11/11/2008
A Câmara de Comércio dos Estados Unidos e o Conselho Empresarial Brasil Estados Unidos, em parceria com a Associação Nacional pela Garantia dos Direitos Intelectuais (Angari), apresentaram, ontem, no Rio de Janeiro, relatório sobre o consumo de produtos piratas no Brasil, realizado pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope). A pesquisa `O impacto da pirataria no setor de consumo` revela que, este ano, houve uma redução na compra dos falsificados em diversas categorias, em comparação com 2007. A pesquisa mostra ainda que o Brasil deixou de arrecadar, só nos primeiros dez meses deste ano, R$ 18,6 bilhões em impostos, quase 5% do total arrecadado entre janeiro e setembro deste ano, que foi de cerca de R$ 480 bilhões.
No período de 17 a 22 de setembro foram entrevistadas 1.715 pessoas, com idade acima de 16 anos, residentes nas cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo e constatou que 63% dos consultados consomem produtos piratas sempre, às vezes ou já comprou algum item falsificado. No ano passado, este índice foi de 75%. `Essa redução se deve, principalmente, à atuação apreensiva da Receita Federal e de órgãos competentes. No Rio, por exemplo, há delegacias especializadas na pirataria`, avalia o diretor do Angari, José Henrique Werner. Segundo o relatório, nos últimos dez meses foram apreendidos pela Receita Federal R$ 1 bilhão em produtos piratas, 22% a mais do que 2006. Os itens mais apreendidos foram os eletroeletrônicos (R$ 79 milhões), cigarros (R$ 77 milhões), óculos (R$ 73 milhões), calçados (R$ 35 milhões) e artigos de informática (R$ 58 milhões), entre outros. `É um trabalho de quatro anos que começa a dar resultados`, comenta a representante do Conselho Empresarial Brasil EUA, Solange Mata Machado. `Ações integradas entre as autoridades, em diversas cidades, estão proporcionando uma diminuição no consumo ilegal`, completa.
Compras
A pesquisa aponta ainda um crescimento de 24%, em 2007, para 34% neste ano de pessoas que nunca compraram produtos piratas. `Esse aumento pode ser avaliado de duas formas. A primeira é que houve uma mudança no hábito das pessoas porque há uma maior conscientização dos impactos negativos do consumo de falsificado. A segunda é que mudou a logística da rota dos piratas`, explica Werner. Para ele, devido à maior fiscalização nas fronteiras, os traficantes tiveram que alterar sua rota de distribuição, concentrada antes em São Paulo, o que possibilitou uma diminuição dos lugares conhecidos de vendas.
Solange avalia que um dos principais resultados da pesquisa, e que serve como base para aumentar ainda mais o número de não-consumidores de mercadorias falsificadas, é que surgiram dois tipos de perfis: 76% dos entrevistados são compradores eventuais, mulheres da classe média, que se soubessem que a compra ajuda o crime organizado, o tráfico de drogas ou fosse usados para propinas ou prejudicasse sua família, deixariam de consumir. E 24% são compradores convictos, homens de classe mais baixa, que não são sensibilizados com o fato do ato beneficiar práticas criminosas.
Pontos negativos
Werner, porém, entende que as reduções não são significativas. `Existem muitas pessoas que, mesmo conscientes dos impactos na economia brasileira, preferem comprar produtos piratas por ter preço mais acessível. Apenas 3 em cada 10 pessoas não compram falsificados.` A pesquisa revela que, como nos anos anteriores, 84% dos entrevistados alegam que os produtos ilegais custam menos que a metade do preço dos originais e que isto torna a compra atrativa. Solange diz que, de acordo com a Interpol (International Criminal Police Organization - ICPO) , o Brasil movimenta entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões com o comércio pirata. No entanto, o que aconteceu nos últimos quatro anos, foi uma intensa fiscalização pela Receita Federal. `Há muita coisa a ser feita, mas descobrimos, com este relatório, novos ganchos para atuar.`
Repórter: Fernanda Bompan
Fonte: Gazeta Mercantil
Em 11/11/2008.
No período de 17 a 22 de setembro foram entrevistadas 1.715 pessoas, com idade acima de 16 anos, residentes nas cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo e constatou que 63% dos consultados consomem produtos piratas sempre, às vezes ou já comprou algum item falsificado. No ano passado, este índice foi de 75%. `Essa redução se deve, principalmente, à atuação apreensiva da Receita Federal e de órgãos competentes. No Rio, por exemplo, há delegacias especializadas na pirataria`, avalia o diretor do Angari, José Henrique Werner. Segundo o relatório, nos últimos dez meses foram apreendidos pela Receita Federal R$ 1 bilhão em produtos piratas, 22% a mais do que 2006. Os itens mais apreendidos foram os eletroeletrônicos (R$ 79 milhões), cigarros (R$ 77 milhões), óculos (R$ 73 milhões), calçados (R$ 35 milhões) e artigos de informática (R$ 58 milhões), entre outros. `É um trabalho de quatro anos que começa a dar resultados`, comenta a representante do Conselho Empresarial Brasil EUA, Solange Mata Machado. `Ações integradas entre as autoridades, em diversas cidades, estão proporcionando uma diminuição no consumo ilegal`, completa.
Compras
A pesquisa aponta ainda um crescimento de 24%, em 2007, para 34% neste ano de pessoas que nunca compraram produtos piratas. `Esse aumento pode ser avaliado de duas formas. A primeira é que houve uma mudança no hábito das pessoas porque há uma maior conscientização dos impactos negativos do consumo de falsificado. A segunda é que mudou a logística da rota dos piratas`, explica Werner. Para ele, devido à maior fiscalização nas fronteiras, os traficantes tiveram que alterar sua rota de distribuição, concentrada antes em São Paulo, o que possibilitou uma diminuição dos lugares conhecidos de vendas.
Solange avalia que um dos principais resultados da pesquisa, e que serve como base para aumentar ainda mais o número de não-consumidores de mercadorias falsificadas, é que surgiram dois tipos de perfis: 76% dos entrevistados são compradores eventuais, mulheres da classe média, que se soubessem que a compra ajuda o crime organizado, o tráfico de drogas ou fosse usados para propinas ou prejudicasse sua família, deixariam de consumir. E 24% são compradores convictos, homens de classe mais baixa, que não são sensibilizados com o fato do ato beneficiar práticas criminosas.
Pontos negativos
Werner, porém, entende que as reduções não são significativas. `Existem muitas pessoas que, mesmo conscientes dos impactos na economia brasileira, preferem comprar produtos piratas por ter preço mais acessível. Apenas 3 em cada 10 pessoas não compram falsificados.` A pesquisa revela que, como nos anos anteriores, 84% dos entrevistados alegam que os produtos ilegais custam menos que a metade do preço dos originais e que isto torna a compra atrativa. Solange diz que, de acordo com a Interpol (International Criminal Police Organization - ICPO) , o Brasil movimenta entre R$ 60 bilhões e R$ 70 bilhões com o comércio pirata. No entanto, o que aconteceu nos últimos quatro anos, foi uma intensa fiscalização pela Receita Federal. `Há muita coisa a ser feita, mas descobrimos, com este relatório, novos ganchos para atuar.`
Repórter: Fernanda Bompan
Fonte: Gazeta Mercantil
Em 11/11/2008.