21/10/2010
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) recomendou sexta-feira, em reunião do Comitê do Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que as termelétricas movidas a óleo com custo de até R$ 456,00 por MWh fossem acionadas para garantir o nível mínimo dos reservatórios das hidrelétricas do Nordeste. As usinas da região estão cada dia mais secas em função do fenômeno La Niña. Mas o diretor-geral em exercício da Aneel na ocasião, Edvaldo Santana, foi voto vencido. O comitê decidiu não acionar as usinas, mesmo que isso signifique que o nível-meta de segurança seja violado.
A decisão foi tomada, segundo o Ministério de Minas e Energia, com base em uma nota técnica do Operador Nacional do Sistema (ONS), que entendeu que é possível esperar um período mais chuvoso no Sudeste e Centro-Oeste do país nos meses de novembro e dezembro. Com os reservatórios mais cheios nessas regiões, as térmicas a gás natural, que hoje estão a pleno vapor, poderiam continuar gerando para suprir a necessidade de preservar reservatórios no Nordeste.
A questão é que a decisão do CMSE pode afetar diretamente os preços de liquidação de diferenças (PLD), que seria o equivalente ao preço de mercado à vista da bolsa de valores. Pelas regras hoje estabelecidas, se o nível-meta dos reservatórios for violado o PLD é afetado pelo preço da última térmica acionada e isso pode significar uma explosão de preços do submercado Nordeste.
A conta seria paga pelos agentes expostos ao mercado à vista, inclusive pelos consumidores livres que possuem fábricas no Sudeste, mas compraram energia de hidrelétricas no Nordeste. O PLD nesta semana para a região ultrapassou R$ 254,00. No Sudeste, chegou a R$ 140,00. Se os preços subirem ainda mais, vão afetar todo o mercado livre.
Todos os procedimentos operativos indicam a necessidade do uso das usinas movidas a óleo combustível ou diesel com o custo de até R$ 456,00 por MWh, e segundo o Valor apurou foi por isso que a Aneel fez a recomendação de acionamento dessas térmicas. O ONS só pode acionar essas usinas com a autorização do CMSE. O ONS está preocupado com a falta de chuvas e já recomendou, informalmente, aos donos das usinas termelétricas do Nordeste, para manterem estoques suficientes do combustível com o objetivo de começar a operar em novembro, se for preciso. Isso significa que, no curto prazo, não existe risco de desabastecimento.
Alguns agentes temem que a decisão tenha um componente político. Acionar térmicas movidas a óleo combustível indica para o pior cenário, ou seja, de o período seco se estender para além de novembro e, com isso, provocar a falta de energia suficiente para atender a demanda.
Além disso, as térmicas a óleo geram encargos ao consumidor. Os níveis dos reservatórios não param de cair e nesta semana o ONS pediu que a usina de Angra II, que gera cerca de 1.300 MW, adie para 1º de novembro a data de uma manutenção programada para acontecer neste fim de semana.
Autor(es): Josette Goulart.
Valor Econômico - 21/10/2010.
A decisão foi tomada, segundo o Ministério de Minas e Energia, com base em uma nota técnica do Operador Nacional do Sistema (ONS), que entendeu que é possível esperar um período mais chuvoso no Sudeste e Centro-Oeste do país nos meses de novembro e dezembro. Com os reservatórios mais cheios nessas regiões, as térmicas a gás natural, que hoje estão a pleno vapor, poderiam continuar gerando para suprir a necessidade de preservar reservatórios no Nordeste.
A questão é que a decisão do CMSE pode afetar diretamente os preços de liquidação de diferenças (PLD), que seria o equivalente ao preço de mercado à vista da bolsa de valores. Pelas regras hoje estabelecidas, se o nível-meta dos reservatórios for violado o PLD é afetado pelo preço da última térmica acionada e isso pode significar uma explosão de preços do submercado Nordeste.
A conta seria paga pelos agentes expostos ao mercado à vista, inclusive pelos consumidores livres que possuem fábricas no Sudeste, mas compraram energia de hidrelétricas no Nordeste. O PLD nesta semana para a região ultrapassou R$ 254,00. No Sudeste, chegou a R$ 140,00. Se os preços subirem ainda mais, vão afetar todo o mercado livre.
Todos os procedimentos operativos indicam a necessidade do uso das usinas movidas a óleo combustível ou diesel com o custo de até R$ 456,00 por MWh, e segundo o Valor apurou foi por isso que a Aneel fez a recomendação de acionamento dessas térmicas. O ONS só pode acionar essas usinas com a autorização do CMSE. O ONS está preocupado com a falta de chuvas e já recomendou, informalmente, aos donos das usinas termelétricas do Nordeste, para manterem estoques suficientes do combustível com o objetivo de começar a operar em novembro, se for preciso. Isso significa que, no curto prazo, não existe risco de desabastecimento.
Alguns agentes temem que a decisão tenha um componente político. Acionar térmicas movidas a óleo combustível indica para o pior cenário, ou seja, de o período seco se estender para além de novembro e, com isso, provocar a falta de energia suficiente para atender a demanda.
Além disso, as térmicas a óleo geram encargos ao consumidor. Os níveis dos reservatórios não param de cair e nesta semana o ONS pediu que a usina de Angra II, que gera cerca de 1.300 MW, adie para 1º de novembro a data de uma manutenção programada para acontecer neste fim de semana.
Autor(es): Josette Goulart.
Valor Econômico - 21/10/2010.