Capitalizada, Agrifirma mira `Mapito` e Centro-Oeste

11/11/2011
Capitalizada por um aporte de R$ 130 milhões de um fundo de private equity gerido pela BRZ Investimentos, a Agrifirma faz planos para ampliar suas fronteiras de atuação. Com foco no mercado de terras, e até agora concentrada no oeste da Bahia, a empresa acredita que é hora de abrir o leque e prospectar oportunidades nas regiões de Cerrado de Maranhão, Piauí e Tocantins, o chamado `Mapito`, e no Centro-Oeste.

Constituída em fevereiro de 2008 com o apoio de investidores estrangeiros como RIT Capital Partners e Lord Rothschild, a Agrifirma dedica-se desde sua fundação à aquisição de terras `brutas` e à venda dessas propriedades depois de transformadas em áreas agrícolas desenvolvidas. Antes da `injeção` da BRZ, por meio do fundo Brasil Agronegócio FIP, concluiu o processo de transformação de uma fazenda de 6 mil hectares no município de Barreiras e formou um portfólio de 63 mil hectares dividido em três `clusters` hoje em formação também no oeste baiano.

`Agora queremos consolidar nosso modelo de negócios em uma escala maior`, afirma Julio Bestani, CEO da Agrifirma, da qual foi um dos fundadores. Com o aporte, o fundo gerido pela BRZ, que tem entre seus investidores os principais bancos brasileiros e fundos de pensão do país, assumiu uma posição majoritária na empresa, que foi rebatizada como Agrifirma Brasil Agropecuária Ltda. A antiga Agrifirma Brasil, por sua vez, continua existindo, com seus mesmos investidores, e passou a se chamar Genagro.

Como já está totalmente desenvolvida, a fazenda de 6 mil hectares em Barreiras, a Campo Aberto, que produz grãos, permaneceu sob controle da Genagro, que a arrendou para a Agrifirma Brasil Agropecuária. A Genagro também mantém caixa, estoques e outros ativos financeiros - além da participação minoritária na `nova Agrifirma` -, e pretende continuar investindo no setor agrícola, mantendo os planos para lançar ações em bolsa. Já os três `clusters` em desenvolvimento e seus 63 mil hectares ficaram com a Agrifirma Brasil Agropecuária.

Essas propriedades - as fazendas Rio do Meio, Arrojadinho e Bananal -, informa a BRZ, estão localizadas no oeste da Bahia a cerca de 650 quilômetros ao norte de Brasília, 850 quilômetros a oeste do porto de Salvador e a uma distância de 1,2 mil quilômetros da floresta amazônica. Café, algodão, soja e milho estão entre os produtos cultivados nesses `clusters`. `O Brasil tem um posicionamento único [no setor de agronegócios] em nível mundial. Estamos no lugar certo, no momento certo`, diz Bestani, CEO e diretor da nova Agrifirma Brasil Agropecuária.

`Decidimos pela Agrifirma por causa de seus critérios agrícolas, sociais, trabalhistas e de sustentabilidade, já que nossa ideia é levar ao setor as boas práticas de governança`, diz Nelson Rozental, sócio diretor da BRZ Investimentos, que foi incubada na GP Investimentos e até 2008 era conhecida como GP Administração de Recursos. `Nosso foco não é apenas aquisição de terras, mas agronegócios como um todo`, afirma ele.

Segundo Ricardo Propheta Marques, também sócio e diretor da BRZ, há muitas oportunidades no setor e é preciso ter um portfólio diversificado. De alguma maneira ligados ao campo, o Brasil Agronegócio FIP já investe também em uma empresa florestal e em outra de logística focada em produtos agrícolas. Dos R$ 840 milhões do fundo, cerca de 40% já estão comprometidos, incluindo o aporte de R$ 130 milhões na Agrifirma.

Os sócios da BRZ são econômicos quanto a futuras apostas ligadas ao setor, mas revelam que no momento garimpam oportunidades nos segmentos de alimentos processados e fertilizantes. No modelo de negócios da BRZ, as parcerias com as empresas que recebem investimentos de fundos geridos por ela não são eternas. O prazo de saída, após o retorno dos aportes, pode chegar a sete ou oito anos, prorrogáveis conforme o caso.

Para a Agrifirma Brasil Agropecuária, não está descartada uma abertura de capital no futuro. Como o Brasil Agronegócio FIP é totalmente formado por investidores brasileiros, a BRZ afirma que os projetos de expansão da nova Agrifirma não que serão afetados pelas restrições que serão impostas pelo governo para a aquisição de terras por estrangeiros no país. Essas restrições ainda estão em discussão.

Autor(es): Por Fernando Lopes | De São Paulo.

Valor Econômico - 11/11/2011.