28/04/2008
Os infectados foram conduzidos ao Hospital Couto Maia, no bairro de Monte Serrat, onde estão internados.
Ainda de acordo com a secretaria, pelo menos 29 pessoas foram infectadas com a forma mais temida da doença em todo o território baiano até a última sexta-feira, data do levantamento mais atualizado.
Já o número de casos de dengue clássica, também até a última sexta, chega a 18,4 mil, contra aproximadamente 14,1 mil registrados no Estado durante todo o período de 2007.
Ou seja, apenas nos primeiros quatro meses do ano, o volume de pessoas infectadas com a forma mais leve da doença supera em pouco mais de 30% o total de casos observados no ano anterior, conforme a própria Sesab.
A chamada dengue clássica aponta um quadro clínico variável.
Dentre os sintomas, estão febre, que pode chegar a 40 graus, além de dor de cabeça e nas articulações.
Os infectados ainda se queixam de falta de apetite e indisposição. Já a forma mais temida da doença, dengue grave, ou hemorrágica, como é conhecida vulgarmente, provoca baixa pressão arterial e sangramentos, podendo levar o paciente à morte.
Um dos casos de dengue hemorrágica confirmados ontem foi o da garota A.C.S.S. (a pedido da família, o nome não pôde ser divulgado), de 6 anos de idade. As tias, Aline Souza, 29 anos, e Raquel Paixão, 40, além da avó, Kardelícia Santos, 59, acompanhavam, no Couto Maia, a evolução do quadro de saúde da menina.
Elas relatam que, até a semana passada, a garota estava em visita a parentes no município de Alagoinhas, a 127 km de Salvador, e teria chegado da viagem com os sintomas da dengue. `Mas ela já está bem, apresentou melhora, e esperamos que ela tenha alta nos próximos dias`, diz a tia, Raquel.
Os outros casos de dengue hemorrágica confirmados são Eliezer Rodrigues da Silva Santos, de 15 anos, morador de Periperi; Rebeca Ferreira Aguiar, de 6 anos, residente em Itapetinga; Maila Rocha dos Santos, de 13 anos, residente no município de Tucano (localizado no nordeste baiano); além de Alice Souza, de apenas 11 meses, também residente na cidade de Tucano.
SUSPEITA - A jovem Maria Domingas, de 24 anos, também está internada no Couto Maia. Ela mora no bairro de Sussuarana Velha e deu entrada na unidade de saúde no último dia 16. De acordo com a Sesab, a suspeita inicial era de leptospirose, mas os exames foram negativos, até que novos testes confirmaram a dengue. Até o fechamento desta edição, não foi possível confirmar se a a infecção de Maria é da forma grave.
O volume de pessoas com dengue grave é preocupante, pois foram 29 casos apurados até a sexta-feira, contra 54 confirmados em todo o período de 2007.
Do total de casos de dengue clássica no Estado, até a última sexta, 787 foram registrados em Salvador. Apesar do avanço do volume de casos em 2008, o período de maior pico da dengue em território baiano foi em 2002, quando houve 87,2 mil casos, 22,8 mil em Salvador.
Primeiros diagnosticados passam bem
Os três pacientes diagnosticados com dengue grave (hemorrágica) em Salvador, semana passada, tiveram melhoras significativas.
Yan Rasteli Moreira, de 8 anos, recebeu alta do Hospital Ernesto Simões por volta das 11h de ontem. A outra criança que tem diagnóstico de dengue grave, Gabriel Medeiros Mercuri, de 6 anos, por sua vez, ainda está internada na UTI do Hospital Aliança, mas está se recuperando bem, de acordo com sua mãe, Creuza Medeiros Mercuri. Ela, no entanto, entende que o bom atendimento recebido por seu filho é uma exceção: `A recuperação é porque ele tem uma boa assistência médica, com plano de saúde. Imagine o que acontece com as crianças que não têm essa oportunidade`, indaga.
O quadro de saúde do holandês Yukio Agerkop, de 35 anos, que foi internado na última sextafeira na UTI do Hospital Geral do Estado, já não apresenta gravidade, segundo os médicos que o acompanham.
ESGOTO A CÉU ABERTO
Moradores e comerciantes de Fazenda Coutos 3 e Jardim Valéria, no subúrbio ferroviário de Salvador, enfrentam um problema, que persiste já há um ano, conforme relatos de populares. Um esgoto a céu aberto corta a BA-528 (Estrada do Derba) exatamente no ponto que serve de entrada para esses bairros.
Há, no local, muitos buracos, que forçam os condutores de carros pequenos a passarem em segunda ou primeira marcha.
Ainda assim, nem todos conseguem escapar da buraqueira. A água suja empoçada acaba respingando nos pedestres.
CONTRAMÃO - Para fugir do obstáculo, motoristas saem da pista de rolamento e sobem em um trecho de terra batida onde seria a calçada - que ainda não foi pavimentada. Já no sentido Águas Claras, o calçamento existe e é comum ver carros cruzarem na contramão para evitar danos materiais, que podem ser causados pelos buracos.
O trecho danificado fica defronte a um ponto de ônibus, onde pedestres enfrentam o mau cheiro. A movimentação de caminhões também é intensa, e, para fugir dos buracos, os motoristas acabam `fechando` os carros de passeio.
OFICINA - Quem não toma cuidado vai parar na oficina mais próxima. `Eu vacilei, passei aí e empenei (sic) a jante. Esses dias, um cara veio desavisado e o pára choque ficou`, conta Valmor Santana. Ele mora nas proximidades e tem uma churrascaria do outro lado da rodovia, perto da área mais crítica.
`Os técnicos já vieram aqui esses dias, olharam, tiraram foto, mas continua a mesma coisa, nem os buracos vieram tampar`, informa, sem saber precisar se tais técnicos eram do Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia (Derba).
O Derba informou, pela assessoria de comunicação, que o asfalto da BA-528 passará por reformas, mas não sabe afirmar se o trecho em questão será contemplado.
Às vezes, a vizinhança tenta atenuar o problema. Mozart Leonardo Oliveira trabalha em uma casa de material de construção a três metros do local. `Começou com um buraquinho, a gente aqui botava entulho (para tapar), só que a água leva`, relata. Segundo ele, passar com o caminhão carregado por ali é sinônimo de muitas dificuldades.
DESPERTADOR - As falhas no asfalto servem também como despertador para José Roberto Barbosa, morador de Fazenda Coutos 3. `Eu pego o ônibus pra voltar pra casa. Aí, quando a viagem demora, você até relaxa, tira um cochilo. Mas quando chega aqui eu acordo por causa da buraqueira e já sei que é meu ponto`, ilustra.
O histórico da política deixa José Roberto atento. `É ano de eleição, aí eles jogam uma borra de asfalto para tapear. Mas depois vem a chuva e fica assim de novo`, reclama.
Apesar de as chuvas aumentarem o vão dos buracos, a causa dos estragos vem da água fétida que cai na BA-528 a poucos metros do local mais crítico, derivado do esgoto de casas próximas.
Antes da ocupação daquele trecho pelos atuais moradores, o esgoto corria para uma vala, que passa por baixo da rodovia.
Após a construção de algumas residências e o conseqüente bloqueio do curso natural do escoamento, o esgoto passou a correr a céu aberto e desaguar às margens da estrada.
Quando a vala entope ou chove muito, a vazão de resíduos aumenta e contribui para a formação dos buracos na pista. `Tem vezes que pára, depois começa a rolar de novo essa água aqui`, atesta Carlos Pereira, morador de Jardim Valéria.
CRATERA - A aproximadamente 200 metros dali, também na rodovia, o asfalto cedeu e formou uma cratera, que toma todo o acostamento e parte da pista sentido Águas Claras. O local está interditado com dois cones, mas o perigo é constante.
Caminhões e ônibus não conseguem passar sem invadir a pista vizinha, de sentido oposto. Pedestres e ciclistas não têm por onde passar, a não ser a pista de rolamento. Em frente ao local danificado, ficam residências, ponto de ônibus e barracas.
Enquanto esperam por uma reforma oficial, moradores da região colocaram sacos de areia para conter o solo. Acidentes ainda não ocorreram. `Por isso que ainda não consertaram, porque não morreu ninguém. Quando descer um ônibus ali, vão consertar`, protesta a barraqueira Sônia Maria Viana.
Funcionários da Embasa não foram localizados por A TARDE para explicar por que o esgoto corre a céu aberto naquele trecho da BA-528.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórteres: GUIRRE PEIXOTO HERBEM GRAMACHO e LUIZ SOUZA
Em 28/04/2008.
Ainda de acordo com a secretaria, pelo menos 29 pessoas foram infectadas com a forma mais temida da doença em todo o território baiano até a última sexta-feira, data do levantamento mais atualizado.
Já o número de casos de dengue clássica, também até a última sexta, chega a 18,4 mil, contra aproximadamente 14,1 mil registrados no Estado durante todo o período de 2007.
Ou seja, apenas nos primeiros quatro meses do ano, o volume de pessoas infectadas com a forma mais leve da doença supera em pouco mais de 30% o total de casos observados no ano anterior, conforme a própria Sesab.
A chamada dengue clássica aponta um quadro clínico variável.
Dentre os sintomas, estão febre, que pode chegar a 40 graus, além de dor de cabeça e nas articulações.
Os infectados ainda se queixam de falta de apetite e indisposição. Já a forma mais temida da doença, dengue grave, ou hemorrágica, como é conhecida vulgarmente, provoca baixa pressão arterial e sangramentos, podendo levar o paciente à morte.
Um dos casos de dengue hemorrágica confirmados ontem foi o da garota A.C.S.S. (a pedido da família, o nome não pôde ser divulgado), de 6 anos de idade. As tias, Aline Souza, 29 anos, e Raquel Paixão, 40, além da avó, Kardelícia Santos, 59, acompanhavam, no Couto Maia, a evolução do quadro de saúde da menina.
Elas relatam que, até a semana passada, a garota estava em visita a parentes no município de Alagoinhas, a 127 km de Salvador, e teria chegado da viagem com os sintomas da dengue. `Mas ela já está bem, apresentou melhora, e esperamos que ela tenha alta nos próximos dias`, diz a tia, Raquel.
Os outros casos de dengue hemorrágica confirmados são Eliezer Rodrigues da Silva Santos, de 15 anos, morador de Periperi; Rebeca Ferreira Aguiar, de 6 anos, residente em Itapetinga; Maila Rocha dos Santos, de 13 anos, residente no município de Tucano (localizado no nordeste baiano); além de Alice Souza, de apenas 11 meses, também residente na cidade de Tucano.
SUSPEITA - A jovem Maria Domingas, de 24 anos, também está internada no Couto Maia. Ela mora no bairro de Sussuarana Velha e deu entrada na unidade de saúde no último dia 16. De acordo com a Sesab, a suspeita inicial era de leptospirose, mas os exames foram negativos, até que novos testes confirmaram a dengue. Até o fechamento desta edição, não foi possível confirmar se a a infecção de Maria é da forma grave.
O volume de pessoas com dengue grave é preocupante, pois foram 29 casos apurados até a sexta-feira, contra 54 confirmados em todo o período de 2007.
Do total de casos de dengue clássica no Estado, até a última sexta, 787 foram registrados em Salvador. Apesar do avanço do volume de casos em 2008, o período de maior pico da dengue em território baiano foi em 2002, quando houve 87,2 mil casos, 22,8 mil em Salvador.
Primeiros diagnosticados passam bem
Os três pacientes diagnosticados com dengue grave (hemorrágica) em Salvador, semana passada, tiveram melhoras significativas.
Yan Rasteli Moreira, de 8 anos, recebeu alta do Hospital Ernesto Simões por volta das 11h de ontem. A outra criança que tem diagnóstico de dengue grave, Gabriel Medeiros Mercuri, de 6 anos, por sua vez, ainda está internada na UTI do Hospital Aliança, mas está se recuperando bem, de acordo com sua mãe, Creuza Medeiros Mercuri. Ela, no entanto, entende que o bom atendimento recebido por seu filho é uma exceção: `A recuperação é porque ele tem uma boa assistência médica, com plano de saúde. Imagine o que acontece com as crianças que não têm essa oportunidade`, indaga.
O quadro de saúde do holandês Yukio Agerkop, de 35 anos, que foi internado na última sextafeira na UTI do Hospital Geral do Estado, já não apresenta gravidade, segundo os médicos que o acompanham.
ESGOTO A CÉU ABERTO
Moradores e comerciantes de Fazenda Coutos 3 e Jardim Valéria, no subúrbio ferroviário de Salvador, enfrentam um problema, que persiste já há um ano, conforme relatos de populares. Um esgoto a céu aberto corta a BA-528 (Estrada do Derba) exatamente no ponto que serve de entrada para esses bairros.
Há, no local, muitos buracos, que forçam os condutores de carros pequenos a passarem em segunda ou primeira marcha.
Ainda assim, nem todos conseguem escapar da buraqueira. A água suja empoçada acaba respingando nos pedestres.
CONTRAMÃO - Para fugir do obstáculo, motoristas saem da pista de rolamento e sobem em um trecho de terra batida onde seria a calçada - que ainda não foi pavimentada. Já no sentido Águas Claras, o calçamento existe e é comum ver carros cruzarem na contramão para evitar danos materiais, que podem ser causados pelos buracos.
O trecho danificado fica defronte a um ponto de ônibus, onde pedestres enfrentam o mau cheiro. A movimentação de caminhões também é intensa, e, para fugir dos buracos, os motoristas acabam `fechando` os carros de passeio.
OFICINA - Quem não toma cuidado vai parar na oficina mais próxima. `Eu vacilei, passei aí e empenei (sic) a jante. Esses dias, um cara veio desavisado e o pára choque ficou`, conta Valmor Santana. Ele mora nas proximidades e tem uma churrascaria do outro lado da rodovia, perto da área mais crítica.
`Os técnicos já vieram aqui esses dias, olharam, tiraram foto, mas continua a mesma coisa, nem os buracos vieram tampar`, informa, sem saber precisar se tais técnicos eram do Departamento de Estradas e Rodagens da Bahia (Derba).
O Derba informou, pela assessoria de comunicação, que o asfalto da BA-528 passará por reformas, mas não sabe afirmar se o trecho em questão será contemplado.
Às vezes, a vizinhança tenta atenuar o problema. Mozart Leonardo Oliveira trabalha em uma casa de material de construção a três metros do local. `Começou com um buraquinho, a gente aqui botava entulho (para tapar), só que a água leva`, relata. Segundo ele, passar com o caminhão carregado por ali é sinônimo de muitas dificuldades.
DESPERTADOR - As falhas no asfalto servem também como despertador para José Roberto Barbosa, morador de Fazenda Coutos 3. `Eu pego o ônibus pra voltar pra casa. Aí, quando a viagem demora, você até relaxa, tira um cochilo. Mas quando chega aqui eu acordo por causa da buraqueira e já sei que é meu ponto`, ilustra.
O histórico da política deixa José Roberto atento. `É ano de eleição, aí eles jogam uma borra de asfalto para tapear. Mas depois vem a chuva e fica assim de novo`, reclama.
Apesar de as chuvas aumentarem o vão dos buracos, a causa dos estragos vem da água fétida que cai na BA-528 a poucos metros do local mais crítico, derivado do esgoto de casas próximas.
Antes da ocupação daquele trecho pelos atuais moradores, o esgoto corria para uma vala, que passa por baixo da rodovia.
Após a construção de algumas residências e o conseqüente bloqueio do curso natural do escoamento, o esgoto passou a correr a céu aberto e desaguar às margens da estrada.
Quando a vala entope ou chove muito, a vazão de resíduos aumenta e contribui para a formação dos buracos na pista. `Tem vezes que pára, depois começa a rolar de novo essa água aqui`, atesta Carlos Pereira, morador de Jardim Valéria.
CRATERA - A aproximadamente 200 metros dali, também na rodovia, o asfalto cedeu e formou uma cratera, que toma todo o acostamento e parte da pista sentido Águas Claras. O local está interditado com dois cones, mas o perigo é constante.
Caminhões e ônibus não conseguem passar sem invadir a pista vizinha, de sentido oposto. Pedestres e ciclistas não têm por onde passar, a não ser a pista de rolamento. Em frente ao local danificado, ficam residências, ponto de ônibus e barracas.
Enquanto esperam por uma reforma oficial, moradores da região colocaram sacos de areia para conter o solo. Acidentes ainda não ocorreram. `Por isso que ainda não consertaram, porque não morreu ninguém. Quando descer um ônibus ali, vão consertar`, protesta a barraqueira Sônia Maria Viana.
Funcionários da Embasa não foram localizados por A TARDE para explicar por que o esgoto corre a céu aberto naquele trecho da BA-528.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórteres: GUIRRE PEIXOTO HERBEM GRAMACHO e LUIZ SOUZA
Em 28/04/2008.