11/03/2008
Encerrada a greve dos operários da construção civil, no sábado, a reforma do Estádio Metropolitano de Pituaçu voltou a todo o vapor. Dezenas de trabalhadores podiam ser vistos, ontem à tarde, dando seguimento às obras - iniciadas em 21 de janeiro e com conclusão prevista para o final do mês de julho.
Uma novidade, porém, causou estranheza à reportagem: pela primeira vez, desde o início da intervenção, a imprensa foi proibida de entrar no local. `Ordens de cima`, explicou o porteiro Jessé Vasconcelos, sem apresentar maiores detalhes.
Coincidência ou não, a decisão acontece três dias depois de as promotoras Heliete Viana e Rita Tourinho ingressarem com uma ação civil pública requerendo, em caráter liminar (ou seja, com urgência), a suspensão da reforma na praça esportiva.
Motivo: a contratação direta das cinco empresas envolvidas teria sido ilegal, o que motivou, ainda, o pedido de declaração de nulidade dos contratos firmados, no valor total de R$ 12.846.353,00.
O quinteto, cujos nomes foram anunciados no Diário Oficial de 1º de fevereiro (exatamente a sexta-feira de Carnaval), é formado pela Construtora NM Ltda., a Empresa Brasileira de Engenharia S/A (Ebrae), a GHIA Engenharia Ltda., a WB Construções e Montagens Ltda. e a DAG Construtora Ltda.
`O procedimento foi todo despachado num único dia. Saiu da Sudesb, chegou ao gabinete do governador e parou na Conder, responsável pela obra. Muito rápido, não?`, questiona a promotora Rita, acrescentando que sequer houve pronunciamento da Procuradoria do Estado. O processo já foi distribuído para a 5ª Vara da Fazenda Pública, sob a responsabilidade do juiz Ricardo D‘Ávila.
COMELLI - Para justificar a dispensa de licitação, os três interessados alegaram se tratar de uma situação emergencial. A interdição da Fonte Nova estaria prejudicando os eventos desportivos da cidade, além de uma série de atividades econômicas que dela dependiam. O MP não só rebate - afirmando inexistirem os elementos necessários para tanto -, como faz questão de não se colocar contrário à reforma. `Mas queremos que a coisa seja de forma regular`, contemporiza Rita, que diz não ter receio de estar indo de encontro aos anseios da nação tricolor. `As pessoas têm que ser imparciais na vida.
Antes de ser torcedora do Bahia, ela é cidadã e não pode aceitar uma ilegalidade dessas`. Apesar de a situação influenciar diretamente o clube, a diretoria azul, vermelha e branca ainda não sabe se vai tentar fazer algo a respeito. O técnico Paulo Comelli, entretanto, não esconde a insatisfação: `Preocupa.
É desgastante viajar 110 km, todo jogo, para ir a Feira`.
A Assessoria de Comunicação da Sudesb não foi encontrada, enquanto a do governo (Agecom) e a da Conder preferem esperar a primeira notificação judicial para comentar o tema.
Repórter: NELSON BARROS NETO
nbarros@grupoatarde.com.br
Fonte: Jornal A Tarde
Uma novidade, porém, causou estranheza à reportagem: pela primeira vez, desde o início da intervenção, a imprensa foi proibida de entrar no local. `Ordens de cima`, explicou o porteiro Jessé Vasconcelos, sem apresentar maiores detalhes.
Coincidência ou não, a decisão acontece três dias depois de as promotoras Heliete Viana e Rita Tourinho ingressarem com uma ação civil pública requerendo, em caráter liminar (ou seja, com urgência), a suspensão da reforma na praça esportiva.
Motivo: a contratação direta das cinco empresas envolvidas teria sido ilegal, o que motivou, ainda, o pedido de declaração de nulidade dos contratos firmados, no valor total de R$ 12.846.353,00.
O quinteto, cujos nomes foram anunciados no Diário Oficial de 1º de fevereiro (exatamente a sexta-feira de Carnaval), é formado pela Construtora NM Ltda., a Empresa Brasileira de Engenharia S/A (Ebrae), a GHIA Engenharia Ltda., a WB Construções e Montagens Ltda. e a DAG Construtora Ltda.
`O procedimento foi todo despachado num único dia. Saiu da Sudesb, chegou ao gabinete do governador e parou na Conder, responsável pela obra. Muito rápido, não?`, questiona a promotora Rita, acrescentando que sequer houve pronunciamento da Procuradoria do Estado. O processo já foi distribuído para a 5ª Vara da Fazenda Pública, sob a responsabilidade do juiz Ricardo D‘Ávila.
COMELLI - Para justificar a dispensa de licitação, os três interessados alegaram se tratar de uma situação emergencial. A interdição da Fonte Nova estaria prejudicando os eventos desportivos da cidade, além de uma série de atividades econômicas que dela dependiam. O MP não só rebate - afirmando inexistirem os elementos necessários para tanto -, como faz questão de não se colocar contrário à reforma. `Mas queremos que a coisa seja de forma regular`, contemporiza Rita, que diz não ter receio de estar indo de encontro aos anseios da nação tricolor. `As pessoas têm que ser imparciais na vida.
Antes de ser torcedora do Bahia, ela é cidadã e não pode aceitar uma ilegalidade dessas`. Apesar de a situação influenciar diretamente o clube, a diretoria azul, vermelha e branca ainda não sabe se vai tentar fazer algo a respeito. O técnico Paulo Comelli, entretanto, não esconde a insatisfação: `Preocupa.
É desgastante viajar 110 km, todo jogo, para ir a Feira`.
A Assessoria de Comunicação da Sudesb não foi encontrada, enquanto a do governo (Agecom) e a da Conder preferem esperar a primeira notificação judicial para comentar o tema.
Repórter: NELSON BARROS NETO
nbarros@grupoatarde.com.br
Fonte: Jornal A Tarde