Série de encontros une governo sociedade em prol do Topa

21/08/2007
`Para sair do ciclo da pobreza, é preciso alfabetizar a população`, afirmou hoje (20) o secretário estadual da Educação, Adeum Sauer, durante o I Encontro Regional do Programa Todos pela Alfabetização (Topa), em Ilhéus. A Secretaria da Educação tem como meta alfabetizar pelo menos um milhão de baianos com idade superior a 15 anos até o final da gestão, sendo cem mil até o final deste ano. Sauer enfatizou, diante público de cerca de 500 pessoas, que a alfabetização deve ser encarada como meio para a democracia e para a inclusão social.

O encontro, realizado no auditório da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), abriu oficialmente o calendário de reuniões regionais, previsto para acontecer amanhã (21) em Vitória da Conquista, quarta-feira (22) em Feira de Santana, quinta (23) em Cruz das Almas (23) e, sexta-feira (24), em Salvador. O objetivo é integrar parceiros, socializar ações e promover diálogo com outros segmentos da sociedade organizada para unir esforços em torno do programa.

Apesar de ocupar a sexta posição entre os estados brasileiros no ranking nacional da economia, é na Bahia onde se registra o maior índice absoluto de analfabetismo do país. São 2,1 milhões analfabetos com idade superior a 15 anos, o que representa, segundo o IBGE (Censo 2005), 18,8% da população do estado nesta mesma faixa etária. Os idosos estão no centro desta preocupação das autoridades baianas. O índice de analfabetismo entre os que têm mais de 50 anos é de 42,7%.

`O nosso desafio é também inserir idosos, porque a educação é um direito de todos e não prescreve com a idade`, disse a coordenadora do Topa no estado, Francisca Eleni Alves. `Nós estamos numa sociedade globalizada, de intenso fluxo de comunicação. Mas ainda há pessoas que não dominam os códigos elementares da escrita, uma dívida social histórica que estamos começando a resgatar`, completou Adeum Sauer. Para o secretário estadual da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Geraldo Simões - que também participou do ato - a equipe do governador Jaques Wagner vai trabalhar em conjunto para que o estado deixe de ostentar o título de campeão nacional do analfabetismo.

Nesta primeira etapa, que vai começar em setembro, o governo previa atender a 100 mil baianos. Mas a procura superou a meta. 296 mil pessoas inscreveram-se no programa. Para atender a este público, o governo já conta com a parceria de 354 dos 417 municípios baianos e mais 160 entidades ligadas aos movimentos populares. As universidades baianas farão a capacitação dos alfabetizadores. Na reunião da Uesc, os movimentos populares foram representados por artistas, índios Tupinambá e Pataxó Hã-Hã-Hãe, Movimento Negro Unificado, Associação dos Municípios da Região Cacaueira da Bahia (Amurc), clubes de serviço e ONGs, a exemplo do Grupo de Apoio e Prevenção a Aids (Gapa).

O Pró-Reitor de Extensão da Uesc, Raimundo Bonfim, destacou que o combate ao analfabetismo é uma forma de inclusão social auto-sustentável. `É uma rica possibilidade do cidadão caminhar com dignidade, com as próprias pernas`. A meta do governo da Bahia é ir além da alfabetização e encaminhar, pelo menos, 60% do público beneficiado pelos programas regulares do ensino fundamental para o de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para isso, vai investir R$ 370 milhões até 2010.

A coordenação do programa já realizou reuniões técnicas com as Direc de todo o estado para definir estratégias de atuação. Na 6ª. Diretoria Regional de Educação (Ilhéus), com abrangência em outros sete municípios do sul da Bahia - Arataca, Uruçuca, Canavieiras, Itacaré, Una, Santa Luzia e Mascote - já foram cadastrados 355 professores e 4.300 alunos, distribuídos em 16 entidades.

O número surpreende antes mesmo de as prefeituras regionais apresentarem o seu cadastro definitivo. `O diferencial do Topa é que ele tem um viés de participação popular, busca criar cumplicidade entre governo e movimentos populares`, explica o professor Edinei Mendonça, diretor regional.

Fonte: Agecom

20/08/07