Gasolina custa 57% mais que lá fora

17/11/2008
A política do governo de não repassar a volatilidade da cotação do barril do petróleo ao consumidor - o que permitiu ao país atravessar o período de forte alta da commodity sem grande impacto na inflação - começa a cobrar seu preço, com a queda das cotações no mercado internacional. O litro da gasolina nas refinarias da Petrobras está 57% mais alto que no Golfo do México, região de refino mais próxima do Brasil: US$0,51 e US$0,36, respectivamente. Já o preço do diesel nas refinarias da estatal está 10% acima: US$0,62 e US$0,53.

Desde 14 de outubro, a Petrobras teve ganhos adicionais de R$278,8 milhões graças a essa política, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE). O diretor da CBIE, Adriano Pires, explica que isso se deve ao fato de a estatal não ter repassado às distribuidoras as quedas da cotação internacional do petróleo. Desde 11 de julho, quando atingiu o recorde de US$147,27 em Nova York, o barril recuou 61,3% até sexta-feira, quando fechou a US$57,04.

- A Petrobras manteve sua política de não repassar as oscilações ao mercado brasileiro. Só que desta vez os preços caíram muito lá fora e, comparativamente, ficaram muito mais altos aqui dentro.

Segundo Pires, a gasolina e o diesel comercializados no mercado brasileiro só não estão ainda mais defasados por causa da recente valorização do dólar. Caso contrário, explica, a gasolina nas refinarias brasileiras poderia custar até 70% mais: - O Brasil é um país sui generis. Os consumidores brasileiros saem ganhando quando o preço do barril de petróleo está alto lá fora, já que a Petrobras vende o produto subsidiado aqui. Quando o preço cai muito, fica ruim.

Estatal afirma não repassar volatilidade a curto prazo

O último reajuste da Petrobras foi em maio deste ano. No caso da gasolina, o aumento de 10% não chegou até o consumidor, já que o governo reduziu o percentual da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) incidente sobre o combustível. O reajuste anterior, também de 10%, foi em setembro de 2005. Já o diesel subiu 15% em maio. Com a redução da Cide, o preço nas bombas teve alta em torno de 8%. A última redução foi em abril de 2003, de 10% para ambos.

Desde que parou de repassar as oscilações internacionais, em 2005, a Petrobras deixou de ganhar R$12,4 bilhões, já descontados os ganhos deste ano.

Em comunicado, a Petrobras informou que faz reajustes, para cima ou para baixo, quando se consolida um novo patamar internacional do petróleo, mantendo alinhamento a médio prazo com os preços globais. `Assim como não aumentamos os preços quando o petróleo chegou a US$140 por barril, também não vamos reduzi-los enquanto o mercado apresentar volatilidade a curto prazo`.

Repórter: Bruno Villas Boas

Fonte: O Globo

- 17/11/2008.