O Brasil pode apagar

06/08/2007
Há duas maneiras de medir o prejuízo causado pela falta de investimentos no setor energético. Pode-se calcular o risco de um novo apagão. Como a oferta de eletricidade cresce num ritmo inferior ao do consumo, é provável que esse fantasma volte em 2010. Outra maneira, menos comum, é comparar o preço da eletricidade para novos projetos industriais no Brasil às tarifas no resto do mundo. E aí se chega a uma conclusão surpreendente. Os brasileiros consomem sobretudo energia de fonte hídrica, 25% mais barata do que a nuclear. Mesmo assim, pagam tarifas mais caras do que na França, onde a energia nuclear reina absoluta. Isso ocorre por causa de uma série de fatores, todos desastrosos. O maior deles é a carga tributária. Ela representa metade do valor da conta de luz dos brasileiros. Além de absorver recursos da iniciativa privada, a tributação é usada para pagar contas de um governo endividado. Resultado: as contas de luz são caras, mesmo assim os investimentos não são feitos e, como conseqüência desse fato, é elevado o risco de faltar energia nos próximos anos.

Estudo do professor Afonso Henriques Santos, da Universidade Federal de Itajubá, mostra que o governo Lula não iniciou nenhuma grande obra de geração de energia. Mais de 90% das usinas inauguradas pelo petista foram licitadas nos anos de Fernando Henrique Cardoso. Desde 2003, 17 500 megawatts foram acrescentados à matriz energética. Desses, apenas 1 700 megawatts foram contratados durante a atual administração, energia suficiente para abastecer não mais do que 5 milhões de residências. Afirma Claudio Sales, do Instituto Acende Brasil: `Sozinho, o governo não conseguirá suprir a demanda. É preciso dar segurança para que o setor privado invista`.

Cíntia Borsato

Fonte: Revista Veja num. 2020

Em 6/8/2007.