Brigadeiro é indicado para presidir Infraero

11/12/2008
O governo escolheu uma solução provisória para a troca de comando na Infraero. Opositor ferrenho da privatização de aeroportos, o presidente Sérgio Gaudenzi acertou com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, sua saída da estatal no próximo dia 19. Ele será substituído pelo brigadeiro Cleonilson Nicácio da Silva, atual diretor de operações da Infraero.

Nicácio terá como missão garantir a tranqüilidade nos aeroportos durante as festividades de fim de ano e alta temporada, incluindo feriados como Carnaval e Semana Santa. Mas a indicação é uma espécie de interinidade prolongada, já que o governo não conseguiu encontrar um executivo para administrar a estatal. O último sondado, Guilherme Laager, ex-diretor da Vale e ex-presidente da Varig, não topou. Antes dele, quando Jobim chegou ao ministério, em julho de 2007, Rossano Maranhão, que presidiu o Banco do Brasil no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, havia recusado o convite.

O brigadeiro Nicácio deverá ficar no cargo, no máximo, até julho de 2009. Esse é o limite para que volte aos quadros da Aeronáutica. Mesmo na Infraero, subordinada ao Ministério da Defesa, ele está tecnicamente em licença e tem um prazo para retornar à FAB - se não o fizer, entra compulsoriamente para a reserva. Nicácio tem um motivo bastante forte para não perder o prazo de retorno: ele é um dos oficiais mais cotados para suceder o brigadeiro Juniti Saito no comando da Aeronáutica a partir de 2011, quando se tornará o mais antigo entre os integrantes do Alto Comando da FAB - e o critério adotado pelo Palácio do Planalto para nomear o comandante tem sido o de antigüidade.

Gaudenzi, político baiano filiado ao PSB, ainda terá a oportunidade de inaugurar o novo acesso viário ao aeroporto de Salvador. A maior parte do investimento é da Infraero. Ele nunca gozou da confiança da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, mas sua situação tornou-se insustentável quando começou a criticar publicamente a intenção do governo de conceder aeroportos à iniciativa privada. Gaudenzi é defensor da abertura de capital da Infraero e da reestruturação da empresa, nos moldes da Petrobras, com profissionalização da gestão e possivelmente a criação de estatais regionais para administrar os aeroportos.

Curiosamente, o brigadeiro Nicácio também se opõe frontalmente à idéia de privatização, sobretudo em blocos. O governo já iniciou estudos para a concessão do Galeão, de Viracopos e de São Gonçalo do Amarante (Rio Grande do Norte). Mas isso é apenas o primeiro passo e os planos se estendem para outras instalações no futuro, como Confins e Brasília. A principal diferença entre Gaudenzi e Nicácio é a discrição: enquanto o primeiro não foge do debate público, o segundo é um militar obediente, que valoriza ao extremo o respeito à hierarquia.

Mas o brigadeiro, em caráter reservado, tem dito a pessoas próximas que a concessão de aeroportos é uma idéia absurda e levará a um aumento súbito das tarifas aeroportuárias para empresas aéreas e passageiros.

Também vê com muita preocupação a gestão privada de instalações em que há compartilhamento das atividades comerciais com bases aéreas da Aeronáutica, como é o caso atualmente da maioria dos grandes aeroportos brasileiros - Guarulhos, Galeão, Brasília, Recife e Belém, entre inúmeros outros.

Autor(es): Daniel Rittner

Valor Econômico

- 11/12/2008.