18/12/2008
A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta semana um financiamento superior a R$ 6 bilhões para a construção da usina de geração de energia Santo Antônio. A informação da liberação dos recursos foi repassada por diretores do banco ao consórcio Madeira Energia, que desde setembro constrói a usina hidrelétrica que fica no Rio Madeira, Estado de Rondônia, próximo à capital Porto Velho. Fontes da empresa informaram que a notícia foi comemorada pelos principais executivos do empreendimento que aguardavam ansiosamente a aprovação do empréstimo.
Desde outubro o financiamento de Santo Antônio está sendo amplamente esperado e em mais de uma vez representantes do governo federal falaram publicamente, em seminários, que não havia possibilidades desse empréstimo não sair. E mesmo antes de a diretoria do banco aprovar a operação. Isso porque a usina de Santo Antônio, assim com a de Jirau, ambas no mesmo rio, são fundamentais para o governo fechar as contas do fornecimento de energia barata a partir do ano de 2012, para quando estão previstos para entrar em operação os dois empreendimentos.
Além desses fatores, o próprio risco desse financiamento é considerado baixo em função das garantias da energia já vendida, que assegura uma receita fixa anual aos empreendimentos, e pelo risco de crédito dos próprios sócios. No caso do Madeira Energia, os sócios são Odebrecht, Andrade Gutierrez, Furnas, Cemig e um fundo de investimentos em participações do Banif e Santander.
A importância das usinas do Rio Madeira, que juntas terão uma potência instalada de 6,45 mil MW, foi atestada pelo próprio BNDES no mês de novembro quando o banco garantiu a oferta de linhas de curto prazo, que servem como empréstimo-ponte, para que fosse confirmado o sucesso do leilão das linhas de transmissão que vão transportar a energia a ser gerada em Porto Velho até Araraquara (SP). O chefe de comunicação do banco, Paulo Braga, informou ontem ao Valor, entretanto, que apesar de o empréstimo ter sido discutido durante a reunião da última terça-feira, há algumas pendências e que ele não foi aprovado. De qualquer forma, Braga disse que o tema voltará a ser discutido em reunião de diretoria na próxima semana.
Os mais de R$ 6 bilhões que vão ser liberados ao longo da construção da usina de Santo Antônio representam apenas 50% dos investimentos a serem feitos. Os outros cerca de R$ 6 bilhões serão desembolsados pelos próprios sócios e também pela receita do empreendimento. Até agora, o Madeira Energia está sendo financiado com recursos das sócias Odebrecht e Andrade Gutierrez.
O plano é que em janeiro de 2012 as primeiras turbinas entrem em funcionamento. Como o comprometimento da entrega da energia com o governo é apenas em dezembro, tudo o que for gerado antes disso pode ser vendido no mercado livre. A expectativa da empresa é conseguir fechar contratos com preços mais atrativos do que os firmados no leilão.
Dos 2,2 mil MW médios (que é a energia assegurada e permitida de ser comercializada) de Santo Antônio, 70% foi vendido ao mercado cativo por R$ 78,78 o MW/h. Os outros 30% podem ser negociados livremente. O insumo mais barato para o mercado cativo só foi possível justamente em função do modelo adotado no leilão da usina de Santo Antônio, que permitiu a venda de 30% ao mercado livre. Nos leilões de energia nova do governo, as hidrelétricas vendem 100% de sua energia ao mercado cativo. O último empreendimento leiloado foi a usina de Baixo Iguaçu que entregará sua energia a partir de 2013 por R$ 98 o MW/h, o que mostra que a energia de Santo Antônio ficou abaixo do preço.
A energia a ser gerada por Jirau, que pertence ao consórcio capitaneado pelo GDF Suez, será ainda mais barata pois foi vendida por R$ 71,40 em meio à polêmica de alteração do local do projeto.
Também a usina de Jirau, que foi leiloada em maio e terá potência instalada de 3,3 mil MW, pleiteia o financiamento do BNDES. Mas por enquanto é a de Santo Antônio que marcará a história dos empréstimos concedidos pelo banco. O montante é um dos maiores já liberados pelo BNDES e o maior do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em que está enquadrado a hidrelétrica.
Neste momento de demissões por conta da crise, o governo tem dito que é o PAC que vai garantir os empregos. No caso do Madeira Energia, desde setembro o consórcio contratou dois mil trabalhadores. Ao longo de 2009 novas contratações serão feitas até que se chegue ao total de quatro mil em 2010. No auge da obra o número vai chegar a 12 mil. A mão-de-obra usada em Santo Antônio tem sido basicamente recrutada entre a população local. A obra está em fase inicial, mas as ensecadeiras já estão sendo formadas ao longo do rio.
O consórcio Madeira Energia foi procurado para falar sobre o assunto e por meio de sua assessoria de imprensa informou que não teria nada a declarar.
Autor(es): Josette Goulart
Valor Econômico
- 18/12/2008.
Desde outubro o financiamento de Santo Antônio está sendo amplamente esperado e em mais de uma vez representantes do governo federal falaram publicamente, em seminários, que não havia possibilidades desse empréstimo não sair. E mesmo antes de a diretoria do banco aprovar a operação. Isso porque a usina de Santo Antônio, assim com a de Jirau, ambas no mesmo rio, são fundamentais para o governo fechar as contas do fornecimento de energia barata a partir do ano de 2012, para quando estão previstos para entrar em operação os dois empreendimentos.
Além desses fatores, o próprio risco desse financiamento é considerado baixo em função das garantias da energia já vendida, que assegura uma receita fixa anual aos empreendimentos, e pelo risco de crédito dos próprios sócios. No caso do Madeira Energia, os sócios são Odebrecht, Andrade Gutierrez, Furnas, Cemig e um fundo de investimentos em participações do Banif e Santander.
A importância das usinas do Rio Madeira, que juntas terão uma potência instalada de 6,45 mil MW, foi atestada pelo próprio BNDES no mês de novembro quando o banco garantiu a oferta de linhas de curto prazo, que servem como empréstimo-ponte, para que fosse confirmado o sucesso do leilão das linhas de transmissão que vão transportar a energia a ser gerada em Porto Velho até Araraquara (SP). O chefe de comunicação do banco, Paulo Braga, informou ontem ao Valor, entretanto, que apesar de o empréstimo ter sido discutido durante a reunião da última terça-feira, há algumas pendências e que ele não foi aprovado. De qualquer forma, Braga disse que o tema voltará a ser discutido em reunião de diretoria na próxima semana.
Os mais de R$ 6 bilhões que vão ser liberados ao longo da construção da usina de Santo Antônio representam apenas 50% dos investimentos a serem feitos. Os outros cerca de R$ 6 bilhões serão desembolsados pelos próprios sócios e também pela receita do empreendimento. Até agora, o Madeira Energia está sendo financiado com recursos das sócias Odebrecht e Andrade Gutierrez.
O plano é que em janeiro de 2012 as primeiras turbinas entrem em funcionamento. Como o comprometimento da entrega da energia com o governo é apenas em dezembro, tudo o que for gerado antes disso pode ser vendido no mercado livre. A expectativa da empresa é conseguir fechar contratos com preços mais atrativos do que os firmados no leilão.
Dos 2,2 mil MW médios (que é a energia assegurada e permitida de ser comercializada) de Santo Antônio, 70% foi vendido ao mercado cativo por R$ 78,78 o MW/h. Os outros 30% podem ser negociados livremente. O insumo mais barato para o mercado cativo só foi possível justamente em função do modelo adotado no leilão da usina de Santo Antônio, que permitiu a venda de 30% ao mercado livre. Nos leilões de energia nova do governo, as hidrelétricas vendem 100% de sua energia ao mercado cativo. O último empreendimento leiloado foi a usina de Baixo Iguaçu que entregará sua energia a partir de 2013 por R$ 98 o MW/h, o que mostra que a energia de Santo Antônio ficou abaixo do preço.
A energia a ser gerada por Jirau, que pertence ao consórcio capitaneado pelo GDF Suez, será ainda mais barata pois foi vendida por R$ 71,40 em meio à polêmica de alteração do local do projeto.
Também a usina de Jirau, que foi leiloada em maio e terá potência instalada de 3,3 mil MW, pleiteia o financiamento do BNDES. Mas por enquanto é a de Santo Antônio que marcará a história dos empréstimos concedidos pelo banco. O montante é um dos maiores já liberados pelo BNDES e o maior do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em que está enquadrado a hidrelétrica.
Neste momento de demissões por conta da crise, o governo tem dito que é o PAC que vai garantir os empregos. No caso do Madeira Energia, desde setembro o consórcio contratou dois mil trabalhadores. Ao longo de 2009 novas contratações serão feitas até que se chegue ao total de quatro mil em 2010. No auge da obra o número vai chegar a 12 mil. A mão-de-obra usada em Santo Antônio tem sido basicamente recrutada entre a população local. A obra está em fase inicial, mas as ensecadeiras já estão sendo formadas ao longo do rio.
O consórcio Madeira Energia foi procurado para falar sobre o assunto e por meio de sua assessoria de imprensa informou que não teria nada a declarar.
Autor(es): Josette Goulart
Valor Econômico
- 18/12/2008.