. Do lado dela, a copeira Rosana Cerqueira Araújo, 33 anos, vivia um drama parecido. Chegou às 8h e duas horas depois não tinha encontrado condução para São Gonçalo dos Campos.
Na defensiva - `Estou aqui esperando pacientemente. Até as 17h espero encontrar uma solução. Viajo ou volto para casa`, afirmou. No meio da entrevista, eis que surge uma oferta, passa um carro formando lotação para Serrinha. Questionado pela reportagem sobre a fiscalização, o motorista parte na defensiva: `Não sou clandestino. O carro é particular, estou indo para lá e queria passageiro para diminuir a despesa com gasolina`, despistou. No meio do desespero, nem o carro da reportagem foi poupado. Entre os organizadores da lotação, chegou um oferecendo uma lotação com cinco passageiros para Feira de Santana.
O inspetor da PRF, Rogério Tosta, informou que estavam com nove equipes espalhadas pela BR-324 no intuito de coibir infrações, mas nenhum foi autuado até o início da noite. Quanto à possibilidade de haver clandestino atuando, ele disse que `não tinha como estar em todos os locais ao mesmo tempo`.
De fato, pelo menos no ponto da Brasilgás, comparado a outras ocasiões, a atuação dos clandestinos foi tímida. Reflexo disso foi a quantidade de passageiros que se aglomerou no local em busca de um meio de sair da cidade. `Está muito complicado, os ônibus não estão parando. Já os alternativos, a polícia não está deixando`, lamentou a professora Telma Cristina de Araújo, que pretendia ir para São Gonçalo dos Campos.
O ambulante Vilmário da Conceição, 32 anos, sentiu na pele o sabor do prejuízo. Acostumado a entrar nos ônibus para vender lanches, viu grande parte dos veículos passar direto pelo ponto. `Estou aqui desde as 6h e ainda não consegui entrar em nenhum. Nos dias normais, a essa altura, eu teria entrado em pelo menos dez`, disse.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
Repórter: Perla Ribeiro
08/09/07
A expectativa da Agerba era de que 56 mil passageiros deixassem a cidade pelo terminal rodoviário, o que resultou na criação 142 horários extras, um número menor do que o previsto inicialmente. `As empresas têm obrigação de colocar um número de veículos suficiente para atender a toda a demanda, mas se esses passageiros não estão no terminal, elas não vão se aventurar a colocar ônibus saindo daqui vazio para aventurar encher na Brasilgás`, explicou o coordenador da Agerba, Ianê Maciel.
Para coibir a infração, equipes da Agerba ficaram distribuídas pelo terminal fiscalizando a situação dos ônibus. Até o final da tarde, três empresas haviam sido autuadas, porém, nenhuma delas por excesso de passageiro. A Camurujipe e a Litoral Norte foram multadas em R$143,70 por atrasarem, respectivamente, 30 minutos e 20 minutos na saída. Já a São Luís terá que pagar uma multa no valor de R$200,89 por não apresentar os documentos necessários do veículo no momento da fiscalização. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) autuou um ônibus por excesso de passageiro logo no começo da manhã, mas não informou o nome da empresa. Para esse tipo de infração, o valor da multa é de R$283.
Enquanto as empresas optaram pela precaução para não sofrer com o prejuízo no bolso, os passageiros que habitualmente desfrutavam de fartura na oferta de transporte na Brasilgás, conheceram ontem a escassez. A cozinheira Analice Bispo dos Santos, 37 anos, por exemplo, saiu de casa às 7h e às 10h ainda continuava na espera de um meio de transporte que a levasse a Cachoeira, a 110km de Salvador. `Hoje (ontem) está difícil. Os ônibus estão passando cheios e com essa fiscalização quase que não existe clandestino`, disse. Do lado dela, a copeira Rosana Cerqueira Araújo, 33 anos, vivia um drama parecido. Chegou às 8h e duas horas depois não tinha encontrado condução para São Gonçalo dos Campos.
Na defensiva - `Estou aqui esperando pacientemente. Até as 17h espero encontrar uma solução. Viajo ou volto para casa`, afirmou. No meio da entrevista, eis que surge uma oferta, passa um carro formando lotação para Serrinha. Questionado pela reportagem sobre a fiscalização, o motorista parte na defensiva: `Não sou clandestino. O carro é particular, estou indo para lá e queria passageiro para diminuir a despesa com gasolina`, despistou. No meio do desespero, nem o carro da reportagem foi poupado. Entre os organizadores da lotação, chegou um oferecendo uma lotação com cinco passageiros para Feira de Santana.
O inspetor da PRF, Rogério Tosta, informou que estavam com nove equipes espalhadas pela BR-324 no intuito de coibir infrações, mas nenhum foi autuado até o início da noite. Quanto à possibilidade de haver clandestino atuando, ele disse que `não tinha como estar em todos os locais ao mesmo tempo`.
De fato, pelo menos no ponto da Brasilgás, comparado a outras ocasiões, a atuação dos clandestinos foi tímida. Reflexo disso foi a quantidade de passageiros que se aglomerou no local em busca de um meio de sair da cidade. `Está muito complicado, os ônibus não estão parando. Já os alternativos, a polícia não está deixando`, lamentou a professora Telma Cristina de Araújo, que pretendia ir para São Gonçalo dos Campos.
O ambulante Vilmário da Conceição, 32 anos, sentiu na pele o sabor do prejuízo. Acostumado a entrar nos ônibus para vender lanches, viu grande parte dos veículos passar direto pelo ponto. `Estou aqui desde as 6h e ainda não consegui entrar em nenhum. Nos dias normais, a essa altura, eu teria entrado em pelo menos dez`, disse.
Fonte: Jornal Correio da Bahia
Repórter: Perla Ribeiro
08/09/07