05/06/2008
Os ex-diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Leur Lomanto e Jorge Velozo confirmam, em entrevista ao Estado, que a Casa Civil atuava para acelerar a tramitação de matérias relacionadas ao caso Varig na agência. `A ministra (Dilma Roussef) e a Erenice (Guerra, secretária-executiva) diziam que a gente estava criando dificuldades`, afirmou Leur Lomanto. `Não sei se chamaria isso de pressão, mas o problema é que queriam culpar a Anac pela quebra da Varig. Acho que os advogados, os representantes da empresa, informavam algo ao Planalto, mas a realidade era outra. Eles não cumpriam as exigências.`.
Segundo Lomanto, a diretoria decidiu aprovar a transferência acionária da VarigLog para o fundo Matlin Patterson e seus sócios brasileiros, mesmo sem a comprovação de origem de capital e comprovação de renda, `para que amanhã não fôssemos acusados de ter quebrado a Varig`. `Votamos em cima do parecer do procurador, que dizia que não era competência da Anac exigir os documentos`, completou.
Lomanto lembra, contudo, que a decisão original da diretoria da Anac de aprovar o ofício com as exigências de origem de capital e comprovação de renda dos sócios da VarigLog também estava `respaldada em um parecer da Procuradoria da Anac`. Questionado sobre as circunstâncias que teriam feito o procurador João Ilídio mudar de posição, Lomanto disse que não se recorda. `Surgiu a dúvida se tínhamos competência ou não para exigir os documentos. Não me lembro bem, mas acho que foi o procurador mesmo que levantou esse questionamento.`
Questionado sobre a atuação do diretor-presidente da Anac, Milton Zuanazzi, Lomanto respondeu: `O Milton sempre defendia que se agilizasse o caso Varig, mas ele nunca falou em nome da Casa Civil. Pelo menos para mim não.`
O ex-diretor Jorge Velozo, militar aposentado, disse que acredita `que o Planalto tenha se mobilizado para acelerar o caso Varig`. ` Evidentemente nós também achávamos que o processo tinha que andar. A Varig era uma preocupação nacional. Mas tinha que ser dentro da legalidade e da segurança`, disse Velozo.
Ele diz que não tinha contato direto com a Casa Civil. `Meu entendimento era com o Milton. Acredito que ele era cobrado pelo Planalto por se tratar de uma empresa como a Varig.`
Assim como sua colega Denise Abreu, Velozo também é citado no falso dossiê e foi acusado de fazer lobby para a TAM. Ele conta que, assim que tomou conhecimento do dossiê, ligou para o Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito. `Minha polícia é a Força Aérea. Minha ficha está lá, não tem nada contra mim. Não tenho inimigos no campo pessoal, sou inexpressivo politicamente.`
Ele desconhece a autoria do dossiê, mas afirma que, possivelmente, o autor deveria estar `preocupado com algum posicionamento técnico` em seu período de Anac. `Foi um tiro de canhão que vai sair pela culatra.` Zuanazzi e o ex-diretor Josef Barat foram procurados, mas não quiseram falar.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Em 5/06/2008.
Segundo Lomanto, a diretoria decidiu aprovar a transferência acionária da VarigLog para o fundo Matlin Patterson e seus sócios brasileiros, mesmo sem a comprovação de origem de capital e comprovação de renda, `para que amanhã não fôssemos acusados de ter quebrado a Varig`. `Votamos em cima do parecer do procurador, que dizia que não era competência da Anac exigir os documentos`, completou.
Lomanto lembra, contudo, que a decisão original da diretoria da Anac de aprovar o ofício com as exigências de origem de capital e comprovação de renda dos sócios da VarigLog também estava `respaldada em um parecer da Procuradoria da Anac`. Questionado sobre as circunstâncias que teriam feito o procurador João Ilídio mudar de posição, Lomanto disse que não se recorda. `Surgiu a dúvida se tínhamos competência ou não para exigir os documentos. Não me lembro bem, mas acho que foi o procurador mesmo que levantou esse questionamento.`
Questionado sobre a atuação do diretor-presidente da Anac, Milton Zuanazzi, Lomanto respondeu: `O Milton sempre defendia que se agilizasse o caso Varig, mas ele nunca falou em nome da Casa Civil. Pelo menos para mim não.`
O ex-diretor Jorge Velozo, militar aposentado, disse que acredita `que o Planalto tenha se mobilizado para acelerar o caso Varig`. ` Evidentemente nós também achávamos que o processo tinha que andar. A Varig era uma preocupação nacional. Mas tinha que ser dentro da legalidade e da segurança`, disse Velozo.
Ele diz que não tinha contato direto com a Casa Civil. `Meu entendimento era com o Milton. Acredito que ele era cobrado pelo Planalto por se tratar de uma empresa como a Varig.`
Assim como sua colega Denise Abreu, Velozo também é citado no falso dossiê e foi acusado de fazer lobby para a TAM. Ele conta que, assim que tomou conhecimento do dossiê, ligou para o Comandante da Aeronáutica, Juniti Saito. `Minha polícia é a Força Aérea. Minha ficha está lá, não tem nada contra mim. Não tenho inimigos no campo pessoal, sou inexpressivo politicamente.`
Ele desconhece a autoria do dossiê, mas afirma que, possivelmente, o autor deveria estar `preocupado com algum posicionamento técnico` em seu período de Anac. `Foi um tiro de canhão que vai sair pela culatra.` Zuanazzi e o ex-diretor Josef Barat foram procurados, mas não quiseram falar.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Em 5/06/2008.