06/06/2007
Um trabalho arriscado, ganhando menos que um salário mínimo, sem nenhuma perspectiva de melhoria e muito menos de uma aposentadoria.
Esta é a vida de centenas de pessoas que tiram o sustento das pedreiras de Santaluz (município a 258 km de Salvador), no sertão da Bahia. Ontem , parte desses trabalhadores participou de um protesto, bloqueando a rodovia estadual BA-120, tentando chamar a atenção para a situação em que vivem.
Uniram-se a eles trabalhadores rurais sem-terra ligados à Fundação de Apoio aos Trabalhadores e Agricultores Familiares da Região do Sisal e SemiAacute;rido da Bahia (Fatres).
As principais reivindicações são novos assentamentos, infraestrutura e assistência técnica nos já existentes.
`Há sete anos, temos 400 famílias acampadas em beira de estradas.
No total, necessitamos assentar duas mil famílias até 2008`, informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santaluz, José Hamilton da Silva, ao discursar no meio da pista, em um carro de som.
Os trabalhadores rurais e das pedreiras fecharam a estrada por volta das 8 horas, no trecho entre Valente e Santaluz. Eles só permitiram a passagem de ambulâncias ou outros veículos cujos passageiros provassem a urgência da viagem.
Policiais rodoviários estaduais estiveram no local apenas observando a movimentação.
PEDREIRAS - Os trabalhadores das pedreiras querem melhores condições de segurança e, principalmente, uma alternativa para que possam contar com um auxíliodoença ou uma aposentadoria. Nenhum deles recolhe ao INSS, alegando que o ganho de R$ 80 a R$ 90 por semana mal garante o sustento da família.
Eles afirmam que só contam com melhores condições de trabalhos em épocas eleitorais, quando os políticos oferecem óculos, protetores de ouvido, luvas, capacetes e até compressores que facilitam o corte das pedras. `Depois das últimas eleições, quando o governo perdeu, levaram todos os compressores que trouxeram`, conta Rosenildo de Jesus, 29 anos de idade, dos quais 15 são dedicados a essa profissão.
Há 25 anos trabalhando nas pedreiras, José da Silva Santos, 47 anos, diz que os cortes feitos numa pedra com compressor são realizados em poucos minutos, e exigem de três a quatro horas se feitos manualmente com talhadeira.
Os trabalhadores cortam as pedras principalmente para produzir paralelepípedos usados em pavimentações e alicerces, ou para serem trituradas, em pedreiras industriais, na produção de britas.
Os estilhaços das pedras causam minúsculos ferimentos e afetam os olhos. As mãos ficam cheias de calos e cortes, porque as pedras ficam com faces amoladas depois de cortadas. `Nem sempre recebemos tudo em dinheiro na hora. Às vezes, ganhamos metade em vale para comprar comida`, lamenta José da Silva Santos.
Fonte: Jornal A Tarde
- LUCIANO AGUIAR
laguiar@grupoatarde.com.br
Em 6/06/2007.
Esta é a vida de centenas de pessoas que tiram o sustento das pedreiras de Santaluz (município a 258 km de Salvador), no sertão da Bahia. Ontem , parte desses trabalhadores participou de um protesto, bloqueando a rodovia estadual BA-120, tentando chamar a atenção para a situação em que vivem.
Uniram-se a eles trabalhadores rurais sem-terra ligados à Fundação de Apoio aos Trabalhadores e Agricultores Familiares da Região do Sisal e SemiAacute;rido da Bahia (Fatres).
As principais reivindicações são novos assentamentos, infraestrutura e assistência técnica nos já existentes.
`Há sete anos, temos 400 famílias acampadas em beira de estradas.
No total, necessitamos assentar duas mil famílias até 2008`, informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santaluz, José Hamilton da Silva, ao discursar no meio da pista, em um carro de som.
Os trabalhadores rurais e das pedreiras fecharam a estrada por volta das 8 horas, no trecho entre Valente e Santaluz. Eles só permitiram a passagem de ambulâncias ou outros veículos cujos passageiros provassem a urgência da viagem.
Policiais rodoviários estaduais estiveram no local apenas observando a movimentação.
PEDREIRAS - Os trabalhadores das pedreiras querem melhores condições de segurança e, principalmente, uma alternativa para que possam contar com um auxíliodoença ou uma aposentadoria. Nenhum deles recolhe ao INSS, alegando que o ganho de R$ 80 a R$ 90 por semana mal garante o sustento da família.
Eles afirmam que só contam com melhores condições de trabalhos em épocas eleitorais, quando os políticos oferecem óculos, protetores de ouvido, luvas, capacetes e até compressores que facilitam o corte das pedras. `Depois das últimas eleições, quando o governo perdeu, levaram todos os compressores que trouxeram`, conta Rosenildo de Jesus, 29 anos de idade, dos quais 15 são dedicados a essa profissão.
Há 25 anos trabalhando nas pedreiras, José da Silva Santos, 47 anos, diz que os cortes feitos numa pedra com compressor são realizados em poucos minutos, e exigem de três a quatro horas se feitos manualmente com talhadeira.
Os trabalhadores cortam as pedras principalmente para produzir paralelepípedos usados em pavimentações e alicerces, ou para serem trituradas, em pedreiras industriais, na produção de britas.
Os estilhaços das pedras causam minúsculos ferimentos e afetam os olhos. As mãos ficam cheias de calos e cortes, porque as pedras ficam com faces amoladas depois de cortadas. `Nem sempre recebemos tudo em dinheiro na hora. Às vezes, ganhamos metade em vale para comprar comida`, lamenta José da Silva Santos.
Fonte: Jornal A Tarde
- LUCIANO AGUIAR
laguiar@grupoatarde.com.br
Em 6/06/2007.