01/09/2008
Passagens das principais rotas aéreas sofreram aumento acima de 40% nos primeiros sete meses deste ano (...) O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 4,19% de janeiro a julho.
Algumas das principais rotas aéreas do país tiveram alta superior a 40% nos primeiros sete meses deste ano. A forte alta do querosene de aviação e a grande concentração do mercado brasileiro são apontados como principais motivos.
A ponte aérea Rio-São Paulo, o filé mignon do mercado doméstico para as companhias aéreas, já subiu 55,7% de janeiro a julho deste ano. De acordo com as informações prestadas à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) pelas empresas, a tarifa média passou de R$ 343,26 em janeiro para R$ 534,50 em julho, ida e volta. Os dados da agência incluem ainda vôos de Congonhas (SP) para Brasília, Curitiba e Porto Alegre e do Tom Jobim (RJ) para Brasília, sempre considerando passagem para ida e volta..
Já de acordo com dados da FGV (Fundação Getulio Vargas), o preço das passagens aéreas em todo o país subiu 16,26% de janeiro a julho e 44,65% nos 12 meses encerrados em julho. Os dados de agosto, até o dia 20, mostravam um aumento de 0,66%. O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 4,19% de janeiro a julho. Em 12 meses acumulados até julho, a alta foi de 6,37%.
Segundo especialistas, as companhias conseguem repassar reajustes nessas rotas com mais facilidade, porque o passageiro típico viaja a trabalho e não pode cancelar a viagem. E, em muitos casos, quem arca com os custos são empresas.
A variação dos preços não reflete só aspectos sazonais, como alta e baixa temporada. A comparação com julho do ano passado, por exemplo, mostra um aumento de 40% no preço da ponte aérea Rio-SP. No acumulado do ano, o maior aumento foi registrado para o vôo Congonhas/Porto Alegre/ Congonhas: 58,6% -de R$ 373,16 para R$ 591,97. A tarifa média é uma combinação dos diversos preços praticados pelas empresas, que variam de acordo com fatores como horário da viagem e antecedência na compra. Para quem compra em cima da hora, o preço pode ser bem mais salgado.
Segundo Leonel Rossi, diretor de Assuntos Internacionais da Abav (Associação Brasileira de Agentes de Viagens), o valor médio das passagens em geral saltou de R$ 380 em 2007 para pouco mais de R$ 500 neste ano. Ele destaca, no entanto, que apesar da alta, o valor dos bilhetes no país já foi muito mais elevado. `O aumento ainda não mexeu com a demanda, mas o consumidor já começa a pesquisar mais os preços.`
De acordo com dados da Anac, a demanda cresceu 10% nos primeiros sete meses do ano. Em 2007, a alta foi de 11,9%. O principal argumento das companhias para justificar os aumentos é a alta do combustível. O querosene de aviação subiu 36,38% até agosto, diz o Snea (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias). O combustível representa até 40% dos custos de uma companhia. A mudança no patamar de preços já suscitou pressões para a Petrobras oferecer subsídio ao querosene. O diretor da Anac Ronaldo Seroa da Motta afirmou que o Ministério da Defesa discute um acordo entre as companhias e a Petrobras.
O diretor afirmou ainda que as empresas já conseguiram obter isenção de PIS/Cofins para o querosene usado em vôos internacionais. `O setor carece de uma política industrial própria`, disse. Já o presidente do Snea, José Márcio Mollo, afirma que as empresas estão pedindo a revisão do cálculo usado pela Petrobras para definir o valor do combustível. Segundo André Castellini, da consultoria Bain & Company, a alta nos preços veio para ficar. `O consenso que emerge no mercado é que o viajar está sendo reprecificado por conta da alta do petróleo`, disse.
Segundo André Braz, coordenador de Índices de Preços ao Consumidor da FGV, a concentração do mercado ajuda a explicar a alta de preços. TAM e Gol representam cerca de 90% do mercado doméstico. `Em qualquer segmento da economia, quando poucas empresas exploram determinada atividade, há espaço para aumento de preços. Fomentar a entrada de empresas novas é bom para acirrar a concorrência. A dica é pesquisar e comprar com muita antecedência`, disse. As empresas atuam hoje em regime de liberdade tarifária. Especialistas destacam que o cumprimento de metas relacionadas a pontualidade e regularidade também costuma aumentar os custos da empresa, o que pode acabar chegando ao consumidor. Nesse caso, exigências de aumento da qualidade do serviço e as restrições em Congonhas poderiam levar, ainda que indiretamente, a aumento no preço da tarifa.
Sem interferir no preço, as vias indiretas para estimular a concorrência e as tarifas mais baixas são o incentivo à entrada de novas empresas e a flexibilização do uso dos aeroportos. A Anac estuda até o fim do ano lançar consulta pública para flexibilizar a utilização do Aeroporto Santos Dumont no Rio, hoje usado principalmente para a ponte aérea. A Azul, nova empresa aérea, tenta antecipar o início de suas operações para o fim deste ano.
Tarifas são menores do que em 2006, diz TAM; empresas trazem mais aviões
A TAM afirma que, mesmo com os aumentos realizados pela empresa neste ano, as tarifas ainda encerrarão o ano abaixo do valor vigente em 2006, em termos nominais. A companhia aérea diz que aumentou em 13,7% o `yield` (preço pago pelo cliente por quilômetro voado) doméstico no primeiro semestre em relação a igual período de 2007. A companhia destaca que o `yield` internacional caiu 18,7% de janeiro a junho deste ano em reais. A estimativa da TAM é que o aumento acumulado no ano fique em 7% nos vôos domésticos e em 5% nos internacionais.
O cenário de petróleo em alta estimula também a busca por aeronaves mais eficientes no consumo de combustível. Antes mesmo de o petróleo bater em US$ 140 (hoje está perto de US$ 115), as duas principais companhias brasileiras, TAM e Gol, já haviam feito grande volume de encomendas à Airbus e à Boeing, prevendo aumento vigoroso da demanda nacional. A TAM diz que receberá nos próximos anos encomendas de 22 A350 XWB, quatro A330-200 e 20 da família A320, que têm valor de lista de aproximadamente US$ 6,9 bilhões. As aeronaves são incorporadas por meio de arrendamento.
A Gol diz que a tarifa média do primeiro semestre ficou em R$ 210,02. O valor inclui Gol e Varig. No primeiro trimestre, o `yield` doméstico e internacional da empresa cresceu 10%. No segundo trimestre, 7,7%. Para Alípio Camanzano, presidente da Decolar.com no Brasil, o mercado segue muito aquecido e o consumidor pode driblar a alta de preços por meio de tarifas promocionais ou horários mais em conta. `O segmento de vendas on-line cresce bastante porque as pessoas querem usar a matriz de comparação de preços.`
Repórter: JANAINA LAGE
Fonte: Folha de S. Paulo
1/9/2008.
Algumas das principais rotas aéreas do país tiveram alta superior a 40% nos primeiros sete meses deste ano. A forte alta do querosene de aviação e a grande concentração do mercado brasileiro são apontados como principais motivos.
A ponte aérea Rio-São Paulo, o filé mignon do mercado doméstico para as companhias aéreas, já subiu 55,7% de janeiro a julho deste ano. De acordo com as informações prestadas à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) pelas empresas, a tarifa média passou de R$ 343,26 em janeiro para R$ 534,50 em julho, ida e volta. Os dados da agência incluem ainda vôos de Congonhas (SP) para Brasília, Curitiba e Porto Alegre e do Tom Jobim (RJ) para Brasília, sempre considerando passagem para ida e volta..
Já de acordo com dados da FGV (Fundação Getulio Vargas), o preço das passagens aéreas em todo o país subiu 16,26% de janeiro a julho e 44,65% nos 12 meses encerrados em julho. Os dados de agosto, até o dia 20, mostravam um aumento de 0,66%. O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 4,19% de janeiro a julho. Em 12 meses acumulados até julho, a alta foi de 6,37%.
Segundo especialistas, as companhias conseguem repassar reajustes nessas rotas com mais facilidade, porque o passageiro típico viaja a trabalho e não pode cancelar a viagem. E, em muitos casos, quem arca com os custos são empresas.
A variação dos preços não reflete só aspectos sazonais, como alta e baixa temporada. A comparação com julho do ano passado, por exemplo, mostra um aumento de 40% no preço da ponte aérea Rio-SP. No acumulado do ano, o maior aumento foi registrado para o vôo Congonhas/Porto Alegre/ Congonhas: 58,6% -de R$ 373,16 para R$ 591,97. A tarifa média é uma combinação dos diversos preços praticados pelas empresas, que variam de acordo com fatores como horário da viagem e antecedência na compra. Para quem compra em cima da hora, o preço pode ser bem mais salgado.
Segundo Leonel Rossi, diretor de Assuntos Internacionais da Abav (Associação Brasileira de Agentes de Viagens), o valor médio das passagens em geral saltou de R$ 380 em 2007 para pouco mais de R$ 500 neste ano. Ele destaca, no entanto, que apesar da alta, o valor dos bilhetes no país já foi muito mais elevado. `O aumento ainda não mexeu com a demanda, mas o consumidor já começa a pesquisar mais os preços.`
De acordo com dados da Anac, a demanda cresceu 10% nos primeiros sete meses do ano. Em 2007, a alta foi de 11,9%. O principal argumento das companhias para justificar os aumentos é a alta do combustível. O querosene de aviação subiu 36,38% até agosto, diz o Snea (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias). O combustível representa até 40% dos custos de uma companhia. A mudança no patamar de preços já suscitou pressões para a Petrobras oferecer subsídio ao querosene. O diretor da Anac Ronaldo Seroa da Motta afirmou que o Ministério da Defesa discute um acordo entre as companhias e a Petrobras.
O diretor afirmou ainda que as empresas já conseguiram obter isenção de PIS/Cofins para o querosene usado em vôos internacionais. `O setor carece de uma política industrial própria`, disse. Já o presidente do Snea, José Márcio Mollo, afirma que as empresas estão pedindo a revisão do cálculo usado pela Petrobras para definir o valor do combustível. Segundo André Castellini, da consultoria Bain & Company, a alta nos preços veio para ficar. `O consenso que emerge no mercado é que o viajar está sendo reprecificado por conta da alta do petróleo`, disse.
Segundo André Braz, coordenador de Índices de Preços ao Consumidor da FGV, a concentração do mercado ajuda a explicar a alta de preços. TAM e Gol representam cerca de 90% do mercado doméstico. `Em qualquer segmento da economia, quando poucas empresas exploram determinada atividade, há espaço para aumento de preços. Fomentar a entrada de empresas novas é bom para acirrar a concorrência. A dica é pesquisar e comprar com muita antecedência`, disse. As empresas atuam hoje em regime de liberdade tarifária. Especialistas destacam que o cumprimento de metas relacionadas a pontualidade e regularidade também costuma aumentar os custos da empresa, o que pode acabar chegando ao consumidor. Nesse caso, exigências de aumento da qualidade do serviço e as restrições em Congonhas poderiam levar, ainda que indiretamente, a aumento no preço da tarifa.
Sem interferir no preço, as vias indiretas para estimular a concorrência e as tarifas mais baixas são o incentivo à entrada de novas empresas e a flexibilização do uso dos aeroportos. A Anac estuda até o fim do ano lançar consulta pública para flexibilizar a utilização do Aeroporto Santos Dumont no Rio, hoje usado principalmente para a ponte aérea. A Azul, nova empresa aérea, tenta antecipar o início de suas operações para o fim deste ano.
Tarifas são menores do que em 2006, diz TAM; empresas trazem mais aviões
A TAM afirma que, mesmo com os aumentos realizados pela empresa neste ano, as tarifas ainda encerrarão o ano abaixo do valor vigente em 2006, em termos nominais. A companhia aérea diz que aumentou em 13,7% o `yield` (preço pago pelo cliente por quilômetro voado) doméstico no primeiro semestre em relação a igual período de 2007. A companhia destaca que o `yield` internacional caiu 18,7% de janeiro a junho deste ano em reais. A estimativa da TAM é que o aumento acumulado no ano fique em 7% nos vôos domésticos e em 5% nos internacionais.
O cenário de petróleo em alta estimula também a busca por aeronaves mais eficientes no consumo de combustível. Antes mesmo de o petróleo bater em US$ 140 (hoje está perto de US$ 115), as duas principais companhias brasileiras, TAM e Gol, já haviam feito grande volume de encomendas à Airbus e à Boeing, prevendo aumento vigoroso da demanda nacional. A TAM diz que receberá nos próximos anos encomendas de 22 A350 XWB, quatro A330-200 e 20 da família A320, que têm valor de lista de aproximadamente US$ 6,9 bilhões. As aeronaves são incorporadas por meio de arrendamento.
A Gol diz que a tarifa média do primeiro semestre ficou em R$ 210,02. O valor inclui Gol e Varig. No primeiro trimestre, o `yield` doméstico e internacional da empresa cresceu 10%. No segundo trimestre, 7,7%. Para Alípio Camanzano, presidente da Decolar.com no Brasil, o mercado segue muito aquecido e o consumidor pode driblar a alta de preços por meio de tarifas promocionais ou horários mais em conta. `O segmento de vendas on-line cresce bastante porque as pessoas querem usar a matriz de comparação de preços.`
Repórter: JANAINA LAGE
Fonte: Folha de S. Paulo
1/9/2008.