10/07/2007
O Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel encontra na Bahia a maior área plantada para produção de biocombustível do País.
Dos 246,3 mil hectares de todo o Brasil, 93,7 mil estão em terras baianas, sobretudo em pequenas propriedades agrícolas, a chamada agricultura familiar, base de sustentação do programa. Com isso, o Ministério de Ciência e Tecnologia coloca o Estado no ranking de maior produtor de biodiesel brasileiro.
Atualmente, a Bahia conta com uma fábrica em atividade e mais duas previstas para entrar em operação neste semestre. A Usina Brasil Ecodiesel, localizada no município de Iraquara, está produzindo 360 mil litros diários de biodiesel produzidos a partir do óleo de dendê, da mamona, do amendoim e do girassol.
Conforme o gerente da indústria Edísio Vasconcelos, a produção está sendo escoada para a Bahia e para outros Estados. O biocombustível é vendido para a Petrobras que, através da BR Distribuidora, distribui o biodiesel para outras empresas como a Shell e Ipiranga.
Dois por cento deste biodiesel, que é chamado de B2, é misturado a outros combustíveis fósseis como o óleo diesel.
Para o final deste mês está prevista a entrada em operação da Comanche Biocombustível da Bahia, que pretende produzir 40 milhões de litros/ano a partir da soja, do algodão, do girassol e de sebo animal.
Segundo o diretor da empresa Hilton Barbosa Lima, a previsão é de que a planta seja ampliada no final deste ano e que entre em 2008 com a capacidade de produção elevada para 100 milhões de litros/ ano. `Estamos investindo no plantio de outras matérias-primas como o pinhão manso e a mamona que possuem alto teor de óleo`.
Outra indústria de produção de biodiesel deverá ser inaugurada em 2007, no município de Candeias.
Essa planta vem com grife de peso: Petrobras, e com capacidade de processamento de 50 mil toneladas/ ano. Isso significa que a planta de Candeias produzirá 57 milhões de litros/ano.
Segundo o engenheiro David Leal, do Setor de Biocombustíveis da Petrobras, a proposta é utilizar a matéria-prima produzida na agricultura familiar. `No mínimo 50% da matéria-prima virá desta fonte`, disse. Para tanto, a empresa vem realizando diversas atividades com o objetivo de sensibilizar e mobilizar agricultores para que participem das discussões e se incorporem à cadeia produtiva do biodiesel.
A partir de 2008, a mistura de 2% de biodiesel ao diesel será obrigatória e em 2013, a proporção subirá para 5%. Na unidade da Petrobras, a matéria-prima será do mesmo grupo de oleaginosas utilizado pelas demais indústrias: mamona, dendê, girassol e amendoim.
O engenheiro Adolfo Almeida, da equipe de pesquisadores da Universidade Estadual Santa Cruz (Uesc), acredita no potencial do Estado para a produção do biodiesel a partir do dendê, do algodão e do amendoim, mas questiona a utilização da mamona como matér ia-pr ima.
Integrante da equipe pioneira na pesquisa de combustíveis renováveis, Almeida afirma que esta oleoginosa tem restrições técnicas e ambientais. `Além disso, o processo se torna muito mais caro do que os demais`, disse. O professor aposta na utilização do pinhão manso, mas afirma que só depois de concluídas as pesquisas, provavelmente daqui há 10 anos. Mas o que o pesquisador não acredita mesmo é na capacidade de produção anunciada pela Brasil Ecodiesel em função da dificuldade de matéria-prima.
`Não acredito que os projetos de produção de biodiesel a partir da mamona oriunda da agricultura familiar possam atingir as metas previstas, uma vez que o óleo da mamona tem um valor de mercado maior do que os demais óleos vegetais`, ressalta.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: RONALDO JACOBINA
10/07/07
Dos 246,3 mil hectares de todo o Brasil, 93,7 mil estão em terras baianas, sobretudo em pequenas propriedades agrícolas, a chamada agricultura familiar, base de sustentação do programa. Com isso, o Ministério de Ciência e Tecnologia coloca o Estado no ranking de maior produtor de biodiesel brasileiro.
Atualmente, a Bahia conta com uma fábrica em atividade e mais duas previstas para entrar em operação neste semestre. A Usina Brasil Ecodiesel, localizada no município de Iraquara, está produzindo 360 mil litros diários de biodiesel produzidos a partir do óleo de dendê, da mamona, do amendoim e do girassol.
Conforme o gerente da indústria Edísio Vasconcelos, a produção está sendo escoada para a Bahia e para outros Estados. O biocombustível é vendido para a Petrobras que, através da BR Distribuidora, distribui o biodiesel para outras empresas como a Shell e Ipiranga.
Dois por cento deste biodiesel, que é chamado de B2, é misturado a outros combustíveis fósseis como o óleo diesel.
Para o final deste mês está prevista a entrada em operação da Comanche Biocombustível da Bahia, que pretende produzir 40 milhões de litros/ano a partir da soja, do algodão, do girassol e de sebo animal.
Segundo o diretor da empresa Hilton Barbosa Lima, a previsão é de que a planta seja ampliada no final deste ano e que entre em 2008 com a capacidade de produção elevada para 100 milhões de litros/ ano. `Estamos investindo no plantio de outras matérias-primas como o pinhão manso e a mamona que possuem alto teor de óleo`.
Outra indústria de produção de biodiesel deverá ser inaugurada em 2007, no município de Candeias.
Essa planta vem com grife de peso: Petrobras, e com capacidade de processamento de 50 mil toneladas/ ano. Isso significa que a planta de Candeias produzirá 57 milhões de litros/ano.
Segundo o engenheiro David Leal, do Setor de Biocombustíveis da Petrobras, a proposta é utilizar a matéria-prima produzida na agricultura familiar. `No mínimo 50% da matéria-prima virá desta fonte`, disse. Para tanto, a empresa vem realizando diversas atividades com o objetivo de sensibilizar e mobilizar agricultores para que participem das discussões e se incorporem à cadeia produtiva do biodiesel.
A partir de 2008, a mistura de 2% de biodiesel ao diesel será obrigatória e em 2013, a proporção subirá para 5%. Na unidade da Petrobras, a matéria-prima será do mesmo grupo de oleaginosas utilizado pelas demais indústrias: mamona, dendê, girassol e amendoim.
O engenheiro Adolfo Almeida, da equipe de pesquisadores da Universidade Estadual Santa Cruz (Uesc), acredita no potencial do Estado para a produção do biodiesel a partir do dendê, do algodão e do amendoim, mas questiona a utilização da mamona como matér ia-pr ima.
Integrante da equipe pioneira na pesquisa de combustíveis renováveis, Almeida afirma que esta oleoginosa tem restrições técnicas e ambientais. `Além disso, o processo se torna muito mais caro do que os demais`, disse. O professor aposta na utilização do pinhão manso, mas afirma que só depois de concluídas as pesquisas, provavelmente daqui há 10 anos. Mas o que o pesquisador não acredita mesmo é na capacidade de produção anunciada pela Brasil Ecodiesel em função da dificuldade de matéria-prima.
`Não acredito que os projetos de produção de biodiesel a partir da mamona oriunda da agricultura familiar possam atingir as metas previstas, uma vez que o óleo da mamona tem um valor de mercado maior do que os demais óleos vegetais`, ressalta.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: RONALDO JACOBINA
10/07/07