Stand-by gasta até 15% de energia

06/08/2008
Aquela pequena luz vermelha que fica acessa em vários aparelhos eletrônicos é responsável por 10% a 15% do gasto mensal da conta de luz, o chamado stand-by, ou modo de espera. É para mensurar este gasto em cada aparelho eletrônico que o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) lançou ontem o primeiro Programa de Etiquetagem de Stand-by no mundo.

Os primeiros aparelhos a receberem a etiqueta serão as televisões a tubo, seguidas das TVs de plasma e LCD, que devem receber a mesma classificação a partir de agosto de 2009.

O consumidor poderá, com esta medida, conferir na etiqueta qual o aparelho que em stand-by gasta menos energia. A classificação vai de A a D (sendo A o mais eficiente energeticamente).

`Optamos pelas televisões convencionais por serem um aparelho de grande consumo em toda a sociedade`, informa Dino Lameira, engenheiro do Inmetro.

Lameira lembra que esta é uma energia subaproveitada, que não traz nenhum benefício direto para o consumidor, a não ser o incômodo de ter que ligar os aparelhos nas tomadas.

TESTE DE DESEMPENHO - Todos os fabricantes submeteram seus aparelhos a um teste no Inmetro e agora os produtos deverão sair obrigatoriamente de fábrica com a etiqueta referente ao seu desempenho.

`Vamos disponibilizar no site a partir deste mês a lista com todos os produtos e valores. Mas, depois de termos delimitado um produto como D (a pior classificação), o fabricante pode ter feito melhorias. E a nossa intenção é esta: que os fabricantes se preocupem em produzir uma TV melhor em relação ao gasto de energia`, avalia Lameira.

É esta preocupação dos fabricantes que diminuirá a conta de luz dos que não se preocupam com esta questão, como Lívia Braz. A consumidora não se incomoda em desligar o stand-by e assume que todos os eletrônicos na sua casa ficam acesos. `Não acredito na eficiência destas etiquetas e não presto atenção neste aspecto na hora de comprar um produto`, admite Lívia.

ALTO CUSTO - Exatamente por este motivo é que Oswaldo Soliano, professor do mestrado em regulação da indústria de energia da Unifacs, lembra que o selo é uma medida excelente, mas junto com seu lançamento tem que ser pensado um processo de conscientização da sociedade.

`Muitas pessoas preferem comprar uma geladeira que não tem o selo Procel (selo que indica um bom desempenho energético com menor gasto de energia), para comprar uma que é mais barata. É o barato que vai sair caro na conta de luz`, pondera o professor.

Soliano fez o cálculo de um aparelho que gasta 10 watts (como um conversor de TV por assinatura) no modo stand-by. No final do mês serão 7.200 watts/hora na conta de luz, o que pode representar até 10% do gasto de uma residência em um único aparelho. `Se uma pessoa tiver uma TV, um DVD, um home teather e um conversor de TV por assinatura representará um gasto de quase R$ 20 no mês só destes aparelhos`, ressalta Soliano.

RESULTADOS - O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) fez um teste para avaliar o gasto das televisões (de tubo, plasma e LCD), dos DVDs e dos conversores de TV por assinatura no modo stand-by. Os conversores de TV por assinatura foram os que apresentaram os piores resultados, com um índice de gasto energético semelhante ao aparelho em funcionamento.

Já as TVs, de modo geral, já apresentam um consumo menor e muitas delas receberam a classificação A. `Entendemos que deve haver uma pró-atividade das empresas na fabricação de aparelhos que tenham um baixo consumo de energia no modo espera`, acrescenta Lisa Gunn, coordenadoraexecutiva do Idec.

Ela acrescenta que esta economia não é importante apenas para o bolso, mas também para reduzir a demanda de energia.

Por hora, o consumidor pode tirar os aparelhos da tomada sempre que possível e questionar os fabricantes antes de comprar os aparelhos eletrônicos.

`Pode olhar no site, mandar um e-mail, ou olhar no manual qual é o gasto no modo stand-by`, recomenda Lisa.

Fonte: A Tarde

06/08/08