25/03/2008
Em reunião ontem de manhã no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquadrou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, determinando que desse entrevista mais tarde para negar a adoção de medidas para conter a expansão do crédito. Mantega seguiu o roteiro traçado por Lula. `O objetivo não é pisar no freio [do crédito]`, disse à Folha um auxiliar direto do presidente. Segundo esse auxiliar, Mantega não discutiu nenhuma medida concreta ontem com Lula.
`Não há nenhuma medida em curso`, afirmou Mantega, após a reprimenda presidencial. `Não estamos pensando em estabelecer limites de prazo para o financiamento. Apenas expus uma preocupação de que os prazos muito longos poderiam ser evitados. Mas é uma preocupação minha.`
Na sexta-feira passada, a coluna de Merval Pereira, do jornal `O Globo`, publicou que o ministro da Fazenda estudava a adoção de medidas para conter o avanço do crédito no país. Uma dessas ações seria restringir para 36 meses (três anos) o prazo de financiamento dos automóveis. Essa prazo, hoje, chega a sete anos. Na sexta-feira, a equipe de Mantega confirmou que as medidas estavam em estudo. Mas, ontem, o ministro da Fazenda afirmou que estava apenas falando de sua preocupação com o ritmo sustentado do crescimento econômico. Na reunião com Lula, o ministro da Fazenda disse que havia expressado a jornalistas apenas uma preocupação em buscar medidas que ajudassem a frear o consumo para tentar evitar que o BC (Banco Central) eleve os juros. O BC sinalizou recentemente que poderá aumentar a taxa básica de juros (Selic), hoje em 11,25% ao ano, para combater eventual alta da inflação.
Autonomia
Mantega evitou comentar a futura decisão do BC sobre os juros. Disse apenas que a autoridade monetária tem autonomia, mas afirmou que não existe risco de descontrole da inflação. `Não há um processo inflacionário preocupante no Brasil. O Brasil hoje tem uma inflação controlada`, disse.
Num cenário de agravamento de uma crise externa (recessão nos Estados Unidos), o mercado interno poderá minimizar efeitos negativos, avalia Lula. Nesse contexto, frear o crédito não faria sentido do ponto de vista do presidente. Desde o primeiro mandato, o petista tem estimulado a expansão do crédito, sobretudo para as classes de menor poder aquisitivo, numa espécie de política de contraponto ao rigor monetário do BC. Na visão de Lula, não faz sentido, política e economicamente, adotar medidas hostis a esse público agora. Em conversa reservada, o presidente chegou a levantar dúvida sobre a eficiência delas para evitar eventual alta dos juros. O crédito tem crescido mais de 25% ao ano no Brasil. A intenção de Lula é que ele continue a crescer.
Esforço fiscal
No primeiro mandato, Lula tomou atitudes para tentar impedir a alta dos juros e não conseguiu. Em 2004, por exemplo, elevou oficialmente o esforço fiscal para dar argumento ao BC para não subir a Selic. Não teve sucesso. Mantega confirmou, porém, que chamou os banqueiros para uma reunião amanhã, para saber se o crescimento do crédito não implicaria riscos para a saúde do sistema financeiro nacional. O ministro perguntará se não há falta de garantias nos financiamentos de pessoas físicas.
`Se o setor financeiro me disser que tem segurança nesses créditos, que tem capital suficiente para bancar, então ficarei mais seguro. O setor financeiro brasileiro é muito prudente, tanto que não está envolvido nesta crise internacional`, disse o ministro.
Repórteres: KENNEDY ALENCAR e JULIANA ROCHA
Fonte: Folha de S. Paulo
25/3/2008.
`Não há nenhuma medida em curso`, afirmou Mantega, após a reprimenda presidencial. `Não estamos pensando em estabelecer limites de prazo para o financiamento. Apenas expus uma preocupação de que os prazos muito longos poderiam ser evitados. Mas é uma preocupação minha.`
Na sexta-feira passada, a coluna de Merval Pereira, do jornal `O Globo`, publicou que o ministro da Fazenda estudava a adoção de medidas para conter o avanço do crédito no país. Uma dessas ações seria restringir para 36 meses (três anos) o prazo de financiamento dos automóveis. Essa prazo, hoje, chega a sete anos. Na sexta-feira, a equipe de Mantega confirmou que as medidas estavam em estudo. Mas, ontem, o ministro da Fazenda afirmou que estava apenas falando de sua preocupação com o ritmo sustentado do crescimento econômico. Na reunião com Lula, o ministro da Fazenda disse que havia expressado a jornalistas apenas uma preocupação em buscar medidas que ajudassem a frear o consumo para tentar evitar que o BC (Banco Central) eleve os juros. O BC sinalizou recentemente que poderá aumentar a taxa básica de juros (Selic), hoje em 11,25% ao ano, para combater eventual alta da inflação.
Autonomia
Mantega evitou comentar a futura decisão do BC sobre os juros. Disse apenas que a autoridade monetária tem autonomia, mas afirmou que não existe risco de descontrole da inflação. `Não há um processo inflacionário preocupante no Brasil. O Brasil hoje tem uma inflação controlada`, disse.
Num cenário de agravamento de uma crise externa (recessão nos Estados Unidos), o mercado interno poderá minimizar efeitos negativos, avalia Lula. Nesse contexto, frear o crédito não faria sentido do ponto de vista do presidente. Desde o primeiro mandato, o petista tem estimulado a expansão do crédito, sobretudo para as classes de menor poder aquisitivo, numa espécie de política de contraponto ao rigor monetário do BC. Na visão de Lula, não faz sentido, política e economicamente, adotar medidas hostis a esse público agora. Em conversa reservada, o presidente chegou a levantar dúvida sobre a eficiência delas para evitar eventual alta dos juros. O crédito tem crescido mais de 25% ao ano no Brasil. A intenção de Lula é que ele continue a crescer.
Esforço fiscal
No primeiro mandato, Lula tomou atitudes para tentar impedir a alta dos juros e não conseguiu. Em 2004, por exemplo, elevou oficialmente o esforço fiscal para dar argumento ao BC para não subir a Selic. Não teve sucesso. Mantega confirmou, porém, que chamou os banqueiros para uma reunião amanhã, para saber se o crescimento do crédito não implicaria riscos para a saúde do sistema financeiro nacional. O ministro perguntará se não há falta de garantias nos financiamentos de pessoas físicas.
`Se o setor financeiro me disser que tem segurança nesses créditos, que tem capital suficiente para bancar, então ficarei mais seguro. O setor financeiro brasileiro é muito prudente, tanto que não está envolvido nesta crise internacional`, disse o ministro.
Repórteres: KENNEDY ALENCAR e JULIANA ROCHA
Fonte: Folha de S. Paulo
25/3/2008.