Sistema multimodal de transportes do São Francisco: solução logística para escoamento da produção do oeste baiano

13/04/2007
sec_mapa.jpgO projeto de revitalização do Rio São Francisco, do governo federal, prevê uma série de intervenções para resolver a questão da seca no Nordeste e alavancar a economia na região. Uma delas é o sistema multimodal de transportes do São Francisco, que tem como objetivo fazer uma sinergia logística, interligando a hidrovia, as rodovias e as ferrovias para facilitar o escoamento da produção dos principais pólos econômicos nordestinos, em especial, o oeste baiano. De acordo com o secretário estadual de Infra-estrutura, Antonio Carlos Batista Neves, esse sistema atenderá 19 pólos econômicos espalhados por todo Nordeste, sobretudo, em quatro estados: Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí. 'Esse sistema, uma vez implantado, vai interligar o oeste da Bahia até os portos de Aratu, de Pecém (45 km de Fortaleza, no Ceará) e de Suape, em Pernambuco, permitindo um ganho sobre os custos logísticos de transporte da produção, tanto do oeste baiano, quanto da região do Araripe, em Pernambuco, quanto do transporte de algodão para o Pólo Têxtil de Fortaleza', declarou Batista Neves, durante a abertura do II Workshop 'Sistema Multimodal de Transportes do São Francisco', realizado nesta sexta-feira (13), pela Seinfra, no auditório da Fieb (Federação das Indústrias do Estado da Bahia), no Stiep. Na região do São Francisco, existem três modais: um rodoviário que é a BR. 242 (300 km, de Luís Eduardo à Ibotirama); outro hidroviário, que interliga Ibotirama a Juazeiro (700 km); e um modal ferroviário, de Juazeiro a Aratu (500 km). No entanto, a interligação entre eles está justamente na hidrovia. 'O que queremos com este sistema é fazer uma sinergia logística, criando o corredor multimodal do São Francisco para possibilitar, de forma mais eficiente e segura, o escoamento da produção do oeste da Bahia'. , explicou o superintendente de Transportes da Seinfra, Cleyton Miranda Barros. Para a implantação do sistema, foi firmado um convênio entre o governo do Estado, através da Seinfra e da Seplan (Secretaria Estadual de Planejamento) e o governo federal - Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco) e a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco do Parnaíba) - para fazer o estudo de viabilidade, o desenvolvimento de um novo ente gestor da hidrovia e um operador de transporte multimodal na região. Segundo o secretário de Infra-estrutura, está previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), investimentos na ordem de R$ 60 milhões para a realização da dragagem e derrocagem da hidrovia, além de R$ 26 milhões, para a construção do acesso ao porto de Juazeiro até a FCA (Ferrovia Centro Atlântica). 'Além da recuperação da hidrovia, estamos trabalhando na recuperação das estradas vicinais que dão acesso ao Rio São Francisco, para permitir que o modal hidroviário escoe as produções', pontuou Batista Neves. Conforme o diretor de Logística da Seinfra, Mateus da Cunha Dias, a curto prazo, seriam feitas apenas algumas intervenções de menor vulto, como derrocagens dos pedais depois da Barragem de Sobradinho - que pode melhorar a navegação em São Francisco com baixo investimento e também feito de forma rápida -, e o acesso ferroviário ao porto do Moinho Dias Branco, na baía da Aratu, que proporcionaria uma conexão ferroviária entre Juazeiro e o porto de Aratu. 'Em médio e longo prazo, está prevista a construção de grandes troncos ferroviários de interligação com os principais portos do Nordeste'. Os estudos, que estão sendo feitos pelo consórcio entre as empresas Booz Allen, Lojit e, Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados (MMSO) e coordenados pela Seinfra, também tem como objetivo desenvolver um modelo institucional para a administração da hidrovia. 'Seria um operador de transporte multimodal, com a função de fazer o transporte da carga, porta a porta, utilizando os modais rodoviário, ferroviário e hidroviário. Ele se responsabilizaria por um contrato de transporte da carga, do produtor até o destino final, podendo ser tanto para um consumidor interno quanto um porto para exportação', explicou o diretor de Logística. Segundo o diretor da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), Clementino Coelho, o sistema multimodal de transporte do São Francisco vai possibilitar o destravamento dos modais que tem impedido o oeste baiano de crescer a taxas mais aceleradas. 'Esta região, só tem ocupado 1/3 da sua área agricultável por questões de modais competitivos de escoamento e essa é a solução mais rápida, em curto prazo. Temos também a fruticultura em Juazeiro e em Petrolina carecendo também de um modal competitivo, que seria justamente poder usar a ferrovia, ao invés do caminhão. E temos também um fluxo reverso, como os fertilizantes daqui da região de Mataripe, os combustíveis, que no lugar de estarem transitando e deteriorando as precárias estradas brasileiras, poderiam estar na hidrovia e na ferrovia'. Clementino ressalta ainda que com a implantação do sistema, o Nordeste terá um corredor que vai ter um consórcio formatado pelos usuários e liderado pelas grandes empresas de logísticas que estão nestes modais, como a Companhia Vale do Rio Doce (concessionária da Ferrovia Centro Atlântica, que liga Juazeiro a Salvador), a Petrobras, além dos empresários, da iniciativa privada no Oeste da Bahia, carecendo justamente de fretes mais competitivos. 'O nosso objetivo é reabilitar esse transporte intermodal e dar a ele uma função estratégica e um ganho de sinergia ao incorporá-lo a esse corredor, através da lei do operador de transporte multimodal, sancionada pelo governo Lula e que precisa ser colocada em prática'. ASCOM/Seinfra