Wagner defende entendimentos pontuais

25/03/2008
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse ver `sem sobressaltos` uma eventual aliança entre o PSDB e o PT em Minas para a eleição à Prefeitura de Belo Horizonte. Segundo Wagner, que esteve ontem em São Paulo para um encontro com empresários, na Bahia já é tradição a união dos dois partidos. `Nosso adversário comum sempre foi o PFL, atual DEM. O que acontece em Minas já não é novidade na Bahia, embora eu não acredite que vá se espalhar pelo País.`

Na Bahia, o PSDB integra a base de apoio de Wagner, incluindo o presidente da Assembléia Legislativa, Marcelo Nilo. `Os tucanos sabem que eu não faço política com preconceito, faço com idéias. Não vejo nada demais nessa aliança, uma vez que eles conhecem e apóiam o nosso projeto`, afirmou o governador na reunião do Lide - Grupo de Líderes Empresariais, no Hotel Renaissance.

Desde 1994 Wagner tenta aproximar os dois partidos, por considerar que representam novidades na política brasileira pós-regime militar. Isso não quer dizer, como ele fez questão de destacar ontem, que o acordo entre o PT e o PSDB possa se repetir em outros lugares ou mesmo nas eleições presidenciais de 2010.

`No caso de 2008, em alguns lugares a realidade local vai falar mais alto do que a questão nacional`, argumentou. Wagner frisou que o casamento entre o PT e o PSDB dificilmente vai virar uma regra, pois a cultura nacional já os consagrou como contraponto um do outro.

DILMA

Com relação à disputa presidencial de 2010, ele defendeu a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Para o governador, que fez questão de avisar que não é pré-candidato ao cargo, Dilma reúne as condições para ser a candidata do PT. `É o nome mais bem colocado no partido, apesar de serem ventilados, também, o de Patrus Ananias, ministro de Desenvolvimento Social, e o da ministra do Turismo, Marta Suplicy`, avaliou. `Dilma tem um jeito às vezes duro, mas é objetiva. E jogo de cintura a gente adquire.`

Wagner afirmou que não pretende ser candidato à sucessão do presidente Lula porque não tem por hábito iniciar uma tarefa se a anterior não foi concluída. `A agenda de 2010 não está na minha cabeça. Agora só penso em Bahia, Bahia, Bahia.`

O governador baiano recebeu aplausos dos empresários presentes ao evento quando fez uma ligeira crítica ao comportamento de Marta Suplicy. Em recente viagem ao exterior, a ministra se negou a ficar na fila de embarque, como os demais passageiros. `Não conheço o fato concreto, mas toda autoridade tem de se curvar à lei e nós devemos dar o exemplo`, comentou Wagner.

Repórter: Moacir Assunção

Fonte: O Estado de S. Paulo

25/3/2008.