GOVERNO E PETROBRAS TERÃO DE SE EXPLICAR PARA DEPUTADOS

10/08/2007
Governo, Petrobras e a Suzano Petroquímica terão que explicar o negócio entre as duas empresas em audiência pública na Câmara dos Deputados no dia 22. A oferta feita pela Petrobras para adquirir a Suzano Petroquímica está causando desconfiança no mercado, no Congresso e no governo.

Além da Câmara dos Deputados, já estão envolvidos em apurações sobre a legalidade da operação a CVM (Comissão de Valores Imobiliários) e o TCU (Tribunal de Contas da União).

O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, o ministro das Minas e Energia, Nelson Hubner, a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o presidente do Conselho Administrativo do Grupo Suzano, David Feffer, e a presidente da CVM, Maria Helena dos Santana, vão explicar a deputados na Comissão de Minas e Energia o valor oferecido à Suzano e a estratégia da estatal para atuar no setor petroquímico.

O presidente da Comissão de Minas e Energia, deputado José Otávio Germano (PP-RS), reuniu em um único requerimento os pedidos de três deputados que tinham diferentes demandas. O deputado João Almeida (PSDB-BA) quer explicações sobre o valor do negócio. De acordo com seu requerimento, a Petrobras pagou R$ 13,44 por cada ação ordinário e R$ 10,76 por cada ação preferencial, valores que ele alega estarem acima do mercado. Além disso, a Petrobras teria assumido dívidas da Suzano Petroquímica que totalizam R$ 1,4 bilhão.

A CVM já abriu investigação para apurar a possibilidade de vazamento de informações privilegiadas sobre a venda da Suzano Petroquímica para a Petrobras, o teria aumentado o valor das ações da empresa. O TCU também vai investigar o negócio. O ministro Augusto Nardes alega em sua proposta que a investigação deve ser feita para `proteger o Erário de um dano eventual e, em última instância, examinar as condições mercadológicas em que se processou a referida transação`..

Segundo Nardes, a investigação do TCU ficará a cargo da Secretaria de Fiscalização de Desestatização (Sefid) e da Secretaria de Controle Externo do Tribunal. A investigação terá como base os estudos que o banco ABN Amro fez sobre a avaliação financeira da Suzano Petroquímica. O preço pago pela Petrobras foi de R$ 2,7 bilhões, considerado excessivo pelo mercado. Se for confirmado que a oferta está muito acima do valor de mercado, o tribunal poderá pedir a retenção dos recursos. Isso impediria a Petrobras de fazer a liquidação da compra. O prazo para a conclusão do negócio é de 60 dias. Em seu requerimento, o deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP) pedia explicações a atuação da Petrobras no setor.

Fonte: Fonte: Jornal Correio Braziliense

Cláudia Dianni e Rivadavia Severo

Em 10/08/2007.