08/05/2008
Rodoviários de Salvador realizaram mais um protesto, no final da tarde de quarta-feira, paralisando o trânsito e causando transtornos por quase duas horas. Dessa vez, a manifestação parou a região da Rótula do Abacaxi. Pouco depois das 16h - com o término da assembléia -, mais de cem rodoviários partiram do Sindicato dos Eletricitários das Bahia (Sinergia), no bairro de Sete Portas, seguindo pelos Dois Leões e Avenida Heitor Dias. A categoria era conclamada a aderir aos protestos com a ajuda de um carro de som. Impacientes, passageiros desciam dos ônibus e seguiam a pé.
A razão de mais um protesto dos rodoviários está na ausência de avanços nos itens da pauta relacionados à remuneração. Desde o início das negociações, eles não obtiveram nenhuma proposta de reajuste salarial dos empresários de Salvador nem dos donos das empresas que realizam o transporte intermunicipal. `Estamos em data-base e vamos exigir aumento de salários e melhores condições`, informou o diretor de imprensa do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Ubirajara Sales.
O trânsito foi prejudicado também na descida do Vale das Pedrinhas, Avenida Paralela sentido centro, rodoviária sentido Rótula, e avenidas Tancredo Neves, Heitor Dias e Barros Reis. Na Rótula do Abacaxi, interditada por volta das 17h30, cerca de 20 homens da Polícia Militar e 36 agentes da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) monitoravam o trânsito. Segundo o gerente de trânsito da SET, Renato Jorge de Araújo, pelo menos nove pessoas reclamaram de terem sido assaltadas debaixo do viaduto da Rótula durante a manifestação.
Mal-estar - Pouco antes das 18h, um motorista da empresa Praia Grande, veículo de número 4842, que fazia a linha Itaigara/Massaranduba, foi autorizado por um dos sindicalistas a `furar` o protesto, pois havia uma senhora passando mal dentro do coletivo. Os demais não aprovaram e, além de cercar o ônibus esvaziaram um pneu. `Na hora da confusão fiquei com um friozinho na barriga`, afirmou o motorista Valdomiro Ferreira, 38 anos. Apesar de o vidro direito estar quebrado, o condutor negou que o acidente tivesse acontecido durante a confusão.
Outras conseqüências do protesto eram sentidas na Rótula: pontos de ônibus lotados, principalmente aquele situado em frente à concessionária Mitsubish Motors e o supermercado Atakadão, e pessoas atrasadas para compromissos. Era o caso da autônoma Angela Ferreira, 42 anos. Como ontem era o último dia de regularização dos eleitores junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ela estava desesperada com o horário. `Vim para casa buscar a documentação, na Caixa D´Água, precisei saltar do ônibus e ir andando. Agora não sei se vou chegar a tempo no CAB (Centro Administrativo da Bahia)`, desabafou.
Fabiano Alves, 32 anos, estudante do Colégio Estadual Rafael de Oliveira, em Cajazeiras VIII, estava atrasado para a aula. `Vim do Comércio andando para cá, porque estava tudo parado`. No momento do protesto, circulavam apenas ambulâncias.
*** Transporte intermunicipal suspenso
Os protestos dos rodoviários que atuam no transporte intermunicipal começaram às 4h50, quando o primeiro veículo com destino a Teixeira de Freitas, a 836km de Salvador, não saiu da rodoviária. Inquietos com a impossibilidade de terem a tarifa reajustada, motoristas cruzaram os braços por quatro horas. Pelo menos 1,2 mil pessoas deixaram de embarcar, 46 horários foram descumpridos e 16 empresas não operaram. O transporte de funcionários para o Pólo, CIA e refinaria também ficou prejudicado.
No início da mobilização, alguns motoristas pararam na plataforma para boicotar o movimento e a paralisação quase termina em confusão entre rodoviários e sindicalistas. O primeiro ônibus só foi liberado às 8h. O representante farmacêutico Jorge Luís Santana, 38 anos, ficou três horas à espera do embarque. `Estou aqui desde as 5h. Vou perder uma reunião de trabalho`, lamentou ele, que só embarcou rumo a Teixeira de Freitas por volta das 8h.
O mesmo aconteceu com Márcia Nascimento, 32, funcionária da prefeitura de Rio Real, distante a 203km da capital. Ela embarcaria às 6h, mas só conseguiu pegar o ônibus das 8h30. Repleto de bagagens e encomendas para família, o operador de máquinas, Alexandre de Jesus, 32, estava a caminho de Penedo, a 450km de Salvador. teve que esperar quatro horas. `Logo hoje (ontem) que estou indo para casa descansar acontece uma agonia dessa`, lamentou.
Funcionário da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), em Madre Deus, o gerente de operação, Roberto Barbosa, 40, não conseguiria chegar a tempo de render o colega na troca de turno, por isso, desistiu de ir ao trabalho. `Liguei para lá e infelizmente o colega foi obrigado a dobrar`, afirmou.
Enquanto organizava as filas, o orientador de tráfego, Paulo Sérgio dos Santos, tentava responder às perguntas dos passageiros com relação à saída dos ônibus. Segundo ele, muitas pessoas desistiram de viajar por conta dos atrasos. Nas garagem da Empresa Jauá, na Rótula do Abacaxi, o primeiro ônibus que deveria ter saído às 3h30, só saiu às 8h.
Às 9h, foi realizada uma rodada de negociação no Sindicato das Empresas de Transporte Público de Salvador (Setps), mas não houve acordo. A categoria pede aumento de 12,32%, entre reajuste e ganho real. Os empresários não aceitam.
*** Empresariado mantém posição
Os protestos realizados pelos rodoviários não pressionarão o empresariado durante as negociações, segundo o assessor de Relações Institucionais do Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros de Salvador (Setps), Jorge Castro. `Essa atitude deles só faz prejudicar a população`. Em matéria publicada pelo Correio da Bahia em 1o de maio, Castro pediu desculpas à população pelos transtornos causados pelos rodoviários. `Não temos como dar o reajuste. Já trabalhamos no vermelho`, justifica.
Já a Associação de Empresas de Transporte Coletivo Rodoviário do Estado da Bahia (Abemtro) dá perspectivas mais otimistas, mesmo que não ideais, para os rodoviários. O secretário executivo da associação, Edmar Ribeiro dos Santos, confirmou ontem que propostas de reajuste poderão ser apresentadas, mas com índices inferiores aos percentuais pleiteados.
O último protesto dos rodoviários foi realizada no dia 30 de abril, quando milhares de pessoas ficaram sem transporte no final da tarde, entre 16h e 18h, devido a uma paralisação relâmpago na Avenida Centenário até a Estação da Lapa.
*** REIVINDICAÇÕES
REAJUSTE salarial de 11,37% e aumento de 15% no tíquete-alimentação no valor atual de R$7,16 estão entre as principais reivindicações dos rodoviários. Eles reforçam a possibilidade de greve se as negociações com o patronato não atenderem aos pleitos da categoria. As próximas reuniões entre o sindicato patronal e a categoria acontecem hoje e no próximo dia 13. Na quarta-feira, os rodoviários voltam a se reunir em assembléia.
Repórteres: Carmen Azevedo e Camila Vieira
Fonte: Correio da Bahia
Em 8/05/2008.
A razão de mais um protesto dos rodoviários está na ausência de avanços nos itens da pauta relacionados à remuneração. Desde o início das negociações, eles não obtiveram nenhuma proposta de reajuste salarial dos empresários de Salvador nem dos donos das empresas que realizam o transporte intermunicipal. `Estamos em data-base e vamos exigir aumento de salários e melhores condições`, informou o diretor de imprensa do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Ubirajara Sales.
O trânsito foi prejudicado também na descida do Vale das Pedrinhas, Avenida Paralela sentido centro, rodoviária sentido Rótula, e avenidas Tancredo Neves, Heitor Dias e Barros Reis. Na Rótula do Abacaxi, interditada por volta das 17h30, cerca de 20 homens da Polícia Militar e 36 agentes da Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) monitoravam o trânsito. Segundo o gerente de trânsito da SET, Renato Jorge de Araújo, pelo menos nove pessoas reclamaram de terem sido assaltadas debaixo do viaduto da Rótula durante a manifestação.
Mal-estar - Pouco antes das 18h, um motorista da empresa Praia Grande, veículo de número 4842, que fazia a linha Itaigara/Massaranduba, foi autorizado por um dos sindicalistas a `furar` o protesto, pois havia uma senhora passando mal dentro do coletivo. Os demais não aprovaram e, além de cercar o ônibus esvaziaram um pneu. `Na hora da confusão fiquei com um friozinho na barriga`, afirmou o motorista Valdomiro Ferreira, 38 anos. Apesar de o vidro direito estar quebrado, o condutor negou que o acidente tivesse acontecido durante a confusão.
Outras conseqüências do protesto eram sentidas na Rótula: pontos de ônibus lotados, principalmente aquele situado em frente à concessionária Mitsubish Motors e o supermercado Atakadão, e pessoas atrasadas para compromissos. Era o caso da autônoma Angela Ferreira, 42 anos. Como ontem era o último dia de regularização dos eleitores junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), ela estava desesperada com o horário. `Vim para casa buscar a documentação, na Caixa D´Água, precisei saltar do ônibus e ir andando. Agora não sei se vou chegar a tempo no CAB (Centro Administrativo da Bahia)`, desabafou.
Fabiano Alves, 32 anos, estudante do Colégio Estadual Rafael de Oliveira, em Cajazeiras VIII, estava atrasado para a aula. `Vim do Comércio andando para cá, porque estava tudo parado`. No momento do protesto, circulavam apenas ambulâncias.
*** Transporte intermunicipal suspenso
Os protestos dos rodoviários que atuam no transporte intermunicipal começaram às 4h50, quando o primeiro veículo com destino a Teixeira de Freitas, a 836km de Salvador, não saiu da rodoviária. Inquietos com a impossibilidade de terem a tarifa reajustada, motoristas cruzaram os braços por quatro horas. Pelo menos 1,2 mil pessoas deixaram de embarcar, 46 horários foram descumpridos e 16 empresas não operaram. O transporte de funcionários para o Pólo, CIA e refinaria também ficou prejudicado.
No início da mobilização, alguns motoristas pararam na plataforma para boicotar o movimento e a paralisação quase termina em confusão entre rodoviários e sindicalistas. O primeiro ônibus só foi liberado às 8h. O representante farmacêutico Jorge Luís Santana, 38 anos, ficou três horas à espera do embarque. `Estou aqui desde as 5h. Vou perder uma reunião de trabalho`, lamentou ele, que só embarcou rumo a Teixeira de Freitas por volta das 8h.
O mesmo aconteceu com Márcia Nascimento, 32, funcionária da prefeitura de Rio Real, distante a 203km da capital. Ela embarcaria às 6h, mas só conseguiu pegar o ônibus das 8h30. Repleto de bagagens e encomendas para família, o operador de máquinas, Alexandre de Jesus, 32, estava a caminho de Penedo, a 450km de Salvador. teve que esperar quatro horas. `Logo hoje (ontem) que estou indo para casa descansar acontece uma agonia dessa`, lamentou.
Funcionário da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), em Madre Deus, o gerente de operação, Roberto Barbosa, 40, não conseguiria chegar a tempo de render o colega na troca de turno, por isso, desistiu de ir ao trabalho. `Liguei para lá e infelizmente o colega foi obrigado a dobrar`, afirmou.
Enquanto organizava as filas, o orientador de tráfego, Paulo Sérgio dos Santos, tentava responder às perguntas dos passageiros com relação à saída dos ônibus. Segundo ele, muitas pessoas desistiram de viajar por conta dos atrasos. Nas garagem da Empresa Jauá, na Rótula do Abacaxi, o primeiro ônibus que deveria ter saído às 3h30, só saiu às 8h.
Às 9h, foi realizada uma rodada de negociação no Sindicato das Empresas de Transporte Público de Salvador (Setps), mas não houve acordo. A categoria pede aumento de 12,32%, entre reajuste e ganho real. Os empresários não aceitam.
*** Empresariado mantém posição
Os protestos realizados pelos rodoviários não pressionarão o empresariado durante as negociações, segundo o assessor de Relações Institucionais do Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros de Salvador (Setps), Jorge Castro. `Essa atitude deles só faz prejudicar a população`. Em matéria publicada pelo Correio da Bahia em 1o de maio, Castro pediu desculpas à população pelos transtornos causados pelos rodoviários. `Não temos como dar o reajuste. Já trabalhamos no vermelho`, justifica.
Já a Associação de Empresas de Transporte Coletivo Rodoviário do Estado da Bahia (Abemtro) dá perspectivas mais otimistas, mesmo que não ideais, para os rodoviários. O secretário executivo da associação, Edmar Ribeiro dos Santos, confirmou ontem que propostas de reajuste poderão ser apresentadas, mas com índices inferiores aos percentuais pleiteados.
O último protesto dos rodoviários foi realizada no dia 30 de abril, quando milhares de pessoas ficaram sem transporte no final da tarde, entre 16h e 18h, devido a uma paralisação relâmpago na Avenida Centenário até a Estação da Lapa.
*** REIVINDICAÇÕES
REAJUSTE salarial de 11,37% e aumento de 15% no tíquete-alimentação no valor atual de R$7,16 estão entre as principais reivindicações dos rodoviários. Eles reforçam a possibilidade de greve se as negociações com o patronato não atenderem aos pleitos da categoria. As próximas reuniões entre o sindicato patronal e a categoria acontecem hoje e no próximo dia 13. Na quarta-feira, os rodoviários voltam a se reunir em assembléia.
Repórteres: Carmen Azevedo e Camila Vieira
Fonte: Correio da Bahia
Em 8/05/2008.