Crise aérea: Malha aérea `foi para o espaço`

03/07/2007
Ao contrário das previsões otimistas feitas por autoridades no final de semana, a aviação no país permaneceu caótica ontem — com 24,7% de vôos atrasados por mais de uma hora e 8,5% cancelados. Uma das vítimas foi o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, que amargou três horas de espera no Aeroporto Internacional JK, em Brasília, para seguir rumo ao Rio de Janeiro. Ele afirmou que `a malha aérea do país inteiro foi para o espaço` no sábado e domingo, tentando explicar que os atrasos estavam relacionados a um efeito cascata.

No Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou providências da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), sobre a situação dos passageiros. `Milton (Zuanazzi, presidente do órgão), pelo amor de Deus, vê esse negócio com as companhias. Do jeito que está não é mais possível continuar`, teria dito Lula, segundo um interlocutor.

Os atrasos no fim de semana são conseqüência de um `fenômeno meteorológico incrível`, na avaliação de Pereira. Ele ressaltou que a saída para a crise está na atuação coordenada da Infraero, da Anac e da Aeronáutica. Mas um plano conjunto ainda não existe. Pereira rechaçou a idéia de criar uma gratificação como forma de incentivar os controladores de vôo. `Dar uma gratificação para uma categoria exclusiva não é uma solução`, argumentou.

Com o afastamento de 14 sargentos, fica cada vez mais distante a desmilitarização do setor, desejada pela categoria. O comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, vai formar 40 tenentes especialistas em controle de vôo — dos quais 25 já estão trabalhando — para assumir a supervisão Cindacta 1, em Brasília. O objetivo da medida é fortalecer a hierarquia e obediência entre a categoria, hoje representada basicamente por sargentos e profissionais civis.

Afastament

Mais dois controladores foram afastados da aviação civil ontem, no Cindacta 3, em Recife. Embora a Aeronáutica não confirme, colegas dos operadores afirmam que os dois foram transferidos porque teriam participado do Encontro Sul-Americano da categoria realizado semana passada em Brasília. Um dos operadores foi realocado na Defesa Aérea, para controlar aeronave militar, e o outro, na Base Aérea de Recife, em uma função administrativa. Segundo relatos, um dos controladores `punidos` teria desmaiado após ser humilhado pelo superior.

O presidente da Federação de Associações de Controladores de Tráfego Aéreo, Carlos Trifilio, começou a cumprir, ontem, a segunda punição. A primeira foi detenção de quatro dias. Agora, ficará preso por 15 dias. A pena inicialmente era de oito dias, mas foi aumentada, sem motivos explícitos. A detenção abre a possibilidade da Aeronáutica abrir um processo administrativo de expulsão contra o sargento.

Fonte: Correio Braziliense

Renata Mariz

3/7/2007.